Por Simone Cyrineu*
Organizações de todos os portes investem em inteligência de mercado, BI, analytics, painéis automatizados e relatórios visuais. E isso é ótimo.
Mas há um ponto que precisa ser discutido com mais seriedade: de nada adianta termos dashboards sofisticados se eles não comunicam com clareza, ou pior, se não provocam ação.
O que temos visto é um crescimento na quantidade de dados e na sofisticação das ferramentas, mas um distanciamento entre a produção técnica e a tomada de decisão estratégica.
Relatórios lindos, cheios de gráficos modernos, acabam sendo consumidos apenas pela área técnica, já os líderes, que deveriam usar essas informações para guiar decisões críticas, muitas vezes olham, mas não veem.
Leem, mas não compreendem, isso revela um problema que vai muito além da estética: trata-se de uma falha de comunicação entre áreas.
É aí que entra uma abordagem que defendemos muito na thanks for sharing, empresa a qual sou founder e CEO, os dados precisam contar histórias: vivemos imersos em números. Mas números sozinhos não significam nada.
Eles precisam de contexto, intenção e, acima de tudo, tradução. Por isso, quando falamos em data storytelling, não estamos nos referindo a embelezar gráficos, mas a construir uma narrativa que permita que as pessoas entendam o que está acontecendo, por que está acontecendo e o que pode ser feito a partir disso.
Narrar dados é dar sentido à informação. É apresentar uma sequência lógica que conduz quem está assistindo, ou lendo, do problema à solução, do histórico à projeção, do insight à ação.
É como transformar um relatório em uma conversa, onde o dado é protagonista, mas quem escuta se sente incluído e convidado a refletir.
Dentro dessa proposta, defendo que o motion design, minha área de negócio e de expertise, entra como um recurso. Quando bem aplicado, ele ajuda a guiar a atenção, organizar o raciocínio e reforçar a compreensão.
Um gráfico animado não é apenas “mais bonito”, ele permite que a evolução de um indicador seja percebida com mais naturalidade. Uma transição suave entre informações ajuda a criar continuidade, facilitando o entendimento e a retenção.
Em outras palavras, o motion não é só estética: ele é funcional. Ele permite que relatórios e dashboards deixem de ser apenas ferramentas de consulta e se tornem ferramentas de convencimento, de alinhamento, de mobilização.
A comunicação entre áreas técnicas e decisores não pode mais depender de PDFs estáticos ou apresentações lotadas de dados que mais criam um desafio visual do que cumprem uma função estratégica.
Precisamos transformar essas entregas em experiências que comuniquem com clareza e empatia. E o design de movimento, aliado à narrativa estratégica, tem um papel imprescindível nesse processo.
Empresas que querem operar de forma mais inteligente precisam garantir que todos, do analista ao CEO, estejam olhando para os mesmos dados com o mesmo entendimento.
Isso exige mais do que acesso à informação, exige uma estratégia de comunicação dos dados.
Imagine uma diretoria que precisa decidir entre priorizar investimento em marketing ou produto. O time de dados entrega um dashboard com 15 KPIs, gráficos interativos e uma paleta impecável. Mas se os líderes não conseguem entender o que aquilo tudo está dizendo, de que adianta?
Agora, imagine esse mesmo cenário com um vídeo curto, bem roteirizado, que mostra a queda de engajamento nos canais digitais, conecta isso com a jornada do cliente e sugere caminhos de ação. A chance de haver alinhamento é muito maior.
O que defendo é que os dados sejam apresentados de forma que convençam, engajem e mobilizem. Que os relatórios falem. Que os dashboards contem histórias.
Pode parecer óbvio quando dito assim, mas cultura orientada por dados começa com compreensão.
Falar em cultura data-driven virou lugar-comum, mas pouca gente discute o quanto a compreensão é base para essa cultura. Não basta gerar relatórios, é preciso garantir que as pessoas saibam o que estão olhando, o que isso significa e por que importa.
A thanks também nasceu com o propósito de aproximar dados de pessoas. E sabemos, pela prática com nossos clientes e internamente, que quando traduzimos relatórios em histórias visuais, o engajamento cresce, o alinhamento estratégico melhora e as decisões ficam mais embasadas.
Isso acontece porque o foco sai do dado bruto e vai para o impacto que ele pode gerar.
Em resumo, relatórios e dashboards são ferramentas. O valor deles está na capacidade de provocar entendimento e ação, se não cumprem esse papel, são só números bonitos.
Como líderes, temos a responsabilidade de garantir que os dados com os quais trabalhamos não sejam apenas acessíveis, mas compreensíveis. Que não sejam apenas mostrados, mas interpretados, e para isso, precisamos usar todas as ferramentas de comunicação que temos à disposição: o storytelling, o design e, especialmente, o movimento.
*Simone Cyrineu é CEO e fundadora da thanks for sharing
Foto: Freepik
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