03-12-07
A imagem em alta definição é cruel e exibe, sem pudores, qualquer imperfeição
Com a produção na TV digital cerca de duas vezes e meia mais cara do que a normalmente utilizada na confecção de um comercial para a analógica, só mesmo grandes anunciantes têm bala na agulha para estrear com suas mensagens publicitárias na nova era. Um filme de 30 segundos, padrão na televisão brasileira – feito sem grandes arroubos criativos -, pode ficar em torno de R$ 1 milhão, pelos cálculos de publicitários. Isso, somado ao preço de veiculação na emissora, leva a conta para perto de R$ 3 milhões, o que torna a televisão digital pouco convidativa.
A produção digital exige detalhamento de tudo em seu entorno, o que a deixa bem mais trabalhosa. A captação de imagem pelo sistema HD é mais sofisticada e requer luz e cenários irrepreensíveis. A imagem em alta definição é cruel e exibe, sem pudores, qualquer imperfeição. Como poucas produtoras se equiparam, há pouca oferta no mercado, o que desestimula os anunciantes. Mas isso não foi problema para a Rede Globo, que estréia a transmissão digital com a grade de oito anunciantes completa. “?? um momento especial e teremos um intervalo em alta definição durante o Fantástico que foi foi rapidamente preenchido”, admite Octávio Florisbal, diretor-geral da TV Globo.
Por ser estréia, a Globo, como conta Florisbal, decidiu não cobrar nenhum custo adicional. Ele reconhece, contudo, que a transmissão em alta definição também exige custos maiores, que, no futuro, podem ser repassados aos preços de tabela da emissora. As cotas apresentadas ao mercado foram comercializadas em poucas horas. Quase todas as empresas que aderiram têm, ou gostam de demonstrar que têm, forte sotaque nacional. A companhia de bebida AmBev vai pôr no ar dois comerciais, um para cerveja e outro para o Guaraná. A mineradora Vale do Rio Doce vai ocupar um minuto para exibir a sua nova logomarca. Os eternos rivais, os bancos Itaú e Bradesco, também comparecem hoje à noite na telinha digital, assim como a Caixa Econômica Federal e a indústria de cosméticos Natura.
Mas, fora da festa, como reconhece Celso Loducca, presidente da agência que leva seu nome, na prática ainda está sendo feito muito pouco. “Percebemos que os clientes estão esperando para ver como vai ser. O grande benefício, ainda, é a qualidade de imagem, restrita a um público AAA. Com o tempo, as possibilidades de interação vão transformar a maneira de ver TV.”
Fonte: AdNews citando O Estado de S.Paulo com texto de Marili Ribeiro
