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Quais os anúncios de Neymar?
04 de Dezembro de 2012

Quais os anúncios de Neymar?

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Você, leitor, consegue se lembrar das publicidades amolentadas por Neymar? Ah, da Panasonic? Não? Então do Santander? Quem sabe do chiclete? E do Ronaldinho? Nenhuma? Mas tem visto ele em publicidade, é claro! Nem do genérico, em que ele, a mãe e os filhos formam a família genérica? A propósito, você, doente, à procura de remédios mais em conta, se lembraria do genérico Ronaldinho? Incrível é a decoreba da mãe dele: “aqui em casa só tomamos genérico”, como se remédio fosse Coca Cola.

Fernanda Lima, aquela magrinha, ajeitadinha que faz programa (na TV) sobre sexo, aparece todo instante em publicidades para quatro marcas diferentes. Sinceramente, não me lembro de nenhuma. Só da Fernandinha com seu sorriso equivocado. Lembrei-me de uma: carros a preços acessíveis.

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Poxa, olha só: Ronaldinho dos genéricos; Neymar de banco e Fernandinha de carros. Você vê alguma similitude entre jogadores e artista e os produtos?

Existe alguma pesquisa comprovando que jogador ou artista vende produtos? Mais que uma boa e criativa campanha? Vivemos entre a zona de conforto da criação de agências – artistas e jogadores como escudos – e a moringa aguada de criadores. Por acaso, você leitor, já viu a publicidade da Schin? Sim, sim, aquela em que quatro rapazes dizem que daqui ninguém sai mais e se transformam em caveiras? Pode me chamar de obtuso, mas vou lhe perguntar: o que aquilo tem a ver com cerveja? Sinceramente, você se sentiria mais motivado a beber Schin ao ver aquele anúncio?

O mais preocupante é que há gente em empresas aprovando este tipo de proposta de anúncio. Ou será que elas, as empresas, dão aval para as agências criarem, fazerem o plano de mídia e depois apresentarem as contas?

Entendo, diante do que se pode chamar de “farofada publicitária”, que os times de criação se fecham entre quatro paredes e não querem saber o que está se passando lá fora. O “orgasmo publicitário” passa a ser uma aposta no escuro.

Será que o genérico está vendendo mais com Ronaldinho? Aposto que numa pesquisa para indagar as pessoas sobre o nome do genérico, 95% diriam que não sabem e 45% citariam a marca Ronaldinho. E está vendendo mais? Ou a população habituou-se a comprar genérico pelo favorecimento dos preços?

Como diria o meu amigo Elóy Simões, a criação das agências de publicidade está em crise de identidade. Parece que não está havendo esforço no sentido de inovar, buscar coisa nova, a partir de uma realidade que, embora ainda nebulosa,  precisa ser encarada com respeito, pois as novas e velhas gerações mudaram seus hábitos e costumes a partir das facilidades tecnológicas. Sente-se que as agências estão preocupadas em abraçar o mundo e acham que a cara de um artista ou de um jogador é capaz de atrair o telespectador, ouvinte ou leitor. Ao ouvir a voz de Ronaldinho, da sua mãe decoreba e dos filhos fico a rir à toa, por achar o anúncio simplesmente ridículo. Não quero dizer que Ronaldinho não possa divulgar genérico, mas da forma como está colocado, o Ronaldinho toma genérico sempre e recomenda que todos façam isso. Absurdo!

A Abap deveria fazer um concurso para escolher o melhor anúncio, com a seguinte exigência: 90% o peso da criação; 10% de imagem que não seja de jogador ou de artista. E, claro, que culmine com um bom plano de mídia e ótimos resultados para o anunciante.

Aí, camarada, a cobra fumaria cachimbo, com certeza!

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