por Elza Galdino*
Não pense em uma girafa azul.
Agora, não pense em uma Kombi amarela.
Conseguiu?
Pois é!
Teorias dizem que nosso cérebro não reconhece a palavra “não”. Ou, simplesmente não a “obedece”.
Assim, nossos textos deveriam ser elaborados atentando-se para esse fato.
Vai daí que convites exortativos (sim, estou usando a palavra propositadamente) do tipo “NÃO PERCA!”, que juntam duas palavras de conotação negativa, têm menos probabilidade de serem atendidos.
O que se quer dizer é “VENHA!”. Então, por que não dizemos?
Hábito, talvez.
Ouço um anúncio que pretende elogiar um produto e o foco do texto é… arrependimento. Não é a intenção do anunciante, acredito, que alguém se arrependa de contratá-lo.
E, provavelmente, a intenção do criativo tenha sido somente causar um certo suspense.
Mas com o tempo cada vez mais limitado, e a capacidade de concentração cada vez mais reduzida, seria o caso de ir direto ao ponto e dizer “você vai economizar comprando nosso produto e poderá usar esse dinheiro em outros projetos”.
A linguagem direta parece pouco afetuosa, mas evita interpretações dúbias e muitos desentendimentos.
Assim, o slogan “Se beber, não dirija”, por exemplo, poderia ser “Se beber, pegue um táxi” ou, atualizando, “Se beber, chame o Uber”.
Juro que “Não vou gastar demais” ou que “Vou controlar meus gastos”?
Quantas pessoas conhecemos que começam qualquer resposta com um “NÃO”. É hábito.
Então a ideia é: Você quer? Você vai? Você tem? Que a resposta, por favor, seja: Sim, eu quero. Sim, eu vou. Sim, eu tenho. E que o “NÃO” sinalize, mesmo, que não quer, não vai, não tem.
A Programação Neurolinguística (PNL) afirma que o “não” é uma abstração, e que o cérebro se fixa no que vem após a palavrinha. E que a linguagem negativa provoca o que se quer evitar.
Para melhorar a vida, então, obtendo os resultados que desejamos podemos, por exemplo, trocar o “não esquecer”, por “lembrar”; o “não entre em pânico”, por “mantenha a calma”.
É experimentar e comprovar.
Quem aí NÃO acredita?
*Elza Galdino – Escritora, advogada, palestrante – [email protected]
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