Apesar do avanço acelerado da Inteligência Artificial, a maioria dos CEOs ainda não enxerga impactos relevantes da tecnologia nos resultados financeiros de suas empresas.
É isso que revela uma nova pesquisa da PwC, segundo a qual mais da metade das lideranças afirma não ter percebido aumento de receita nem redução de custos com o uso da IA. O marketing, no entanto, surge como uma exceção clara a esse cenário.
O levantamento reforça a percepção de que a fase de experimentação da IA começa a dar lugar à impaciência dos executivos. Com os orçamentos de 2026 migrando do entusiasmo inicial para a cobrança por resultados concretos, cresce o risco de a IA ser vista menos como um motor de crescimento e mais como um custo difícil de justificar.
Durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, alertou que a IA corre o risco de perder apoio social se não demonstrar utilidade prática. Segundo ele, a tecnologia precisa “fazer algo útil que mude os resultados para pessoas, comunidades, países e indústrias”.
Ele destacou ainda que o uso intensivo de recursos, como energia, só se sustenta se houver benefícios reais. “Vamos perder rapidamente até mesmo a permissão social para usar algo como energia, que é um recurso escasso, para gerar esses tokens, se eles não estiverem melhorando resultados em saúde, educação, eficiência do setor público e competitividade do setor privado, em todos os setores, pequenos e grandes”, afirmou.
Os dados da pesquisa da PwC ajudam a explicar o alerta. Apenas 30% dos CEOs disseram que suas empresas obtiveram ganhos concretos de receita com a adoção da IA nos últimos 12 meses. Cerca de 26% relataram redução de custos, enquanto 22% apontaram aumento. No total, 56% não observaram nenhum impacto positivo, e apenas 12% registraram simultaneamente aumento de receita e redução de custos.
Hierarquia em jogo
Outro ponto destacado é o descompasso entre diferentes níveis hierárquicos dentro das organizações. Para Peter Bailis, CTO da Workday, ainda há um longo caminho para integrar a IA de forma eficiente no ambiente corporativo. Ele observa que muitos modelos de linguagem não compreendem o contexto interno das empresas, enquanto grande parte dos usuários tem pouca autonomia ou visão estratégica, o que limita os resultados percebidos.
Essa diferença fica evidente nos dados: enquanto 40% dos funcionários afirmam que o uso da IA não gera economia de tempo, apenas 2% dos executivos do alto escalão compartilham dessa visão. Já 43% dos membros do C-suite dizem economizar oito horas ou mais por semana com a tecnologia, frente a apenas 5% entre os demais trabalhadores.
O cenário levanta preocupações sobre a capacidade das empresas de IA de recuperar os altos investimentos feitos em infraestrutura, especialmente diante de um mercado corporativo ainda pouco convencido de seus benefícios. Uma análise anterior do Financial Times já indicava que muitas companhias são mais claras ao apontar os riscos da IA do que seus ganhos, com benefícios frequentemente descritos de forma vaga.
Apesar dessas limitações no ambiente corporativo mais amplo, a indústria de marketing já sente impactos concretos da IA. A tecnologia vem remodelando a forma como marcas ganham visibilidade em ambientes digitais e direcionando a maior parte dos investimentos em mídia. O desempenho do setor levanta uma questão: talvez o marketing tenha algo a ensinar ao restante das organizações sobre como transformar IA em valor real.

Foto: Pexels
Fonte: WARC
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