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Malandros, otários e a propaganda, por André Balaban
07 de Dezembro de 2021

Malandros, otários e a propaganda, por André Balaban

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O golpe do bilhete premiado é um dos golpes mais antigos aplicados no Brasil, existem registros desde 1965. O estelionatário se diz em posse de um bilhete premiado da loteria, mas que não pode ou não consegue retirar o prêmio. Em alguns casos, as vítimas encontram o golpista supostamente chorando ou se lamentando por não poder retirar o prêmio. Além de pedir ajuda, ele promete uma grande quantia de dinheiro fácil e rápido, este gatilho faz com que muitas vítimas acabem mordendo a isca. Após aceitar ajudar a receber o suposto prêmio, é exigido pelo golpista algo para servir de garantia: dinheiro, joias ou qualquer outro bem de valor. Depois de entregar essa garantia, o criminoso dará um jeito de fugir e levar consigo o que foi entregue.]

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Todos os dias também saem de casa um malandro e um otário, e quando eles se encontram, dá match! O golpe do bilhete só acontece por uma razão básica: a vítima pensa que vai levar vantagem sobre o golpista, que é mais esperta que ele.

Nem precisa pesquisar a fundo, para ver os mais variados “golpes” que somos expostos diariamente no nosso mundo da comunicação. Desde o já caricato coach-de-qualquer-coisa, aos gurus do marketing digital, as agências replicadoras de fórmulas mágicas escaláveis, ao aplicativo de inteligência artificial que faz textos sozinhos, a promessa de resultados instantâneos, aos modismos de ocasião que você não pode ficar de fora. (quem não se lembra da Realidade Aumentada e do ClubHouse)

E todo dia tem gente acreditando, se atirando e caindo espetacularmente nessas armadilhas. Até se darem conta do prejuízo (e muitas nem se dão), desperdiçaram energia, tempo, recursos e pessoas. É incrível que ainda seja necessário escrever artigos para dizer o óbvio: na comunicação de marcas não existe milagre.

Se as empresas apenas seguissem os conceitos básicos do marketing já resolveriam 80% de seus problemas de comunicação. E os melhores deles são muito simples. Por exemplo, os “4Ps” de marketing criados por Neil Borden estão à disposição desde 1950! “Consistência e Constância” traz conceitos filosóficos de Aristóteles. “Estratégia e Criatividade” são caminhos naturais para o desenvolvimento de qualquer campanha. Mas, o malandro prefere o canto da sereia, o pulo do gato, a jogada de mestre, o negócio da china…e todas essas outras frases-chavão do século passado.

Vamos aproveitar aquelas promessas de ano novo para repetirmos: em 2002 vou deixar de ser malandro pra não virar otário. E que “São Kotler” ilumine o caminho de todos nós.

André Balaban
Crative Strategist em Lovers Creativity & Co.

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