14-01-07 – A receita recorde de US$ 5,96 bilhões com as exportações não foi suficiente para manter o saldo da balança comercial de Santa Catarina em crescimento no ano passado. O superávit recuou para US$ 2,49 bilhões, o menor valor desde 2002. ?? a primeira vez desde 1998 que o saldo anual da balança comercial catarinense não aumenta.
As exportações tiveram incremento de 6,83% de janeiro a dezembro de 2006. Alguns itens tradicionais da pauta catarinense puxaram esse índice, notadamente as vendas de motores elétricos, que cresceram 31%, autopeças (31%) e motocompressores (12,7%). Outros perderam mercado em função da política cambial, como é o caso do setor moveleiro, que enfrentou redução de 16,8% nas vendas externas.
A indústria de alimentos, a líder em exportações de Santa Catarina, teve reveses provocados por problemas sanitários fora das fronteiras do Estado. O temor mundial pela gripe aviária reduziu o consumo mundial de frango, fazendo com que as exportações do principal produto da pauta catarinense recuassem 15% no ano. Na carne suína a queda foi ainda mais expressiva, provocada pelo anúncio de descoberta de focos de aftosa no Paraná. O embargo imposto pela maior nação compradora, a Rússia, provocou queda de 38,4% e crise na atividade.
Outro fator que deve ser levado em conta ao se analisar os números dos embarques catarinenses é o expressivo aumento das exportações de fumo. As vendas cresceram 117,3% e atingiram US$ 454,3 milhões, tornando o produto o segundo mais exportado por Santa Catarina. O crescimento deve-se à instalação no Estado de empresas beneficiadoras de tabaco atraídas por incentivos fiscais.
Mas se as exportações enfrentaram percalços e cresceram abaixo da média nacional de 16,2%, com as importações ocorreu o inverso. Elas deram um salto de 58,6% no ano, alcançando US$ 3,47 bilhões, enquanto a média brasileira registrou crescimento de 24,1%. Parte desse crescimento também pode ser creditado aos programas governamentais de incentivos fiscais, que levaram empresas de outros estados a importar pelos portos catarinenses.
O maior volume de importações foi concentrado em insumos para a indústria, como derivados de petróleo, cobre e fios de poliéster. Porém, também foi registrado aumento de importação de trigo (213%) e milho (100%). Houve ainda elevação de 166% das compras de produtos manufaturados chineses, especialmente eletroeletrônicos.
???A desvalorização do dólar reduz o custo das importações e, ao mesmo tempo, dificulta as exportações, o que afeta a produção interna, principalmente porque o mercado interno cresceu pouco em 2006 e o crescimento verificado no consumo das famílias foi atendido pelas importações???, diz o primeiro vice-presidente da FIESC, Glauco José Côrte. ???Menos mal que o crescimento das importações, no caso de SC, está fortemente atrelado ao suprimento de insumos, utilizados pela indústria para reduzir custos e agregar valor à sua produção.???
Os números de exportação de dezembro fecharam em queda de 5,43%, para US$ 519,1 milhões ante o mês anterior. Em relação a igual mês em 2005, houve recuo de 0,76%.
Fonte: Fiesc
