No artigo anterior (acesse aqui), contei do começo dos meus 40 anos de profissão.
Hoje vou tentar ser mais útil: falar de algumas coisas que aprendi.
Aprendi, por exemplo, que se perde um tempo enorme para extrair a pura verdade (se é que ela existe) de tudo o que se ouve no ambiente corporativo. As dissimulações e as tentativas de manipulação costumam ter sempre o maior peso nas sustentações retóricas.
Por conta disso, todo líder previdente tem que, necessariamente, ocupar-se dessa missão custosa, que é a filtragem de tudo o que lhe é exposto. Não com o objetivo de restabelecer a verdade – o que resultaria num permanente conflito -, mas apenas para não ser enganado com relação às perspectivas que lhe são apresentadas e fazer a gestão com um mínimo de segurança.
No final das contas, a única coisa certa é que, em tempos difíceis, o humor dos números é quem manda, não importa quão bonito o quadro que se tenha pintado para o chefe.
A chamada meritocracia, sobremaneira quando estabelecida como padrão de reconhecimento em ambientes medíocres, provoca uma distorção tremendamente catastrófica no comportamento dos profissionais. As pessoas param de ater-se aos fatos para se dedicar às versões. Seja com o objetivo de crescer, seja apenas para sobreviver. E, assim, toda a comunicação na empresa acontece obedecendo a uma lógica paralela à verdade, às vezes valendo-se dela para “provar” alguma tese imaginária.
Significa dizer que, de um modo geral, ninguém aposta numa atitude positivamente transformadora na história da empresa, mesmo ao custo de ser mal compreendido ou, inclusive, levar à própria demissão do agente. Ao contrário, as circunstâncias induzem à construção de “cases” com presunção meritória sobre meras obrigações cotidianas, algumas vezes apenas invencionices inócuas.
Há líderes que se conformam em viver nesse faz de conta, mesmo conscientes de que ocupam seu tempo tratando de fantasias.
Se eu tivesse que fazer uma recomendação a alguém que esteja procurando um ambiente que ofereça perspectivas de crescimento futuro, eu diria apenas: procure saber o que o dono do negócio quer da vida.
Eu disse da vida, não do negócio.
