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Liderar é amar.
06 de Novembro de 2014

Liderar é amar.

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Para o bem ou para o mal, sou como sou porque não tive chefes, tive líderes. Aliás, não é bem verdade. Tive um chefe, mas durou pouco. Depois que você tem líderes como eu tive, chefe se torna uma coisa meio surrealista. Ele fala, você ouve, mas não entende. Nada mais letal para um relação do que isso. Nada distancia mais. É o pior fim. É o fim no começo.

 

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Os meus líderes – Francesc Petit, José Zaragoza, Roberto Duailibi e Washington Olivetto – não eram necessariamente pessoas afáveis. O Petit, pelo menos, não era. Era o capeta. O Zara, hoje é um amor, mas já foi bem esnobezinho; o Roberto sempre foi cavalheiro; o Washington, brother.

 

O que os quatro tinham em comum? Passar o tempo todo dando a sensação de que escolher você para trabalhar com eles foi a decisão certa. Se o seu líder faz você se sentir assim, morra com ele. Morra por ele.

 

Como isso funciona? Funciona na base do afeto, é essencialmente sentimento, feito amor, aquele amor que mantém as pessoas juntas.

 

Preste atenção em alguns sintomas infalíveis na qualidade da liderança. Bom humor é o principal, o maior deles, o mais importante. Pessoas mal humoradas gritam ao mundo: fiz más escolhas! É isso, é como no casamento. Más escolhas levam à infelicidade, a um permanente estado de frustração.

 

O líder é feliz porque é amante da sua equipe. Amante que sacia e é saciado o tempo todo em seu desejo de redenção por conta das suas escolhas. Vive um permanente tesão existencial.

 

Outra coisa: líder delega, confia, aposta, entrega a alma, arrisca a vida. E, desse jeito, demonstra na prática, a certeza de que você foi a sua melhor escolha.

 

Líder não é capataz, não é fiscal, não é governanta. Pelo contrário, líder se sujeita: vem cá, estou saindo de viagem, faz isso e manda. Que medo! Mando sem você ver? É isso, líder sufoca de tanta confiança, como a mãe sufoca de tanto carinho.

 

Não é difícil, assim, compreender porque as pessoas crescem, evoluem e amadurecem mais rápido, sob boas lideranças. Enquanto chefes valorizam regras a serem incorporadas de fora para dentro, líderes estabelecem cumplicidades entre características inatas. Ou seja, líderes assumem que contratar é incorporar o novo, enquanto chefes tratam contratações como espaços a serem preenchidos a partir de si.

 

Chefes dão noventa dias para o novo se converter em velho; líderes se convertem no novo, imediatamente, a cada contratação.

 

Chefes ficam bravos, líderes ficam indignados.

 

Nas vezes em que meus líderes me chamaram para uma bronca, a conversa nunca era “venho observando as suas atitudes…” Mas: “ficou louco, caralho?!” Pura solidariedade, puro apoio, pura segurança de que você não vai embora. Então, você chora e se alivia.  E entende porque ele está ali e você também.

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