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Celular precoce eleva risco de depressão
20 de Fevereiro de 2026

Celular precoce eleva risco de depressão

Especialistas alertam para efeitos no sono, no peso e no desenvolvimento cognitivo

Associado a riscos ampliados para a saúde mental e física, o uso precoce do celular, muitas vezes, é um tabu aos pais e responsáveis.

Um estudo recente, que acompanhou 10.588 jovens ao longo de 6 anos, analisou os efeitos do 1º contato com smartphones ainda na infância. Segundo o que foi apurado, quanto mais cedo ocorre o acesso ao aparelho, maiores são as chances de impactos negativos: crianças que possuem smartphone apresentam 30% mais probabilidade de desenvolver depressão.

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Os reflexos também atingem a saúde física e a qualidade do sono. A pesquisa aponta que o uso do dispositivo está relacionado a um aumento de 40% no risco de obesidade e a uma probabilidade 60% maior de distúrbios do sono, em comparação com crianças que não têm celular próprio.

Especialistas alertam, ainda, que a exposição prolongada a telas pode comprometer o desenvolvimento cerebral, alterar padrões de comportamento e afastar crianças da vivência presencial e de experiências fundamentais para o crescimento saudável.

Efeitos no desenvolvimento cerebral

A questão não se limita ao tipo de conteúdo consumido, mas ao impacto direto da tecnologia na formação biológica e emocional das crianças. O psicólogo Cristiano Nabuco, especialista em dependência tecnológica, afirma que o contato antecipado com smartphones interfere de maneira significativa no desenvolvimento do cérebro. Para o profissional, o uso intenso do celular tende a substituir experiências presenciais indispensáveis na infância. “Na medida em que tiro a interação presencial e disponibilizo o celular, perde-se parte dessas interações. Quando se relaciona pelas plataformas, diminui-se as presenciais e não se exercita as habilidades interpessoais”, analisa o psicólogo. Ele destaca que, embora a decisão de oferecer o aparelho parta dos pais, é fundamental compreender os efeitos e as “marcas” que essa exposição pode deixar ao longo do tempo.

A experiência da família Romagnoli ilustra esse cenário. Kethelyn, atualmente com 16 anos, recebeu o primeiro celular aos seis. Já Lorenzo, de 8 anos, passou a utilizar o dispositivo aos cinco. A mãe, Kaisa Romagnoli, relata que adota acompanhamento permanente e estabelece regras rigorosas quanto ao tempo de uso, como forma de reduzir possíveis impactos negativos.

Orientações sobre tempo de tela

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda limites claros para a utilização de telas, sempre com supervisão de um responsável, a fim de preservar o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de crianças e adolescentes. As diretrizes variam conforme a idade:

  • 2 a 5 anos: até 1 hora diária;
  • 6 a 10 anos: entre 1 e 2 horas por dia;
  • 11 a 18 anos: entre 2 e 3 horas diárias.

Além disso, o levantamento aponta que adolescentes de 12 anos que já possuem smartphone apresentam mais sintomas depressivos e dormem menos do que aqueles que ainda não utilizam o aparelho. Diante dos dados, médicos e especialistas defendem que o acesso à tecnologia ocorra o mais tarde possível, sempre com mediação ativa dos pais, como estratégia para proteger a saúde mental e física dos menores.

Foto: Pexels

Fonte: Jornal da Band

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