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Entrevista com Roberto Costa, publicitário
11 de Outubro de 2007

Entrevista com Roberto Costa, publicitário

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Roberto da Luz Costa, publicitário e administrador de empresas, florianopolitano, é casado com a artista plástica Lena Costa e tem três filhas. Foi Presidente da ADVB de SC, durante dois mandatos, quando a entidade realizou o 1º Congresso de Marketing do Cone Sul e criou o Personalidade de Vendas de SC que é hoje o maior prêmio empresarial do Estado. Foi Presidente da ABAP – Associação Brasileira de Agências de Propaganda – capítulo SC -, entidade na qual foi Vice-Presidente Nacional. Foi duas vezes publicitário do ano em SC. Começou na propaganda no inicio da década de 70, criando, produzindo e comercializando publicidade para rádio, na Studio Propaganda, uma pequena agência de um diretor de uma rádio em Florianópolis. Em 1972 foi contratado para o setor de criação da Propague. Depois de uma rápida experiência nesta área, migrou para o atendimento. Em 1973 implantou a Propague em Blumenau, tornando-se sócio de Antunes Severo, presidente da agência. Voltou em meados de 1975 para dirigir o atendimento da Propague em Florianópolis. Em 1978 comprou com mais dois diretores a agência, do seu fundador Antunes Severo. Em 1981 comprou a participação dos outros sócios, assumindo a presidência da agência, cargo que ocupa até hoje. Foi fundador e primeiro Presidente do Clube do Vinho de Florianópolis. Atualmente é presidente do conselho consultivo desta entidade. por

 

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Jailson de Sá

 

AcontecendoAqui – A Propague já passou dos 40 anos. Poucas agências brasileiras em atividade hoje no Brasil têm essa longevidade. Fale um pouco sobre a história da Propague.

Roberto Costa – Pela pesquisa que fizemos, menos de 10 agências brasileiras têm mais de 40 anos. Dessas dez, mais da metade são multinacionais. Então, sem dúvida, é uma demonstração de resistência. Uma empresa que consegue ficar esse tempo todo num negócio tão dinâmico quanto o nosso, mostra que se renova constantemente para conseguir essa permanência no mercado, essa constância, sempre num patamar de ponta. Com relação à História da Propague, ela remonta à década de sessenta, mais precisamente no ano de 1963, no dia 14 de fevereiro, quando foi fundada pelo Antunes Severo e pelo Rosendo de Vasconcelos Lima, que trabalhavam na Rádio Diário da Manhã. Na verdade essa foi à data do registro da empresa que já funcionava operacionalmente desde junho de 1962.O Antunes era um animador de rádio, o mais importante do meio de Florianópolis que, ao final da década de cinqüenta e inicio dos anos sessenta era o grande veículo – não só de Florianópolis – mas de Santa Catarina. A Era do rádio, aqui, foi um negócio extremamente importante. Havia rádio novela, programas de auditório, programas de músicas locais e várias outras atrações. E o Antunes era uma espécie de Silvio Santos daqui e, por isso, era requisitado para fazer anúncios. Diante dessa demanda ele resolveu fazer a coisa de forma profissional. Assim surgiu a Propague.

AA – Foi um ato pioneiro do Severo e do Rosendo, em Santa Catarina?

RC – Sim. E a Propague já nascia com contorno profissional. Pois o Antunes foi realmente visionário porque naquela época, quando ninguém falava em agência, ele buscou os modelos de São Paulo e instituiu uma agência com diversos departamentos, não pra fazer só spot de rádio. Apesar de não haver TV naquela época, desenvolvia propaganda para jornal, que na época usava clichê, fazia folhetos para diversas finalidades e colocou uma equipe profissional de criação, gente com visão de planejamento e atendimento e assim surgiu a primeira agência de propaganda profissional de Santa Catarina.

 

AA – A Propague foi à primeira agência do Estado?

RC – Não. Na época já existia uma agência em Joinville chamada Walro, que era uma espécie de house de Weg. Também havia a Walli Publicidade que era um misto de veículo (outdoor) e agência. Mas a Propague foi efetivamente à primeira agência profissional de Santa Catarina.

 

AA – A história da Propague, de certo modo, acaba se confundindo com a história da propaganda catarinense.

RC – Eu considero que, em função da existência da Propague, a comunicação comercial em solo catarinense mudou porque ela deixou de ser produzida pelos próprios veículos de comunicação ou pelas próprias empresas para ser produzida por uma agência de propaganda. Saia do amadorismo e dava seus primeiros passos para o profissionalismo que norteou o nosso negócio.

 

AA – Qual foi o trabalho mais marcante no início da Propague?

RC – Um dos principais trabalhos do inicio da agência foi um a campanha para vender os serviços do TAC, Transportes Aéreo Catarinense, que foi inteiramente produzida em Santa Catarina. Outra campanha pioneira nesta época, foi o lançamento do edifício João Moriitz, na praça XV, que foi a primeira campanha completa com logomarca do empreendimento, conceito, evento de lançamento, sustentação, e que usava pela primeira vez um folheto com as características do edifício, além de spot de rádio, anúncio de jornal, slides para cinema já que na época não tinha TV.A Propague já nasceu com uma visão multifacetada, com aptidão para promoção e eventos. Por exemplo, foi criado, desde sua fundação, um prêmio chamado Cidadã Samba, que existe até, com hoje a agência premiando a melhor passista do Carnaval de Florianópolis.

 

AA – Em que ano foi instituído esse Prêmio?

RC – Foi em 1963, ano de fundação da Propague. Naquele ano criamos esse prêmio que é um marco do Carnaval de Florianópolis. Fizemos também,na década de 60 o concurso para o Hino de Florianópolis que consagrou o Rancho de Amor a Ilha, de autoria do Zininho , que, posteriormente, gravamos em compacto simples,como se chamava o disco na época. Trouxemos o show de Roberto Carlos pela primeira vez para Santa Catarina. Então a história da Propague é uma história bonita porque o Antunes era um visionário, pensou grande desde o começo, estruturou corretamente a agência, pois não estava pensando somente em ganhar dinheiro, mas em dar um passo diferente no setor da propaganda de Santa Catarina . Na década de 70, a agência teve uma primeira fase de expansão, no momento que surgia a Televisão em Santa Catarina. Naquela época a Propague começou um processo de interiorização em busca de clientes importantes do Estado. Um fato marcante dessa investida foi o lançamento publicitário da CECRISA no mercado nacional.

 

AA – Você tem origem numa família de comerciantes do bairro João Paulo, de Florianópolis. Portanto, “mané legítimo”. Como é que você veio parar na propaganda?

RC – O meu encontro com a propaganda se deu por acaso. Eu era estudante de Engenharia, cursando o segundo ano em 1971, e namorava uma menina que era do interior do Estado e precisava de um emprego aqui em Florianópolis. E o único emprego que ela conseguiu foi o de Corretora de Publicidade para Rádio. Olhando aquela atividade de perto achei que seria um pouco perigoso, pois ela era uma menina bonita e, achava que os caras iriam assediá-la. Então comecei a ir junto com ela para ajudá-la a captar anúncios para a Rádio Anita Garibaldi, hoje Rádio Cultura. Com essa minha “colaboração” passei a vender os anúncios junto com ela. (Hoje em dia ela diz que eu trabalho pra ela desde essa época. Aquela corretora acabou se casando comigo.) Mas além de vender os anúncios eu também os criava e, em muitos casos, fazia a produção, a direção e até locução.

 

AA – E a história do seu bar? Contam que ele tem a ver com sua entrada na propaganda.

RC – Naquela época eu tinha um bar chamado Escrache, absolutamente underground, instalado na garagem do DCE, na Rua Álvaro de Carvalho. O local era freqüentado pela intelectualidade da Ilha. Era realmente um escracho, pois a geladeira ficava no meio do bar e as pessoas abriam e pegavam a bebida e gritavam pro garçom “Agora estou pegando uma cerveja, anota aí”. E eu mantinha um garçom só para anotar esses comandos da freguesia. O bar tinha um slogan: “Cliente aqui nunca tem razão”. Por estar localizado numa área universitária da época, o bar era freqüentado por gente da área intelectual, artística e jornalística .Quando artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e outros, vinham fazer shows em Floripa, faziam o fim de noite nesse bar. E foi nessa época que eu criei dois comerciais que deram alguma repercussão junto aos ouvintes da Rádio Anita Garibaldi. Um deles foi o comercial para o CEPU, inicialmente como teaser, que começava com um relincho de cavalo e a locução – feita por mim – dizia: “Você precisa mudar de linguagem”. Uma semana depois entrou o comercial com o relincho seguido da mensagem “Você precisa mudar de linguagem, você precisa entrar na universidade, você precisa fazer um cursinho competente” ou seja, extremamente sutil como um elefante. E o segundo foi da Limoense, uma das duas companhias de transporte urbano da época que operavam com as linhas que atendiam a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). O da Trindadense seguia pela Trindade e o da Limoense seguia via Saco dos Limões. O da Trindade estava sempre lotado e o do Saco dos Limões estava sempre vazio. E os ônibus do Saco dos Limões eram melhores, tinham rádio, o trajeto era um pouquinho mais longo. O que fizemos? Passamos a conviver no ambiente universitário e a observar o comportamento das pessoas dentro dos ônibus. E criamos um comercial para a Limoense vendendo esse ponto: “Porque você vai num ônibus lotado, todo mundo suando, quando você pode ir num ônibus confortável e mais novo, por um trajeto mais bonito e, além de tudo, você tem music in bus rádio, aí entrava uma música caliente: “Teach me tiger, uá uá uá…”

 

AA – Foi assim que você se tornou publicitário?

RC – Foi o início. O diretor da rádio – JG Xavier – tinha uma agência que se chamava Stúdio Propaganda. Era diretor comercial da rádio e dono da agência. E ele queria que eu trabalhasse com ele na agência em vez de ficar somente como corretor. Aceitei o convite e passei a atender alguns clientes que ele tinha, mas foi por um período curto, pois minha namorada arranjou outro emprego e aí eu saí do circuito. E só voltei a ter contato com o mundo da propaganda em 1972, quando foi realizado no SESC o Encontro Técnico de Propaganda e Marketing,um seminário promovido pela Propague. Foi o primeiro encontro de propaganda feito em Florianópolis que teve a presença do Neil Ferreira, Ives Alves, que era diretor comercial da Rede Globo, Roberto Duailibi , Cícero Silveira criador do prêmio Colunistas e outras personalidades da propaganda. Na apresentação do Ives Alves o tema era “Padrão Globo de Qualidade”. E eu como estudante com alguma experiência em propaganda fui assistir à palestra. Quando ele começou a falar sobre o padrão de qualidade eu levantei a mão e o Antunes Severo disse: “Não, não, perguntas só no final”. E o Ives muito agradável falou: “Pode falar”. Então eu disparei: “Você está aqui para falar do Padrão Globo de Qualidade de uma emissora que tem Chacrinha, Hebe Camargo, Silvio Santos e um monte de lixo que vocês apresentam todo dia?” Deu um grande buxixo na platéia… O Ives falou: “Mas veja bem…”. E eu: “Não, não tem padrão de qualidade nenhum”. E lá no meio outro estudante me apoiou e começou um falatório geral do tipo “Que qualidade coisa nenhuma”, “Pode ser um sucesso comercial, mas não de qualidade”, “É um lixo cultural”. O Antunes ficou louco da vida comigo porque na realidade eu acabei atrapalhando a palestra do Ives.

 

AA – E você voltou a ter contato com propaganda depois disso, em qual circunstância?

RC – Foi no Bar Escrache, uns seis meses depois daquele evento. O pessoal da Propague fazia a happy hour lá porque a agência ficava na Felipe Schimdt, a uma quadra do bar. E, num desses dias, o diretor de criação da agência – Emílio Cerri – sabendo um pouco já desse meu histórico de propaganda, me disse: “Vem cá, Roberto. Por que você não vem trabalhar comigo em propaganda?” E eu respondi: “Tá louco cara? O dono da tua agência quer me matar depois que esculhambei com o seminário dele”. E o Emílio: “Não tem problema, o Antunes foi viajar com a família para a Argentina, vai ficar fora 45 dias e eu estou tomando conta da agência”. O Antunes tinha ido fazer uma excursão com a família pelo Cone Sul e teve a ousadia de deixar o Emílio como ‘dono da agência’. E a proposta do Emílio foi irrecusável, pois me ofereceu o triplo do eu ganhava no bar para ser redator da Propague. E eu aceitei.

 

AA – E o que você fez com o Bar?

RC – Vendi o bar. O Emilio me dizia: “Olha, a primeira coisa é se instalar e começar a produzir. Depois de 3 meses você vai fazer um estágio na DPZ, que é nossa associada. E depois de 1 ano você vai pra DDB de Nova Iorque que mantém acordo com a DPZ”. Era tudo o que qualquer iniciante poderia querer de uma profissão. Vendi o bar e me apresentei na Propague pra ser o terceiro ou quarto redator de uma agência que na época não tinha trabalho para 2. E o Emílio tinha contratado mais uma meia-dúzia nessa ausência do Antunes. Quando o Antunes retornou, viu que a folha de pagamento da agência tinha crescido uns 20% e ficou sabendo que o Emílio tinha feito aquelas contratações e deu uma ordem para que todos fossem demitidos, dizendo que o Emílio tinha “viajado” e que a agência não precisava daquele povo todo e que, infelizmente, ele tinha que colocar todos na rua. Eu já tinha vendido o bar, tinha noivado, e fiquei sem emprego. No último dia, pronto pra ir embora o Antunes me chama. “Roberto vem cá. Você me esculhambou um seminário. Você sabe disso. E eu respondi:” Eu sei “. E ele continuou:” Esculhambastes o seminário, mas eu vou te fazer uma proposta” – já havia passado 2 meses da minha contratação – “Não tem mais lugar aqui na criação, mas quem sabe você possa trabalhar no atendimento?”. E eu disse: “Atendimento é negócio de fazer contato com o cliente – na época de cada palavra que dizia 7 eram palavrões – não vai dar certo esse negócio de atendimento comigo. Eu nunca coloquei um terno na minha vida, não vou colocar terno, gravata, nada disso”. E o Antunes: “Não, hoje em dia essas coisas estão mais descontraídas, eu quero um atendimento mais descontraído, um cara com esse teu perfil jovem, tu me acompanha no início pra atender umas contas e daqui a pouco tu vais tocar sozinho”. E eu, então respondi: “Tá bom,mas vou tentar do meu jeito”.

 

AA – Da criação para o atendimento. Como foi essa experiência?

RC – Comecei como assistente atendendo a Caixa Econômica Estadual, que era uma empresa financeira, na época muito atuante no Estado, as Organizações Koerich, a Construtora Gonzaga e outras contas menores. Fiquei uns quatro meses nessa função e me saí razoavelmente bem. Mas a agência estava num momento difícil e o Antunes teve que fazer uma nova redução depois desses 4 meses. Me chamou para demitir me pela segunda vez, dizendo que não dava, que estava com dificuldades em fechar as contas até o final do ano e que lamentava mas ia ter abrir mão do meu trabalho. Quando eu estava saindo, ele me chamou e propôs que eu fosse para Blumenau abrir um escritório local da Propague. Eu disse para o Antunes que ele tinha pirado. Eu estava indo razoavelmente bem no atendimento, mas em Blumenau, eu, manézinho daqui, de jeito nenhum. Os alemães lá são muito fechados, não vai dar certo”. E o Antunes me cortou: “Não, calma lá. Nós temos um cliente lá, que é um cara muito legal, que estudou no Rio e nos entregou a conta(Era as Casas Peiter , uma grande loja de confecções, uma espécie de Renner de Blumenau). Ele está querendo fazer tudo perfeito e nos pediu uma consultoria. Quem sabe você vai pra lá pra estruturar uma agência lá a partir dessa conta?” Nessas alturas eu já estava casado. Falei pro Antunes: “Vou fazer o seguinte, vou lá conhecer o cara. Se realmente ele for tudo isso, vamos conversar”. Fomos, ele e eu, conhecer o Carlito Peiter que, realmente, era uma figura muito legal e arrojada. Conheci as lojas, as perspectivas de Blumenau e fiz uma proposta para ele de que eu ficaria com a unidade de Blumenau, que teria de ser uma empresa a parte de Florianópolis – e ainda, que eu queria ficar sócio dessa empresa na mesma proporção deles. O Antunes teria 33,33% eu teria 33,33% e o Carlito Peiter, que era o cliente principal, teria os outros 33,33%. E os malucos toparam. Então eu me mudei pra Blumenau para instalar a Propague Comunicação Mercadológica. Ao final de 2 anos tínhamos 15 contas da Região.

 

AA – De empregado a dono da Propague. Comente essa transição.

RC – A coisa tava indo muito bem em Blumenau até que o Antunes em 1975 fez um outro movimento surpreendente. Saiu da agência para tocar uma house-agency do Grupo Financeiro BESC, a BESCOM. A verba do BESC representava 60% do faturamento da Propague. Antunes levou consigo os principais funcionários, entre eles o diretor de criação (Emílio Cerri), e me chamou pra juntar os cacos. O que fizemos? Contratamos um gerente para Blumenau e eu vim para ser o diretor de atendimento em Florianópolis. Os meus 33,33% de lá viraram 10% da empresa como um todo. E demos início a um trabalho de recuperação da agência. Este processo durou 2 anos, até 1978 quando o BESC extinguiu a house e o Antunes voltou para a Propague, quando ela já tava recuperada e com novas contas, reassumindo a presidência. Eu tinha 10%, o Peixoto da criação tinha 1%, o João Benjamim (Laguna) do planejamento tinha mais 1%, o Martins do financeiro tinha mais 1%. Ainda em 78 o Antunes resolveu que tinha que vender a agência, para ficar mais tempo com a família. E fez uma proposta para os seus três diretores. Nós não tínhamos dinheiro para comprar, mas ele propôs que pagássemos a longo prazo com o resultado da própria agência. Então compramos. Eu, o Pedro Martins, que era o Diretor Administrativo e Financeiro e o George Peixoto que está comigo até hoje. Então eu fiquei com 40% e os dois com 29,5% cada. O Laguna continuou com 1%, mas já não estava na agência.

 

AA – Qual é a composição acionária da Propague hoje?

RC – Eu sou o sócio majoritário e tenho apenas a minha mulher como sócia.

 

AA – O Peixoto vendeu sua parte para você?

RC – O Peixoto tem uma história interessante. Eu toquei a agência com meus 2 sócios de 78 a 81. Em função do meu pique de trabalho, da minha forma de atuar e da deles, chegou um momento em que o volume de trabalho sob minha responsabilidade era muito maior do que o deles. Naquele instante conversamos sobre as hipóteses de eu comprar a parte deles ou de eles comprarem a minha. Na negociação, o Peixoto concordou em vender a parte dele desde que continuasse na agência como diretor de criação. E o Pedro Martins queria novos desafios. Negociamos sua parte e ele foi trabalhar com um cliente nosso. Assumi a agência por inteiro em 1981, quando passei a imprimir o meu ritmo sempre em busca de crescimento para a Propague. Naquela época eu era um pouco mais ousado que meus sócios, que eram um pouco mais comedidos em relação a desafios. E, felizmente, numa operação solo pude desenvolver a Propague à minha maneira, construindo o meu patrimônio, todo adquirido através da propaganda, que abracei por acaso.

 

AA – Você se formou em Propaganda?

RC – Eu não me formei em Propaganda. Fiz Administração, Engenharia, Economia mas não conclui nenhuma delas. Eu estudava na ESAG, na quarta fase e dava palestra para os alunos da ultima fase. Alguns dos professores eram clientes ou meus amigos. Pessoas com quem eu interagia a todo o momento. Era um negócio difícil, complicado e também, no fundo, no fundo, acabei abraçando a carreira e a empresa me absorveu completamente.

 

AA – Boa parte dos empresários do setor em atividade passaram pela Propague e se profissionalizaram nela. Cite alguns deles.

RC – A Propague recebeu uma homenagem da RBS através de um anúncio, em um dos seus aniversários, com o título “Propague, a faculdade de comunicação de Santa Catarina”. E é verdade. Acho que metade do mercado publicitário passou pela Propague. AA – Cite os nomes de alguns. RC – O primeiro que eu me lembro foi o Saulo Silva, presidente da Quadra, que entrou na mesma época que eu atuando no atendimento. Ele saiu para montar uma produtora e, mais adiante, montou sua agência. O Juarez Beltrão, sócio da Neovox; o Fábio Veiga, também da Neovox, teve seu primeiro emprego de propaganda na Propague; o Sérgio Schutz e o Orlandivo da Ângulo; o Mauro Pereira, Diretor de Arte, também saiu da Propague; Emílio Cerri, que teve a sua empresa de propaganda; Ricardo Barbosa Lima da Mercado, que trabalhou comigo no atendimento, Carlos Alberto Canto da FLN e alguns outros bons profissionais da nossa propaganda. AA – Você é um dos pioneiros aqui de Santa Catarina na conquista de contas de empresas de outros Estados. Como começou isso? RC – Santa Catarina sempre teve muita gente de fora atuando por aqui. No início da Propague as grandes contas de Santa Catarina eram todas atendidas por grandes agências paulistas ou por empresas do Rio Grande do Sul ou Paraná. Em Florianópolis não havia grandes empresas. Aqui havia o mercado do setor de serviços, do governo, imobiliário e do comércio. Então as agências que foram existiam aqui tinham dificuldade de acesso às contas de Criciúma, Blumenau, Joinville e do Oeste. E a Propague foi a primeira a romper com isso. Foi a primeira que se interiorizou, que foi buscar essas contas. Conquistamos a Cecrisa e algumas contas do norte. A WEG foi nosso cliente e, no Vale enquanto estive em Blumenau, a Hering. Naquela época percebi que a gente precisava comprovar competência e a melhor forma era ter conta de fora da sua base. Era importante demonstrar que se podia fazer um bom trabalho para empresas de fora. Então fizemos conquistas de grandes empresas daqui porque tínhamos competência para gerenciar as contas de fora. Caso contrário não teríamos confiança desses clientes. AA – Qual foi a primeira conta não catarinense da Propague? RC – Tivemos algumas. Vou citar a Souza Cruz, conta que atendemos aqui e depois em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul. Atendemos o Grupo Vita, do segmento de saúde de São Paulo e que mantém hospitais em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro e três clínicas em Florianópolis. Atendemos o Café Damasco, de Curitiba, que foi uma conta forte durante um bom período. Lançamos a marca aqui em Santa Catarina que logo se transformou na segunda marca no Estado, depois de deflagarmos uma campanha publicitária memorável. Trabalhamos também nos mercados do PR e RS para este cliente. AA – O que falta para as agências daqui atingirem competitividade em nível de igualdade com as de São Paulo? RC – Eu acho que a questão básica é a gente ter a visão do mercado. As agências catarinenses já evoluíram em níveis desejáveis nos últimos anos. Eu penso que, pelo fato de, especialmente Florianópolis, ter se tornado um centro de excelência em qualidade de vida, atraiu para cá muitos profissionais, alguns criativos importantes, gente de marketing, etc. E, no fundo, eu acho que os talentos que temos aqui hoje nos possibilitam fazer uma comunicação tão boa quanto se faz em São Paulo. Evidentemente que algumas agências podem ter um diferencial a mais por conta de informação, pesquisa etc. No caso da Propague, estamos dentro de uma rede internacional, por conta do acordo que mantemos com a J. W. Thompson. Por esse acordo dispomos de instrumentos que talvez algumas agências do mercado não tenham. Temos acesso a informações de mídia, de planejamento, de banco de dados e isso nos dá um diferencial. AA – Por que, então, empresas catarinenses ainda trocam agências locais por agências de São Paulo e, também, do Paraná? RC – Acho que alguns dirigentes de empresas de porte médio ou grande de Santa Catarina ainda acham que trabalhar com uma agência de grife em São Paulo vai funcionar melhor do que ter uma agência catarinense. Ainda há um preconceito em relação as nossas agências ou por desconhecimento do nosso potencial ou por executivos de marketing oriundos de São Paulo ou outro mercado desejarem estender os seus relacionamentos de agências para cá. Mas o que acaba acontecendo é que essas contas não são tão importantes para as agências maiores de lá e acabam sendo atendidas às vezes por profissionais juniores inferiores aos que temos aqui. Tenho vários casos de empresas catarinenses que não se deram bem fora, especialmente São Paulo. Uma boa empresa do Vale do Itajaí há dois anos por influência de um consultor de marketing paulista entregou a sua conta para uma agência famosa de lá, não funcionou. Hoje a conta está com uma agência de Curitiba, um pouco mais perto. Outro caso foi de uma empresa de porte médio do norte que entregou a conta para uma grande agencia de SP. Esta empresa participava de uma grande feira do seu setor na Alemanha onde apresentava suas novas linhas. Encomendaram um portfolio com a devida antecedência e na véspera da feira descobriram que o job sequer havia sido pedido na agência. O executivo de marketing dessa empresa nunca foi ao cliente, o cliente é que tinha que ir a São Paulo ter reuniões que não tinham conseqüência. Nós participamos, há alguns anos, de uma concorrência de uma associação importante do Estado para vender um grande estoque de produtos de um determinado segmento. A nossa estratégia ia além da propaganda incluindo forte assessoria de imprensa , marketing de relacionamento e promoção. Uma agência de um famoso criativo de São Paulo ganhou e torrou 1 milhão de reais em um mês, na TV aberta e não vendeu uma caixa do produto. AA – A marca Propague sempre esteve ligada a importantes causas sociais n a Ilha, muito antes desse tema virar moda como é hoje. Como é que surgiu essa atitude da Propague sempre estar envolvida nessas coisas? RC – Na verdade não só da Ilha, mas em Santa Catarina. Claro que atuamos mais na Capital porque aqui é a nossa sede. Eu sempre digo que nós empresários temos que pagar um pedágio pra cidade. Esse pedágio paga-se com ações que beneficiem a cidade que agora está se identificando como marketing do terceiro setor. Por que essa atitude? Se vivemos numa cidade temos que fazer algo para melhorá-la de uma maneira geral. E uma agência de propaganda tem tudo a ver com essa atitude, pois ela possibilita o desenvolvimento de idéias, campanhas, ações, movimentos que possam vir a beneficiar essa cidade. No caso da Propague essa atitude não veio só comigo. Foi uma herança adquirida dos fundadores, pois ambos sempre foram muito envolvidos com a cidade. O Antunes porque era radialista e o Rosendo porque era muito ligado aos esportes. Por isso eles tinham essa visão mais abrangente e eu apenas dei continuidade à essa ação. AA – Fale um pouco sobre essas ações. Quais são as entidades parceiras e os beneficiados? RC – São projetos que desenvolvemos em parceria com entidades e segmentos sociais importantes do nosso Estado. Até hoje fazemos campanhas da Feira da Esperança da APAE. Fomos nós quem criamos a marca da APAE. Muda diretoria e nós continuamos fazendo, porque é uma entidade importante para a sociedade. Colaboramos com a Associação de Cegos de Santa Catarina desenvolvendo campanha para eles; Associação dos Doadores de Órgãos; Associação do Mal de Alzheimer e outras tantas. Muitas vezes somos nós quem procuramos a entidade como aconteceu neste caso do Mal de Alzheimer. Mas não interagimos somente com esses segmentos. Procuramos dar nosso apoio para atitudes do interesse da comunidade do ponto de vista institucional. Ações como a criação da PROTUR, em 1988, que foi um embrião do Convention Bureau que se formou depois. Campanhas que discutam o futuro da cidade, como as realizadas em 91, com o tema “Preservar sim, estagnar não”. Naquela época, como também nos dias de hoje, havia uma grande discussão em Florianópolis, na minha opinião equivocada porque sempre foi uma discussão extremada, onde algumas pessoas achavam e continuam achando que podem tudo. E aí incluo alguns empresários inescrupulosos e alguns movimentos sociais que apóiam a vinda de pessoas para Florianópolis criando as favelas de periferia. E, por outro lado, alguns movimentos ambientalistas que acham que não se pode fazer nada. Temos que buscar o caminho do meio para desenvolver a cidade. A Propague procura participar sempre. E a mais recente foi nos envolvermos com a formação de uma entidade chamada FloripAmanhã, que está completando um ano de fundação e que procura participar das discussões das principais questões de interesse da cidade. AA – E para o setor onde a Propague atua? Tem havido envolvimento e colaboração? RC – Sempre nos envolvemos com ações que valorizam o marketing.Fui fundador e primeiro presidente da Abap ,também fui presidente da ADVB por 2 mandatos. A Propague já fez várias ações para o mercado como um todo. Eu conheci a Propague através de um seminário de marketing promovido por ela em 1972. Também realizamos ações ligadas a economia, com a edição de livros sobre a importância do Estado no ponto de vista econômico e outras tantas ações que transcendem a atividade de produzir propaganda para os nossos clientes. AA – Você considera importante que uma agência de propaganda esteja sempre envolvida com a entidade social? RC – Eu acho importante sim, pois é uma contribuição que a agência dá com sua expertise que pode fazer com que se melhore muita coisa na área social. Uma agência pode desenvolver idéias, desenvolver campanhas, sensibilizar produtoras e veículos para veicular suas idéias e, com isso, melhorar o seu entorno. AA – Seria uma forma das agências compensarem a população com alguma atitude diferente daquilo que fazem diariamente que é o estímulo ao consumo? A propaganda precisa ter esse lado social na sua atividade? Faz bem para o espírito de uma agência? RC – Eu acho que não é nem por isso não. Colocado dessa maneira parece que é pra amainar um pouco a nossa culpa de participar de uma sociedade consumista. Não se trata disso, mas de dar um pouco do seu talento para causas que gerem benefícios para a comunidade onde você vive. Também é importante se defender idéias que possam ser implementadas para gerar bem-estar para a sociedade. E, se somos criadores de idéias, podemos participar disso não como uma compensação mas por uma contribuição à sociedade. AA – Sua agência sempre esteve próxima do segmento estudantil, sempre abriu as portas da agência para estagiários, dando oportunidades para muitos deles. Fale um pouco sobre esse lado da Propague. RC – Pois é. Como eu havia falado anteriormente, a Propague é considerada a primeira faculdade de comunicação de Santa Catarina. E sua relação com as pessoas novas desse segmento sempre foi muito grande. Até para descobrir talentos, que sempre foi do interesse dela. Por isso a Propague está de portas abertas para escolas. Adquirimos e exibimos em Santa Catarina os quatro grandes concursos de propaganda internacionais, fundamentalmente para a área estudantil, provocando uma discussão no meio acadêmico em torno do nosso negócio. AA – Você considera que o ensino da publicidade de Santa Catarina é fraco como muita gente comenta? RC – Eu acho que o ensino da publicidade no Brasil é fraco. Aliás, eu acho que o ensino brasileiro é fraco como um todo, pois, infelizmente, os governantes não priorizam a área de educação como fazem outras nações que se transformaram com isso, como foi o caso da Coréia e de algumas outras nações do continente asiático que ganharam uma grande perspectiva de futuro devido ao investimento maciço em educação. Isso é uma coisa que precisa ser feita com prioridade no Brasil. No ambiente universitário, o que há hoje é uma fartura de faculdades de uma maneira geral e na área de comunicação também, E isso acaba priorizando a quantidade e não a qualidade. E aí se entrega para o mercado profissionais não preparados. AA – E com relação aos estagiários que a Propague recebe, também se percebe esse despreparo? RC – Percebe-se, sim. E, às vezes, o talento ou aproveitamento dos estagiários têm mais a ver com o interesse pessoal do que com a cultura e informação. De uma maneira geral, infelizmente, essa é a situação. O nosso negócio acabou sendo visto como algo muito glamoroso, pois alguns coleguinhas contribuíram e ainda contribuem muito para isso. Veja o exemplo de São Paulo onde a propaganda era o segundo curso de maior inscrição no vestibular superado pela Medicina. E, no ano passado, a Propaganda ultrapassou a Medicina, o que causa uma grave distorção porque não tem mercado de trabalho para tal quantidade de formandos. AA – Você concorda com a opinião daqueles que acham que professor de propaganda deveria estar na ativa e não apenas ter a teoria? Assim o aluno teria um mestre atualizado com a área que ele está ensinando? RC – Sem dúvida. Eu acho que esse é um dos problemas, visto que muitos professores que são teóricos e não têm a vivência prática acabam passando também essa visão puramente teórica. Eu acho que seria muito interessante que os profissionais na ativa pudessem ministrar aulas. Acho que deveria haver esse contato das universidades com os profissionais que trabalham nas agências, nas áreas de marketing dos clientes, nas produtoras, para eles darem a sua contribuição para a melhoria do ensino da propaganda. AA – É desenvolvido algum programa de capacitação para os seus funcionários para compensar esse aspecto? RC – A capacitação a gente faz, mas não é uma coisa que tenha merecido altos investimentos ou que se tenha uma ação mais sistemática. Temos a escolinha do dia-a-dia mesmo. Então os profissionais daqui, aqueles mais experientes, procuram orientar os novos profissionais para praticar o marketing de uma maneira adequada. E a cada tempo a agência dá uma repensada interna para estabelecer novos mecanismos de ação, novos ajustes internos, operacionais, que possam fazer com que o nosso negócio seja mais eficaz. AA – Você traz gente de fora pra fazer isso? Consultores especializados em propaganda? RC – A gente traz alguns consultores. Nesse momento vamos começar um trabalho nessa linha para dar uma ajeitada na operação da agência e na gestão como um todo. Porque não é só o anunciante fazer o marketing revolucionário. É preciso sempre contar com uma agência capacitada para gerar campanhas eficientes. Não adianta ter uma grande idéia se não sabemos como veiculá-la. Ou se vai sair com erro de digitação no anúncio. Uma situação pela qual algumas agências passam, até mesmo as bem estruturadas, é a ausência de uma revisão eficiente ou até a falta de estrutura de mídia que coloque o anúncio no meio e no período mais recomendados. Por graves problemas técnicos de produção, a falta de olho clínico para acompanhar todo o processo. Então são etapas que uma agência não pode errar porque acabará saindo caro para ela e para o cliente. Então é nessa linha de logística operacional que os profissionais de hoje estão sendo valorizados numa agência. São profissionais preparados para cuidar com eficácia da operação, para que a coisa funcione bem. AA – Você teve atuação marcante em algumas entidades de classe como o SAPESC e a ABAP, por exemplo. Comente um pouco sobre essas entidades daquela época e dos dias de hoje. O que mudou e o que precisa mudar? RC – Eu acho que a gente tem que dar uma contribuição para o todo, não exclusivamente para a sua empresa. A Propague sempre foi líder nesse processo, pois o Antunes sempre liderou atitudes pioneiras nesse campo. Ele criou a ACP-Associação Catarinense de Propaganda, tendo sido seu primeiro presidente. Depois criamos a ABAP, quando fui seu primeiro presidente. Fui fundador do SAPESC-Sindicato das Agências de Propaganda do Estado de Santa Catarina. Tive uma presença importante na ADVB, que era uma entidade mais voltada para o marketing e pouco para a propaganda. E acho que tudo isso foi importante para a criação de uma cultura da propaganda, como negócio, como segmento importante que é hoje. Atualmente há um fortalecimento de algumas entidades em detrimento de outras. No nosso segmento a gente vê uma presença marcante do sindicato das agências e mesmo da ACP na formação de profissionais e realização de palestras, etc. E agora temos uma nova entidade da área de propaganda e marketing que é o Clube de Propaganda e Marketing de Santa Catarina que tem dado uma contribuição importante para o setor. Lamento muito a diminuição de importância e a situação difícil que está vivendo aqui em Santa Catarina a ABAP-Associação Brasileira das Agências de Propaganda, que considero uma entidade que tem o seu papel a desenvolver no mercado e que tem na entidade nacional a Associação mais forte do nosso setor, mas no âmbito do nosso Estado está enfraquecida. AA – E por que está sofrendo esse momento? RC – Porque em um determinado momento houve uma cisão do mercado publicitário e uma desinteligência por questões de contas políticas, que acabou revertendo a convivência devido ao posicionamento das entidades ABAP e SAPESC. Isso foi muito ruim para todos, mas essas feridas estão curadas e já há movimentos para a revitalização da ABAP, a partir da constatação de que as agências de propaganda mais estruturadas têm que ter uma entidade que possa apoiar e desenvolver os seus negócios. O SAPESC faz um outro papel,importante mas acaba tendo associados demais que,as vezes não tem o formato de uma agência completa.O problema é que, o pela legislação vigente, qualquer razão social pode se filiar ao sindicato. Por isso o SAPESC hoje tem mais de 100 agências em seu quadro de associadas. Se alguém é corretor de rádio, pode ser filiado ao sindicato. Então, falta uma Associação das Agências de Propaganda estruturadas que contribuem para o mercado, que pode ter 20 ou 30 agências filiadas, no máximo. AA – Mas seria a ABAP ou seria uma nova entidade do tipo Associação Catarinense das Agências? RC – Eu acho que pode ser a ABAP, até porque tem um link com a entidade nacional. Caso se conclua não poder ser a ABAP, que se crie uma entidade de elite voltada para o negócio da propaganda, que ampare aquelas empresas que investem, que fazem as coisas direito e isso não significa só as maiores não. Tem alguns profissionais donos de empresas pequenas – eu conheço pelo menos uns 3 ou 4 – que já trabalharam comigo e que são profissionais que atuam de maneira correta. Hoje o nosso negócio, infelizmente, pela alta competitividade e pela proliferação do número de agências, enfrenta diariamente ações predatórias realizadas por essas empresas que acabam se nivelando com as outras agências que têm uma estrutura maior, que têm um trabalho mais profissional, devido a essa legislação já mencionada. Portanto eu acho que existe espaço para uma entidade que proporcione ao mercado algo assim: “Essa agência é filiada à ABAP. Só as melhores agências são filiadas à ABAP”. Então eu torço para que uma liderança nova apareça, até porque eu já dei a minha contribuiçao nas associações do mercado. Podemos e devemos descobrir alguma liderança nova pra empunhar essa bandeira que eu considero extremamente importante para o desenvolvimento do negócio sério da propaganda em Santa Catarina. AA – Recentemente Dalton Pastore, presidente da ABAP, reuniu-se em Florianópolis com um grupo de agências. Você foi a esse encontro? Qual foi o resultado dessa reunião? RC – Eu fui um dos grandes incentivadores para que esse encontro acontecesse. Mas fiquei um pouco decepcionado com aquela reunião. Penso que o Pastore podia ter sido mais estimulante com nossas agências tendo em vista sua posição frente à ABAP, fora de São Paulo e de Brasília, mas isso não aconteceu. Ele é uma pessoa que circula pouco e, na minha opinião, uma entidade precisa de um presidente que tenha mais tempo disponível para fazer coisas em benefício dela. O recado que ele deu naquele encontro foi que tudo dependia de nós. E que o que a gente fizesse seria para nós mesmos. É óbvio que a gente sempre faz as coisas para nós mesmos. Mas se houver um apoio mais explícito de uma entidade como a ABAP as coisas ficam mais facilitadas. AA – E as outras agências também tiveram essa mesma opinião? Você trocou idéia com elas a respeito disso? RC – Com algumas delas. Eu tinha uma expectativa, e até havia combinado previamente com elas, para que obtivéssemos mais estímulo para uma adesão maior de agências em torno da ABAP. Uma das discussões era referente a taxa de participação. Para agências de São Paulo isso é irrelevante, mas para nós é relevante. Dissemos que para haver uma revitalização da nossa entidade deveria ser oferecida uma taxa menor e eles não concordam com isso. Mantiveram os parâmetros da ABAP nacional. Mas considero que acabamos uma fase. Há uma prorrogação de uma gestão que vem sendo conduzida pela Christiane Hufenüssler. E agora há que se pensar num outro grupo. E para isso precisa haver reuniões para se saber se vai pra frente ou não com essa idéia. AA – O que você acha da iniciativa do Senador Pavan, que fez um projeto de lei visando uma nova regulamentação da profissão do publicitário? RC – Eu não conheço esse projeto direito. Eu sempre tenho um medo muito grande porque os políticos de uma maneira geral são desinformados. Eu acho que é sempre é bom você atualizar as leis e nós temos uma legislação falha para o nosso negócio. Mas o meu medo é que em vez de a gente melhorar a gente piore. Porque, infelizmente, no nosso parlamento saem leis com muitas emendas equivocadas e acabam se aproveitando da discussão para fazer alguns “camelos”. Acho que temos que ficar atentos a isso para saber se efetivamente há possibilidade de melhoria. A nossa legislação é uma legislação antiga, merece uma atualização, mas tenho muito medo de que se aproveite dessas brechas para fazer mais restrições a um negócio que recebe restrições dogmáticas de segmentos contrários a propaganda disso ou daquilo e isso é o que me preocupa. Embora eu ache que o publicitário precisa ter uma qualificação e alguma formação para montar uma agência. Hoje em dia qualquer um faz uma agência, todo mundo entende de propaganda. Por essas e por outras é que produzimos alguns “publicitários” que acabam desmoralizando o nosso negócio. AA – Qual sua opinião sobre a possibilidade de sucesso de uma associação entre agências de propaganda? Há possibilidades de fusão de agências aqui em Santa Catarina? RC – Eu acho que existem possibilidades boas. O que há na verdade é uma certa resistência por parte dos donos das agências que temem se desnudarem perante uma possibilidade de fusão. Há hoje um mercado em crise. Não estamos vivendo um bom momento de maneira geral. Tínhamos uma expectativa melhor para este ano, mas a economia está sofrendo um pouco e a troca de experiências pode ser interessante. Não vejo isso funcionando por aqui por falta de convivência das pessoas deste meio. Nós não convivemos com a freqüência que deveríamos para discutir negócios. Por isso é que eu digo: Uma entidade com 20 agências associadas poderia promover essa discussão, fomentar o interesse nessas fusões e com isso proporcionar a convergência dessas empresas e o fortalecimento delas. AA – Você acha necessário, importante ou supérfluo uma agência fora do eixo Rio-São Paulo se associar a uma dessas agências de São Paulo? RC – Não acho supérfluo e nem absolutamente necessário. Acho conveniente. Porque hoje em dia os negócios são globalizados e essas grandes agências têm informações e estrutura que nós não temos. Então é fundamentalmente para isso que você pode ter associação ou ser conveniado com essas empresas, para que você possa ter mais informações e eventualmente desenvolver algum trabalho em conjunto. AA – Como está a relação da Propague com a Thompson? Qual foi o ganho que seus clientes e funcionários tiveram com essa parceria? RC – O nosso relacionamento com a Thompson já está no quarto ano. Foi inaugurado com a intenção da Thompson em ter uma rede nacional. Essa estratégia deles agora refluiu um pouco. Mas para nós tem havido um respaldo da Thompson especialmente na área de informações de mídia, eles têm um banco de dados fantástico uma excelente área de planejamento e têm todas as pesquisas em dia e, que, usamos sempre que precisamos. Em contra-partida contribuímos com eles quando há uma concorrência em jogo, aplicando a nossa expertise, nos mercados de Santa Catarina e no Sul de uma maneira geral, ou respondendo algumas demandas que seus clientes possam ter nessas regiões. É uma relação de convênio operacional. Não chegamos ao ponto de fazer uma associação porque no momento que negociávamos isso houve uma mudança de estratégia da Thompson nesse quesito, em nível nacional. Para nós também foi conveniente continuar neste modelo. AA – A Promo não se beneficia por exemplo de prestar serviço para os clientes dela no Sul? RC – Já aconteceu uma vez, mas poderia acontecer mais. O que há também é uma possibilidade interessante de se fazer uma relação mais próxima do nosso mercado. Com as agências do Paraná e do Rio Grande do Sul, por exemplo, temos mais contatos as vezes do que com a própria Thompson. AA – Houve troca de ações entre a Thompson e a Propague? RC – Não. AA – Com relação à conquista de contas você deu uma virada no começo deste ano, após um período de vacas magras. O mercado percebe essa retomada de crescimento da Propague e especula sobre a retomada da posição de liderança anteriormente ocupada. Conta um pouco sobre esse período recente. RC – A Propague sempre foi uma agência com estrutura grande, uma estrutura para prestação completa de serviços aos seus clientes. Nas idas e vindas de contas de governo a gente acaba tendo algumas perdas e, fundamentalmente, foi isso que aconteceu conosco. Tínhamos uma participação importante do governo há 3 anos e com a ascensão de um outro grupo político no governo nós ficamos sem nenhuma conta. Isso, ao meu ver, é um equívoco porque às vezes as agências são vistas como agências partidárias e não é o caso. A Propague tem 44 anos, já passou por todos os partidos e nesse aspecto tenho que louvar a correção do governo federal no caso da conta da Eletrosul que mesmo com a troca de governo a Propague continuou atendendo a conta após concorrer e vencer duas licitações. Isso significa que o trabalho técnico foi reconhecido e não havia preconceito de ordem política pelo fato de terem sido feitos trabalhos para outras administrações. Quero aproveitar esta oportunidade para dizer que acho errado para os dois lados quando alguns governos ou grupos políticos só escolhem as agências ligadas àquele grupo político. E sempre fui ou beneficiado ou, de certa forma, prejudicado e preferia que houvesse uma situação definida, que as agências pudessem ser entendidas como parceiras de negócios e de trabalhos sem uma vinculação específica a candidato ou alguém. AA – Você não acha errado aquela agência que fez a campanha, transformou um produto em um objeto de desejo, colocou o candidato no palácio, ser preterida na hora da escolha da agência de propaganda? RC – Acho que está errado, mas isso nunca acontece. Também não acho certo é que as outras que prestaram serviços para outros candidatos sejam excluídas. Dessa forma fica caracterizada, evidentemente, uma situação dirigida. Por outro lado é óbvio que uma agência que tenha feito a campanha para um candidato tem todas as condições de saber o pensamento daquele candidato e fazer um bom trabalho para ele no governo. O complicado é a punição às outras porque fizeram campanha do outro candidato. É incompreensível que uma empresa como a Propague, que sempre foi de ponta em Santa Catarina, em três governos do PMDB não tenha conquistado nenhuma conta. AA – Mas ela foi convidada a participar? Concorreu? RC – Concorreu em todas e não ganhou,. E, é evidente, que poderia ter ganho, pois tem toda uma expertise nesse negócio. Não se pretende ser a agência principal do governo, mas é lamentável o fato de ter sido excluída por ter feito a campanha do candidato adversário. Porque eu não sou partidário. O que a Propague fez? Perdeu contas e foi à luta. Havia uma quase certeza de que aquele governo continuaria. Foi uma surpresa geral a derrota do ex-governador Amin. Desta vez foi mais difícil do que nas outras a agência se recuperar. AA – Se não tivesse a “quase certeza” da vitória você teria se preparado diferente? RC – Não, na verdade é o seguinte: A gente sempre acredita na vitória, mas numa situação de risco eminente é evidente que se teria tomado algumas providências preventivas para garantir o negócio numa situação mais adversa. Hoje estou ciente de que você não pode ser uma agência sanfona o tempo inteiro. Na verdade não fizemos a diminuição de pessoal que deveríamos ter feito, por conta de relacionamentos, até de uma postura minha de respeito aos nossos profissionais e, por isso, tivemos dificuldades. AA – Você já recuperou a agência aos níveis desejáveis? RC – Sim, já recuperei. É claro que houve necessidade de reduzir e trocar alguns profissionais para uma competição maior no mercado privado. Estamos com gente mais acostumada a um trabalho forte de prospecção. AA – Quais foram as conquistas nesses dois últimos anos? RC – Conquistamos do ano passado para cá nove clientes. Foram 3 Shoppings (Beiramar Shopping, de Florianópolis, o Shopping Neumarkt, de Blumenau e depois, porque estávamos fazendo o trabalho para o shopping de Blumenau, conquistamos o Shopping Santa Úrsula, de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, que pertence ao mesmo grupo). Conquistamos também duas revendas de automóveis (Santa Fé, a maior revenda Chevrolet do Estado e a Florense, maior revenda Peugeot do Estado – ambas pertencentes ao mesmo grupo. E ganhamos uma conta regional, para a região Sul, de uma cola instantânea, (Pegamil) para quem fizemos um trabalho de rádio no Paraná e no Rio Grande do Sul. Conquistamos também a conta de uma indústria de Jeans, a Brix Jeans, que começou com um trabalho pequeno e que tem crescido a cada ano com participação destacada no Donna Fashion e de outros importantes eventos do segmento. Para dar uma idéia do resultado do nosso trabalho o crescimento da Brix no primeiro ano de nosso relacionamento foi superior a 37%. Neste ano conquistamos a conta do Shopping de Balneário Camboriú cujo projeto inteiro desde a pesquisa, pré-lançamento e lançamento está sendo feito todo pela da Propague, além da conta do Magazine Luiza que atendemos em Santa Catarina em conjunto com a DCS que cuida da conta em Porto Alegre). AA – Com relação ao faturamento? A Propague vai passar os montantes de 2005? RC – Vamos superar 2005, mas não tanto como eu gostaria. O crescimento está sendo menor do que eu imaginava. Acredito que chegaremos a dezembro com 20% de crescimento no faturamento bruto. AA – Se fizéssemos um ranking das agências de Santa Catarina, em qual colocação ficaria a Propague? RC – Eu acho que por faturamento a Propague deve ficar entre as 3 maiores. AA – Quais seriam as colocadas em 1º e 2º lugares? RC – Não tenho informações para precisar sobre isto. Infelizmente tem gente que chuta muito. Mas algumas agências são candidatas ao grupo dos três. Além da Propague, a ONE WG, porque tem a maioria das contas do governo do Estado, a Mercado e a Neovox, podem estar neste patamar. Também não podemos desconsiderar a D’Araújo, a Formula e a Gás, que deve ter sido a agência que mais cresceu no último ano, com a conquista de contas importantes no segmento de moda. AA – Quantos funcionários a Propague tem atualmente? RC – A Propague tem 40 funcionários. AA – Vamos falar um pouco sobre a Promo que é o braço promocional da Propague. RC – Há cinco anos criamos um núcleo de promoção que na época contava com dois funcionários e operava exclusivamente para os nossos clientes. Com o tempo o núcleo foi crescendo e passou a ser demandado por empresas não clientes da Propague. É o caso da Claro e do Angeloni que atendemos até hoje e da Brasil Telecom, que atendemos no passado. Hoje a Promo tem 5 funcionários fixos. Mas neste primeiro semestre atuou com 12 profissionais full time. AA – Quais serviços são prestados pela Promo? RC – Todo tipo de serviço oferecido por uma boa agência de promoção. Planejamento e execução de promoção no PDV e montagem de eventos. Enfim, tudo que envolve promoção estamos fazendo sempre de forma diferente e integrada com o conceito de comunicação das empresas e dos seus produtos e serviços.

AA – Quem administra a Promo?

RC – É a Patrícia Diehl, que é minha filha. Ela se formou aqui na Propague depois de uma experiência no setor de moda. A Promo começou pelas mãos da Guta Bortoluzzi e depois foi conduzida por um especialista em promo Roberto Torres, que trouxemos de São Paulo. E a Patrícia vem desde o começo, tendo aprendido muito com esses dois profissionais. AA – Qual é a formação da Patrícia? RC – Administração de Empresas. AA – Há planos para dar independência à Promo, transformando-a numa empresa? RC – Há uma possibilidade no médio prazo de fazermos uma empresa de promoção independente da agência. AA – Qual é a qualificação dos funcionários da Propague? O que você exige ao contratar um funcionário? RC – A primeira exigência é o currículo e o portfolio do pretendente para avaliarmos sua experiência. Depois de examinarmos devidamente seu portfolio, checamos as referências. Observamos a capacidade criativa e, sobretudo a sua gana e paixão para trabalhar no nosso setor. É importante ter criatividade e iniciativa não só na criação, mas em todos os outros setores da agência. AA – Você exige diploma? RC – Não. AA – Quais são os planos de crescimento para a Propague dentro e fora de Santa Catarina? Você pretende abrir alguma filial em função de seus clientes de Blumenau de Balneário Camboriú? RC – Não. Eu acho que essa questão da expansão de escritórios de agências de propaganda de Florianópolis para outras regiões não funciona. A Propague já teve escritório em Blumenau, em Criciúma e em Joinville e não deu certo. AA – Não deu certo por falta de conta ou pelo seu estilo de estar com a mão na massa? RC – Não, não foi por falta de conta. Você tem um núcleo central e não vale a pena fragmentar os talentos entre outras cidades. Você mantém um núcleo bem estruturado aqui e coloca seu time no campo. Você está no máximo a duas horas de distância de cada lugar desses e hoje com as facilidades da internet você está ligado on line com os clientes. Então não há necessidade de gerar custos com estruturas locais sem contar que você acaba perdendo a sinergia da convivência de um grupo integrado. AA – Então não há planos de expansão para filiais? RC – Na área de promoção, quando houver um desmembramento, poderá acontecer. No momento não achamos que seja útil para os dois negócios. Evidente que esse é um setor que tem uma dinâmica própria, uma certa capilaridade e,por isso, há a possibilidade de você fazer parcerias ou montar negócios fora do Estado. AA – Você e a Propague, durante vários anos, tiveram envolvimentos com campanhas políticas. Essa é a primeira vez nesses vários anos que Propague não tem na carteira contas públicas. Contas de governo são um bom negócio para uma agência de propaganda? RC – Deixa eu fazer uma correção em relação às contas conquistadas no ano passado. Faltou mencionar a conquista da conta da prefeitura de Blumenau. Contas do governo ainda são um bom negócio pelo volume e pela centralização. Eu acho que nem sempre os governos permitem que se faça um bom trabalho. Às vezes têm muitos interlocutores nem sempre preparados que acabam dificultando. E não é só em Santa Catarina, nos outros estados e no governo federal isto também acontece. Raramente você vê uma propaganda boa de governo. Eu mesmo participei como membro da agência que detinha conta no governo federal, de reuniões em Brasília com representantes deste e do governo passado e a pergunta deles era por que vocês não fazem propaganda boa pra nós como fazem para a área privada? AA – Uma boa pergunta. RC – Pois é. E eu uma vez tive a coragem de falar numa conversa com o pessoal da Secom do governo anterior que se as agências eram as mesmas era provável que o problema estivesse no cliente. AA – Não depende da qualidade do produto? RC – Não, não é produto. Depende de ter no cliente gente preparada para te passar boa orientação que te possibilite fazer boa propaganda. Esse é um lado. O outro lado, o financeiro, evidente que é uma fator favorável, é um negócio interessante você fica concentrado num lugar só, no caso em Florianópolis, com um volume de verba interessante e é um bom negócio. O que fica um pouco difícil é essa coisa dos agentes políticos entenderem que você é partidário ou porque fez a campanha de um candidato não pode ter alguma participação de conta nos outros governos. AA – E você sente, pessoalmente, falta de estar envolvido em uma campanha política? Afinal por mais de 30 anos você foi marketeiro do partido, do poder. Não há um certo vazio em você? RC – Olha, eu sempre me identifiquei como um homem de mercado, não como um marketeiro político. Mas desde 1975 eu faço campanhas políticas, e isso me deu alguma expertise nesse negócio. Minha primeira conta pública foi a Prefeitura de Florianópolis, cujo prefeito era o Esperidião Amin. AA – Então você tem alguma história no marketing político? RC – É. Uma campanha política envolve muito o dono da agência, que fica sem tempo pra cuidar dos seus clientes privados. Então, nesse momento, eu estou muito envolvido em cuidar dos meus negócios, dos meus clientes privados que mantiveram a agência durante esse tempo todo. É o que faz com que eu tenha, independente dos 3 períodos que ficamos fora do governo, mantido a agência firme. Então eu não tenho tempo para ficar com saudade desse negócio. Eu tenho que estar focado na sustentação e no crescimento da agência. AA – Você acha que a publicidade catarinense tem qualidade competitiva? Nós produzimos aqui uma propaganda igual a Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, por exemplo? RC – Eu acho que nós temos tudo pra produzir boa propaganda. Se a gente não faz igual a São Paulo, igual a Curitiba ou Porto Alegre não é, necessariamente, pela falta de talento, mas por falta de verbas. Então você vai dizer: “Ah, mas a propaganda pode ter uma boa idéia mesmo com pouca verba”. Tudo bem. Isso parcialmente é verdade mas se você tem a oportunidade de trabalhar com verbas maiores você tem mais possibilidade de fazer propagandas mais interessantes. Às vezes a qualidade de produção de uma idéia é fundamental para que a coisa funcione bem. Eu penso que somos profissionais capacitados para fazer uma propaganda tão boa quanto a desses mercados. Se você observar os prêmios internacionais conquistados pela Propague são na área impressa. Por quê? Porque é difícil você fazer uma produção de boa qualidade para TV que ganhe Cannes ou Nova Iorque. Digo isso para ilustrar a importância que tem você poder contar com recursos. A maioria do material que a gente faz para televisão é VT e não é filme. E isso faz uma razoável diferença no contexto brasileiro e internacional de propaganda. AA – E a qualidade da atual propaganda feita no Brasil, que não faturou nada em Cannes neste ano? RC – Realmente a propaganda brasileira deu uma refluída no último ano. Na minha avaliação em função da busca dos executivos pelos negócios imediatos. Então você acaba tendo dentro dos clientes alguns executivos que têm compromisso com entregar o resultado mais imediato possível e aí está a explicação para a migração da verba de propaganda para promoção. Ao invés de camapnhas institucional para fortalecer as marcas acabam predominando as campanhas de vendas que provocam resultado mais imediato e as agências tem que dançar conforme a musica dos clientes. Os clientes estão cobrando mais resultados ao invés de bancarem a porralouquice inconsequente de alguns criativos preocupados apenas em ganhar prêmios e aparecer na mídia. De vez em a gente vê algumas campanhas brasileiras que são equivocadas. Vou citar uma específica. Durante a copa tinha uma campanha de uma cervejaria dizendo que ia torcer para a Costa do Marfim, que foi eliminada no final na primeira fase da copa. Foi uma brincadeirinha, uma “porralouquice” que não deu em nada. Outra campanha irritante dessa época foi a da Pepsi-Cola, Dá,Dá, Dá…Não dava para agüentar. É só ter um olhar mais crítico para constatar que estamos vivendo uma crise criativa. AA – No caso de Santa Catarina você não acha que pode ser o comodismo com os 20% de comissão que faz com que certos donos de agência não exijam mais de suas equipes, não investem em pesquisa? Nos grandes centros mundiais as agências de propaganda são remuneradas pelo sucesso (Success Fee). Os anunciantes dizem “Se eu crescer 10% tu vais ganhar 30 de comissão. Mas se eu não crescer tu não ganhas nada”. RC – Eu acho que realmente há casos como esse que você sugere. De uns tempos pra cá houve uma redução nas nossas receitas. Os 20% já não são mais 20%. Mas não acho que a coisa seja só por aí. Eu acho que as boas agências de propaganda de Santa Catarina entregam bem o seu produto. As boas agências se envolvem no negócio do cliente, participam do marketing e fazem mais do que propaganda. Fazem promoção que dá para mensurar e utilizam outras ferramentas que não são quantificadas e nem sempre são cobradas dos clientes. Então eu não vejo que haja uma preocupação exclusivamente com mídia, pelo menos nas boas agências. A Propague é parceira de seus clientes. Atualmente temos um cliente, a Portobello, que não tem verba de mídia e nós estamos trabalhando com eles, para atender todas as suas necessidades basicamente com ações em PDV. O que houve foi uma diminuição na rentabilidade das agências e algumas não estão tendo capacidade de investir para oferecer algo mais, para comprar pesquisa, contratar profissionais com outras expertises no marketing, o que poderia contribuir para fazer uma diferença nos serviços prestados. Eu acho que o mercado não está dando oportunidade para que haja esses avanços. Temos excelentes profissionais que já deram muitos resultados para seus clientes. Se hoje não estão dando é porque está faltando um entendimento melhor entre eles. Agora essa história do success fee é muito difícil de ser aplicada. A agência de propaganda faz uma parte do trabalho e sucesso de uma empresa depende de outras variáveis que são incontroláveis para a agência. Acho que o caminho melhor é negociar uma remuneração com parâmetros de mercado para todos os serviços prestados sempre com base numa verba de marketing. AA – Então onde está a origem da perda de qualidade da atual propaganda brasileira? RC – Acho que tem que haver maior cumplicidade entre agência e cliente. Temos que buscar o novo, ousar mais, arriscar mais, sempre com pertinência, e com foco no resultado. O que é diferente da porralouquice criativa inconseqüente. AA – E a qualidade da propaganda catarinense estaria ligada à queda da rentabilidade das agências conforme você falou ou ao conformismo com produção de qualidade mais ou menos? RC – As boas agências, certamente, não estão limitadas a isso. Agora, há uma questão de sobrevivência, que reconheço. Às vezes na falta de condição de se conseguir remunerar os serviços no midia, a maioria acaba não fazendo mais que o necessário para seus clientes. Poucas agências fazem algo mais por seus clientes. A Propague faz. E talvez esteja nessa postura a alta fidelidade dos nossos clientes, mesmo quando atravessamos um período de baixo investimento por parte de alguns deles. AA – Qual é o cliente mais antigo da Propague? RC – É a Bunge. Ela está conosco há 26 anos. Começamos com o marketing institucional regional, passamos para o corporativo, projetos especiais e fazemos hoje a comunicação de food service e de duas linhas de produtos, os óleos salada e família soya que é líder de mercado. Já houve mudança no comando acionário, a direção do marketing mudou diversas vezes e a conta continua conosco. No Grupo Portobello estamos há 23 anos. Começamos com o institucional, passamos para o imobiliário, açúcar, maçã, logística, rede de franquias de revestimento e hoje estamos com a Cerâmica Portobello. Na Eletrosul estamos há 16 anos e passamos por 5 governos. A Souza Cruz tem 15 anos de casa. A Tractebel 8 anos. Sem contar a RBS que faz campanhas importantes conosco desde a sua instalação em SC, há 29 anos. AA – Por que as principais marcas catarinenses mantêm as contas em São Paulo e até em Curitiba? Tem uma agência de Curitiba que ganhou recentemente contas daqui de Santa Catarina. O que está sendo feito aqui por você e por outras ag6encias na tentativa de buscar essas contas? Há algum movimento? RC – Movimentos isolados. Mas já foi muito pior sem dúvida alguma. Nós não tínhamos nenhuma conta grande, importante de Santa Catarina. Hoje, você já tem umas cinco ou seis contas nacionais aqui. Nós temos a Bunge, a Portobello e a Tractebel. A Gás tem a Hering e a Colcci, a D/Araújo tem a Eliane, a Mercado tem a Marisol. AA – E tem uma boa parte de empresas como a Sadia, Perdigão e Tigre que mantém a conta em São Paulo. Pó rque essas empresas não experimentam dar uma parte da conta para as agências bem estruturadas aqui no Estado? RC – O caso da Tigre, eu acho que há uma sinergia muito grande com a Talent, que é uma bela agência e que está há muito tempo cuidando da conta. Então ali eu acho que há um certo medo da mudança. Eles até abriram espaço para uma agência catarinense, a Quadra, que tem uma parte importante da conta. AA – E no caso da Sadia, Perdigão e outras? RC – A Sadia é uma conta de São Paulo, não é uma conta daqui. O marketing da Sadia sempre esteve em São Paulo e mantém a conta na DPZ há mais de 20 anos. Também entregaram uma parte da conta para a W/Brasil, quando o Olivetto criou a agência, saindo da DPZ. A Perdigão também tem seu marketing em São Paulo. AA – E sobre a Eliane, que muda seu escritório para São Paulo e mantêm a conta na D/Araújo? Como você enxerga isso? RC – Isso é pelo conhecimento que a agência tem da empresa e pelo bom trabalho que fez. Isso também aconteceu conosco quando o marketing da Bunge foi transferido para São Paulo, e a conta continuou com a Propague. AA – Você quer dizer que esses casos se devem ao nível de confiança que o cliente tem na agência? RC – Evidente. E o importante é saber que não há preconceito. As empresas de São Paulo não olham além do umbigo deles porque não existe mercado mais importante no Brasil do que São Paulo. Então por que um executivo de marketing vai botar a sua carreira em jogo para experimentar uma empresa de fora de São Paulo? O que temos de fazer é consolidar o conceito de que Florianópolis é um pólo de criatividade e que temos profissionais com expertise para trabalhar com contas nacionais e que estão morando aqui pela qualidade de vida, como é o caso de alguns aqui da Propague. Esse é o movimento que devemos fazer, provar para São Paulo e para as empresas catarinenses de grande porte, que temos grandes talentos aqui em Santa Catarina acostumados a mexer com marketing de empresas nacionais AA – Quantas vezes a Propague ganhou o prêmio Top de Marketing? RC – Foram 20 tops desde a criação do prêmio, inclusive um para a própria agência que foi a primeira agência a conquistar um Top de Marketing em Santa Catarina. AA – Quantos títulos a Propague trouxe para a sua clientela? RC – A Propague já ultrapassou a marca de 1000 prêmios regionais, nacionais e internacionais. Nesta longa lista, constam diversos prêmios Colunistas de Santa Catarina, Colunistas Nacionais, Prêmios Catarina de Propaganda, Prêmio Jornal do Brasil, Prêmio Abril, Festival de Gramado, Profissionais do Ano da Rede Globo e 20 Tops de Marketing da ADVB. Nos últimos 5 anos a agência tem participado somente de premiações internacionais. Conquistou cinco prêmios em importantes Festivais Mundiais como, duas medalhas de bronze e uma de prata no Festival Internacional de Nova Iorque, além de ter sido finalista do Festival Internacional de Publicidade de Londres. N. E. Para saber mais sobre as premiações da Propague e seus clientes clique aqui AA – E nos últimos 5 anos a Propague não teve nenhuma premiação regional. Por quê? RC – Porque não nos inscrevemos em prêmios regionais apenas nos prêmios internacionais. AA – Por qual motivo? RC – Houve uma razão que me fez abandonar a participação nos prêmios regionais. Sempre fomos favoráveis aos prêmios, festivais e demais ações que tivessem por finalidade valorizar as boas idéias e os bons profissionais do mercado. O último do qual participamos, foi o do primeiro ano do Clube de Criação onde a Propague e a Neovox foram as agências que mais prêmios ganharam. Mas há alguns anos uma agência entrou “agressivamente” num determinado Prêmio, inscreveu oito trabalhos e premiou todos. Isso deixou o mercado indignado a ponto de ter havido um boicote na entrega do prêmio com ausência total das agências. E isso gerou uma desconfiança não somente com relação àquele Prêmio, mas em relação à maioria. Desde aquela época a Propague não concorre mais nesses prêmios. AA – Qual sua opinião sobre o CENP? Está funcionando em Santa Catarina? O que mudou aqui na Propague? Ela é certificada pelo CENP? RC – O CENP foi pra mim uma grande decepção. Não sei quantas agências de Santa Catarina têm o certificado do CENP, mas deve passar de 180. Mas aqui em Santa Catarina, num trabalho do Sindicato acabaram identificando pelo menos umas 25 agências que não tinham nenhuma condição de ser agência de propaganda, quanto mais entrar no CENP. E o CENP, centralizado em São Paulo, achava que aquelas agências poderiam ser certificadas. Então, primeiro: há um grande erro, um grande equívoco, de manter um poder centralizado em São Paulo sem poder fiscalizar o Brasil inteiro. Por isso tem uma grande quantidade de agências que não poderiam obter o certificado, mas o tem. E o pessoal do CENP alega que Santa Catarina, ou os Estados em geral, não teriam isenção para definir quais agências poderiam ou não entrar no CENP, pois poderia haver algumas vendetas locais que poderiam impedir que, legitimamente, alguma agência participasse do CENP. AA – Não se poderia pensar numa forma do CENP contar com apoio local de alguma entidade para exercer essa fiscalização? RC – Este é o maior desafio para o CENP. Encontrar uma forma de fiscalizar e obter dados para definir quem pode e quem não pode fazer parte da entidade. O outro desafio é com relação ao resultado da fiscalização, pois ele não consegue apurar quem não está nas regras. É do conhecimento do mercado que tem algumas agência importantes, inclusive de São Paulo, que estão fora das regras e continuam certificadas pelo CENP. Diante dessa constatação de que há agências com grande musculatura operando fora das regras, mas com certificação, fica difícil para o CENP fazer exclusão de forma eficiente. Por isso acho que o CENP não está cumprindo inteiramente com o seu papel. AA – Para encerrar a nossa conversa queria pedir que enviasse um recado para os estudantes que pretendem entrar na profissão e para os pais que estão querendo colocar seus filhos para estudar propaganda. RC – Primeiro, é preciso estudar, ter boa formação técnica . É preciso entender que o nosso negócio não é aquela coisa glamourosa só dos criativos como Nizan, Olivetto, Marcelo Serpa, Alexandre Gama, Fábio Fernandes e outros coleguinhas famosos. Propaganda é 99% transpiração e 1% de inspiração. Os publicitários, juntamente com os jornalistas, são aqueles que mais sofrem problemas cardíacos em qualquer lugar do mundo. É pressão 24 horas. Todo dia é preciso entregar uma boa idéia para “veicular na terça-feira”. O segundo ponto é que a propaganda precisa entregar resultados. Cada vez mais a profissão é cobrada por isso. Só o brilho criativo não adianta. Até pode funcionar por um tempo, mas não é isso que o cliente quer da agência, não é isso que mantém uma conta dentro da agência. A agência precisa ser criativa em todos os departamentos, não só na criação. E, para vencer nesse negócio, é preciso muito mais do que talento. É preciso ter gana, vontade, comprometimento e um super envolvimento com os negócios dos clientes. É preciso saber tudo, estar informado, chegar na frente, ousar, arriscar, sair da área de conforto. Caso contrário não se chega muito longe em propaganda. AA – Qual recado você manda para aqueles que acabaram de sair da faculdade e estão abrindo seu próprio negócio? RC – O meu recado para esse pessoal é que também cuidem da gestão. Tenham cuidado com a gestão, com a administração e não somente olhem o lado glamouroso da propaganda. É preciso entregar um produto diferenciado, mas tem que ter uma capacidade de gestão que faça com que ela seja uma empresa sólida. Como a agência vai mexer com o dinheiro do cliente se não souber cuidar do seu próprio dinheiro…? Se não souber, fecha na primeira crise. AA – Um recado seu para os anunciantes. RC – Sejam parceiros das boas agências. Arrisquem junto com suas agências. Façam a parceria ganha-ganha, não a parceria perde-ganha. Invistam mais no marketing,.Não fiquem apenas no resultado imediato. Tenham um diálogo franco com a sua agência. Se preocupem em gerar bons briefings, pois o bom trabalho de propaganda começa dentro do cliente que é parceiro dos resultados e dos prêmios obtidos pelas agências. Um bom briefing gera uma boa comunicação, se a agência for boa. Um briefing dúbio, equivocado, não leva a resultado algum. Recomendo mais espírito de parceria entre clientes e agências, pois nesse nosso negócio a confiança é tudo. AA – Qual o seu recado para veículos e fornecedores da propaganda? RC – Os fornecedores sabem que estão num mercado cada vez mais competitivo. Cada vez mais se está exigindo preço. Os fornecedores que estão em contato com as agências precisam criar uma relação positiva com elas. É necessário cumprir prazos e entregar trabalhos de qualidade impecável com preços cada vez menores. Enfim, também nesta relação a confiança é fundamental. Outro aspecto dessa relação é a busca por novidades. Cada vez mais há uma demanda nas agências por novidades que possam fazer a diferença para os clientes. AA – E para os veículos, qual o recado? RC – Os principais veículos já estão numa relação de parceria com as agências e não de concorrência com elas. Mas ainda tem gente em veículo que, para mostrar resultados, combinam um negócio com a agência e, às vezes, fecham diretamente com o cliente por preço mais baixo. Se isso não acabar não vai haver uma evolução verdadeira dessa relação. Os veículos têm que ser prestadores de serviços para agências, nunca como competidores. Não se deve mais dar espaço para o tipo “vou fazer direto porque eu não tenho que pagar a comissão da agência”. Isso tem que acabar definitivamente em todos os tipos de veículos. AA – Essa prática não é por falta de empenho da agência em determinados projetos dos veículos? RC – Ainda deve haver agências que não se empenham em descobrir os reais benefícios dos projetos que chegam às suas mãos. Mas também existem projetos exclusivamente fatureiros e que as agências têm o dever de fazer uma boa triagem antes de apresentar para os seus clientes. E não se pode admitir que veículos passem por cima das agências. Isso é o fim da picada. Enquanto não evoluirmos totalmente nessa relação vai continuar uma competição entre aqueles que deveriam ser parceiros no negócio da propaganda. Também nesse item a parceria deve acontecer com respeito considerando a pertinência dos projetos. AA – E o recado para seus concorrentes. RC – O negócio é um todo e não só o negócio dele. Se ele faz qualquer negócio vai acabar prejudicando não apenas o mercado, mas ele mesmo. Tem que haver uma relação ética nos negócios por mais desacreditada que essa palavra tenha sido ultimamente, no contexto nacional até pela inserção do negócio da publicidade nesse episódio do pseudo publicitário, Marcos Valério. Não se pode competir passando pelo pescoço do seu concorrente, pois isso é tiro no pé. Temos que ter um mínimo de parâmetro para uma competição de alto nível, do ponto de vista de custo e de propostas éticas. Assim, cada um com seu elo de confiança, com seu envolvimento, vai poder manter e conquistar clientes. AA – O que é para Roberto Costa? Sucesso: Sucesso é trabalho persistente, com garra, com gana e com comprometimento. Ética: Ética é você fazer tudo que é possível para ganhar de seu concorrente mas todos os dias poder deitar a cabeça no travesseiro e dormir bem. Amigo: Amigo é aquela pessoa que você conta em qualquer circunstância da vida. Ídolo: Winston Churchil Competição: Competição é aquilo que te faz vivo, que dá eficiência. Quanto mais competição mais eficiente você é. Competência: Competência é entregar um serviço que vai agregar valor à marca do seu cliente. Modelo de empresa do setor da propaganda: Eu tenho algumas agências que são bench marketing pra mim. A DPZ foi a primeira. Empresa brasileira que você admira: Embraer. Profissional que aprecia: Júlio Ribeiro. Profissional que você não admira: Eu não admiro o publicitário exibicionista. Lealdade: É ter tanta confiança em uma pessoa ao ponto de entregar a chave da sua casa ou da sua empresa para ela. Dinheiro: É um meio de você ter uma boa qualidade de vida. Produtividade: É tudo aquilo que você faz melhor em menos tempo. Criatividade: É fazer diferente. Realização: É você ter feito durante a tua vida uma história que possa servir de exemplo. Respeito: É o que todo ser humano deve ter pelos outros, independente de posição social ou de poder. Viver: É ter a possibilidade de compartilhar situações plenas de trabalho, de lazer fazendo isso com prazer. É fazer as coisas com prazer. Ócio: É preciso ter tempo para ócio, para poder recarregar as baterias. Ser publicitário: “Ser publicitário é poder fazer um trabalho relevante para o cliente veicular na terça-feira”. Esta é uma frase famosa de David Ogilvy que me inspira sempre. AAqui – Sua última mensagem nesta entrevista. Roberto Costa – Você precisa trabalhar de uma forma absolutamente obstinada para conseguir resultados, mas de uma maneira que você consiga conquistar a confiança do seu cliente. Se eu tivesse que escolher uma palavra para definir o que é propaganda, esta seria confiança. Se você consegue a confiança e consegue mantê-la por muito tempo, fica realizado. Então o recado que eu tenho para as pessoas de uma maneira geral é que façam de tudo para conquistar a confiança de seus amigos, dos seus familiares, dos seus clientes e da sociedade como um todo. Você precisa ser um cara confiável, porque se você não é confiável você não tem nada. TOP DE MARKETING CONQUISTADOS PELOS CLIENTES DA PROPAGUE Ano / Empresas 1986 – Propague Serviços de Comunicação Ltda – Empresas Porto Bello 1987 – Mecril Milano – Reunidas 1988 – Ceval Agro Industrial – Souza Cruz Depto. de Fumo 1989 – Dicave – Gartner Dist. Catarinense de Veículos Ltda – Protur – Fundação Pró-Turismo De Fpolis 1991 – Zero Hora Editora Jornalistica 1994 – BESC S/A – Central de Telemarketing – Souza Cruz S.A. 1996 – Café Damasco 1999 – Fcdl / Sc 2000 – Federação Catarinense Tênis 2001 – Portobello S.A 2004 – Telet S.A. (Claro) 2005 – Almeida Junior


SOBRE AS PREMIAÇÕES DA PROPAGUE NA ÁREA DE PROPAGANDA A Propague está próxima da marca de 1000 prêmios regionais, nacionais e internacionais. Nesta longa lista, constam diversos prêmios Colunistas de Santa Catarina, Colunistas Nacionais, Prêmios Catarina de Propaganda, Prêmio Jornal do Brasil, Prêmio Abril, Festival de Gramado, Profissionais do Ano da Rede Globo e 20 Tops de Marketing da ADVB para clientes e um para própria agência. Nos últimos 5 anos a agência tem participado somente de premiações internacionais. Conquistou cinco prêmios em importantes Festivais Mundiais como, duas medalhas de bronze e uma de prata no Festival Internacional de Nova Iorque, além de ter sido finalista do Festival Internacional de Publicidade de Londres.  


Roberto, 08-08-06 – Fantástica entrevista, li tudo! Me emocionou o relato dos primórdios da agência. Nunca tinha visto uma entrevista desta natureza em SC. Super parabéns, Francisco Gorgônio Representante Editora Abril – Florianópolis . SC Senhor Editor 08-08-06 – A Propague fez – e faz – a história da propaganda. Em outras palavras, a mais de quarenta anos é desejada enquanto “escola” e muito ambicionada enquanto oportunidade para os melhores profissionais de propaganda do país. Isto sim é que condição privilegiada e, claro, digna de muita admiração! Fabíola Ferreira Atendimento – LUQ Comunicação – Porto Alegre-RS Caro Roberto, 08-08-06 – Sem dúvida um presente valioso. Além, de tudo a entrevista é um documento para a história da propaganda brasileira. Vc continua cada vez melhor e todos nós ganhamos com isso. A esta altura sobem o Ibope do Emílio e todos os que depois dele também souberam ver o inesgotável potencial que vc tem. Beijo bem grande extensivo à Lena e às meninas. Antunes Severo Caros Ouvintes Caro Jailson, 08-08-0- Você conseguiu praticamente um milagre: fazer o Roberto Costa falar quase tudo. Claro, do jeito dele. Conhecendo o Roberto há tantos anos e tendo trabalhado ao seu lado, creio que essa entrevista é histórica. Parabéns Roberto por ter se revelado quase que de corpo inteiro. Mostrando, sobretudo, que a história da Publicidade Catarinense não poderá ser contada sem a Propague, sem você. Parabéns Jadilson, por ter se atrevido a esse mergulho tão profundo. Chico Socorro FS Consultoria Caro Editor, 07-08-06 – Excelente a entrevista do Roberto Costa ao Acontecendoaqui. Instigante, informativa, esclarecedora, provocativa. Além do mais, essa história do bar underground na garagem do DCE, se você imaginar a cena, é hilária… Parabéns!! Déborah Almada Estratégia Comunicação

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