O tempo que os adultos britânicos passam conectados atingiu um novo recorde, segundo um relatório da Ofcom. Em 2025, o uso diário médio subiu para 4 horas e 30 minutos: dez minutos a mais que no ano anterior. Entre jovens de 18 a 24 anos, o número é ainda mais expressivo: 6 horas e 20 minutos por dia, reacendendo debates sobre os efeitos desse consumo na saúde mental.
O estudo anual On-line Nation revela um país cada vez mais imerso em rotinas digitais. O YouTube continua sendo a plataforma onde os adultos passam a maior parte do tempo: 51 minutos diários, sem contar o uso pela televisão.
Alcance e tempo de uso
Entre os adultos, as plataformas mais acessadas são: YouTube (94%), Facebook/Messenger (93%), WhatsApp (90%), Amazon (90%), Microsoft (87%) e BBC (82%), esta última, o único serviço britânico no top cinco.
Metade de todo o tempo on-line (51%) é gasto em plataformas do Google (Alphabet) ou da Meta.
O uso médio do Facebook e Messenger soma 42 minutos por dia; já o WhatsApp representa 17 minutos, mas segue em expansão: foi utilizado por 74% dos adultos diariamente em maio de 2025, contra 64% no ano anterior. O Messenger, em sentido oposto, caiu de 30% para 23%.
Entre crianças e adolescentes
Crianças de 8 a 14 anos ficam quase três horas on-line por dia, chegando a quatro horas entre os de 13 e 14 anos. O cálculo considera apenas smartphones, tablets e computadores, e exclui consoles de videogame.
O relatório mostra ainda um hábito crescente de consumo: 60% gastaram dinheiro online no período de um mês. Entre eles, 43% se arrependeram de compras feitas em redes sociais; 32% se arrependem de compras dentro de jogos; e 42% afirmam nem sempre saber o que estavam comprando nos games.
Notícias cada vez mais sociais
Para 59% dos adultos do Reino Unido, as notícias chegam por “intermediários online”, especialmente redes sociais, um sinal de que o público continua se fragmentando longe dos veículos tradicionais.
Quatro dos dez principais canais de informação já são plataformas sociais: Facebook, YouTube, Instagram e X. Mesmo assim, a BBC segue como a marca jornalística mais acessada, alcançando 77% dos adultos conectados.
Importância da pesquisa
O relatório de 115 páginas reforça uma tendência já clara: a vida digital ocupa um espaço crescente no cotidiano.
E o domínio do YouTube, impulsionado especialmente pelo público masculino e por adolescentes, continua refletido em seu faturamento publicitário. Porém, os britânicos estão menos otimistas sobre a internet: apenas 33% acreditam que ela é “boa para a sociedade”, queda expressiva em relação aos 40% registrados em 2024. Além disso, 40% dizem perceber menos tolerância a diferentes opiniões nas plataformas.
Com o debate sobre saúde mental, uso de telas e influência das redes se intensificando, cresce também a cobrança por transparência, moderação e responsabilidade. A confiança se torna, mais do que nunca, um bem precioso.

Foto: Freepik
Fonte: WARC
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