Por Edgard Nienkotter*
A sustentabilidade deixou de ser apenas um valor corporativo e passou a ser um fator estratégico de sobrevivência para hospitais. Em um setor onde a pressão por eficiência convive com a crescente demanda por qualidade assistencial, a tecnologia da informação tem um papel transformador. Se antes a tecnologia da informação (TI) era vista como suporte, hoje ela é alavanca de mudanças profundas, inclusive no campo da sustentabilidade, não apenas em sua dimensão ambiental, mas também econômica e operacional.
Um hospital médio pode consumir a mesma energia que uma pequena cidade. Iluminação 24 horas, climatização de ambientes críticos, operação de equipamentos de alta potência e fluxos ininterruptos de dados criam uma demanda gigantesca. O desafio não é apenas reduzir o consumo, mas otimizar o uso, sem comprometer a segurança do paciente. É nesse ponto que entram as soluções de eficiência energética baseadas em dados.
Sensores IoT conectados a sistemas de gestão predial, integrados com plataformas de análise preditiva, permitem identificar padrões de consumo e antecipar picos de demanda. Em vez de agir de forma corretiva, desligando ou ajustando equipamentos após o desperdício já ter ocorrido, é possível atuar preventivamente. A climatização de uma UTI, por exemplo, pode ser ajustada em tempo real considerando ocupação, temperatura externa e requisitos clínicos. Esse nível de granularidade só é viável com inteligência apoiada em TI.
Outro pilar essencial é a predição aplicada à manutenção hospitalar. Hospitais dependem de uma enorme variedade de ativos, desde aparelhos de ressonância até bombas de infusão. O modelo tradicional de manutenção corretiva, acionado apenas quando o equipamento falha, é caro, gera desperdício de recursos e em alguns casos, coloca vidas em risco. Já a manutenção preditiva, habilitada por algoritmos de machine learning, permite estimar quando um ativo apresentará falhas e programar sua substituição ou ajuste no momento certo. Isso reduz custos, prolonga a vida útil dos equipamentos e garante a disponibilidade sem impactos assistenciais.
A automação de processos administrativos e clínicos completa esse tripé. Em muitos hospitais, atividades burocráticas consomem horas de trabalho humano, com desperdício de energia estratégica. Sistemas de automação, que vão da gestão de estoque de medicamentos à programação cirúrgica, eliminam redundâncias e diminuem erros, ao mesmo tempo em que reduzem a necessidade de recursos materiais. O uso inteligente de Robotic Process Automation (RPA) e IA conversacional já permite integrar sistemas que antes não se comunicavam, gerando fluidez e menor consumo de tempo e infraestrutura.
O mais interessante é que os vetores de eficiência energética, predição e automação, estão interligados. Dados capturados em tempo real alimentam algoritmos de predição, que orientam decisões automáticas, que por sua vez impactam diretamente a sustentabilidade do hospital.
No entanto, a sustentabilidade em saúde não é apenas sobre economia de energia ou redução de custos, é também sobre resiliência. Hospitais preparados para lidar com crises energéticas, falhas de equipamentos ou sobrecarga administrativa são mais sustentáveis porque mantêm sua operação mesmo em cenários adversos, e a TI é justamente o alicerce que garante essa continuidade.
Aqueles que ainda enxergam tecnologia apenas como despesa perdem a oportunidade de transformar sustentabilidade em vantagem competitiva. Os hospitais que mais prosperarão nos próximos anos serão aqueles que entenderem que eficiência energética, manutenção preditiva e automação não são “projetos de TI”, mas sim estratégias de sobrevivência e diferenciação.
No fim das contas, a verdadeira sustentabilidade hospitalar nasce na combinação entre ciência de dados, gestão inteligente de recursos e responsabilidade com o futuro. A TI não é apenas um suporte, é o motor que pode conduzir os hospitais à próxima era da saúde sustentável.
Foto: Pexels
Edgard Nienkotter é um executivo de tecnologia com mais de 19 anos de experiência em vendas, operações e segurança da informação atuando em integradoras multinacionais. Atualmente ocupa o cargo de CEO na Hexa IT, onde lidera iniciativas de transformação digital, governança de TI e adoção de arquiteturas de cibersegurança para clientes dos mais diversos segmentos.
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