07/04/08
Preservação ambiental chega ao esporte
A consciência de preservação ambiental também chegou ao esporte. Enquanto as grandes competições esportivas exigem megaconstruções, produzem grandes quantidades de lixo e afetam o meio ambiente, a prática de atividades ao ar livre pode ser igualmente danosa: trilhas devastadas, equipamentos deixados nas áreas livres como o Monte Everest, na Ásia, onde centenas de tubos de oxigênio são abandonados regularmente pelos montanhistas após a escalada.
Para vencer este dilema, só mesmo uma nova consciência local e global. Este foi o tema central da palestra de Michael Boyes, professor de Educação ao Ar Livre da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, uma das maiores autoridades mundiais em esporte de aventura. Ele falou na sexta-feira (4) a centenas de participantes do 7º Fórum Internacional de Esportes, promovido pela Unesporte até amanhã no CentroSul, em Florianópolis.
Grande defensor da aventura, Boyes citou algumas vantagens desta prática. Enquanto o esporte tradicional é competitivo, organizado e com muitas regras, focado na vitória, o esporte de aventura estaria sintonizado com a natureza, permitindo a integração familiar e a convivência. Mas aí também mora o perigo. Nas regiões nórdicas, por exemplo, os praticantes de esqui precisam buscar desafios cada vez mais arriscados diante do degelo constante da neve provocado pelo aquecimento global. Já a poluição do ar em algumas regiões do planeta dificulta a prática da corrida e das caminhadas.
Isto é, todas as variáveis estão interligadas quando se trata de uso do meio ambiente de forma indiscriminada. Por isso, Boyes defende o que chama de Ecojustiça, uma nova visão que desafia a dominação econômica, o consumismo moderno e a lógica capitalista, baseada nas regras de mercado. Isto é, tanto os esportes de grandes competições como aqueles de aventura devem respeitar os espaços ao ar livre. Ele citou alguns bons exemplos como a utilização de energia solar e reaproveitamento da água utilizada nas Olimpíadas de Sidney, na Austrália. Também acentuou que em outras instâncias cresce uma nova consciência, a exemplo da comunidade escolar.
Na Nova Zelândia, país do Sudoeste Pacífico com apenas 3 milhões e 800 mil habitantes, as escolas incentivam cada vez mais a atividade física junto à natureza dentro do próprio currículo escolar. Pesquisas realizadas junto a grupos que realizam estas tarefas regularmente comprovaram melhoria na aprendizagem e aumento da visão periférica.
Ao final da palestra, ele comemorou, junto a uma atenta platéia de centenas de participantes, entre estudantes, professores e gestores de esporte, o recente aumento de recursos para os esportes de aventura por parte do Governo Neo-Zelandês, que “assim como o Governo de outros países precisa ser sensibilizado para não focar sua atenção apenas nos esportes que dão medalhas nas grandes competições internacionais”.
