ARTIGO | O modelo é não ter modelo! por Valdirene Teixeira

13 de Maio de 2019

O momento é de união, compartilhamento e parceria.

Na condição de executiva de anunciante que passou por processos de licitação de agências, que trabalhou com bons atendimentos e com atendimentos não tão bons assim, que aprovou e desaprovou centenas de campanhas ao longo de sua trajetória profissional, participei nos últimos dias 7 e 8 de maio, do ProXXIma, evento anual realizado pelo portal Meio e Mensagem, para o mercado publicitário brasileiro, no Golden Hall WTC, em São Paulo.

Foram dois dias produtivos, de muito networking e conteúdo, divididos em palco principal e salas de apoio. Nomes como Brian Solis, Fernando Musa, Hugo Rodrigues, Eco Moliterno, Carolina Angarita, Wesley ter Haar, Maísa, entre muitos, consolidaram a curadoria de conteúdo do evento, e elevaram o nível da discussão sobre pessoas, tecnologia, negócios, marcas, criatividade e inovação, para a tríade agência, veículo e anunciante. 

Pyr Marcondes, como anfitrião, conduziu e costurou muito bem as discussões entre uma palestra e outra e, como referência que é, no processo de transformação digital de agências, foi bem enfático ao passar a mensagem de que é vital que o modelo atual mude, pois não há mais espaço para o tradicional. Não vou entrar aqui nas questões práticas, de legislação ou remuneração, pois não me cabe essa discussão, mas concordo com ele que o modelo atual para os clientes, é impraticável.

É clichê, eu mesma não suporto mais ouvir falar disso, mas é preciso enfatizar: o mundo mudou! E o cliente hoje quer resultado, Cannes é consequência. E na condição de executiva de marketing, posso afirmar que essa é a grande discussão. Os negócios estão cada vez mais difíceis, a tecnologia está invadindo espaços antes ocupados por pessoas, os relacionamentos estão mais digitais e menos humanos, e a única coisa que não muda, é que o mundo muda em velocidade exponencial.

Como todo o trabalho do trade gira em torno de um único objetivo, que é impactar o consumidor, três pontos de reflexão e análise sobre esse novo consumidor, são fundamentais para as marcas: 
•    Informação e conexão fazem parte dele.
•    A decisão de compra é tomada mais com base nas experiências de amigos e influencers do que da mídia.
•    Ele se tornou veículo de comunicação.

Só esses três pontos já provocam uma “dor de cabeça gigante” para todo o mercado, e o desafio é:  o que as marcas precisam fazer para impactar o consumidor, como as agências estão preparadas para trabalhar nisso com as marcas e quais soluções em comunicação os veículos podem fornecer? A unanimidade nisso tudo, é que não existe modelo. Assim como o consumidor é único, as marcas são únicas e demandam esforços diferenciados.

Não dá mais para viver de história. Parabéns a tudo que já foi conquistado por nós, enquanto anunciantes, agências e veículos. O momento é de união, compartilhamento e parceria. Sem esses elementos, o trade está em risco. Isso não é tendência! Nós precisamos aprender a desaprender! O desapego é fundamental em tempos onde as crianças aprendem sobre dinossauros com a Siri, porque os pais não entendem muito bem disso.

Independente do que muitos falam e pregam no nosso mundinho, o cenário mudou e exige muito mais profissionalismo, foco em resultado do cliente e dedicação. Não dá para se fazer de desentendido e continuar na mesma vibe. Jacaré que não se mexe, vira bolsa. A decisão de virar uma Louis Vuitton da loja do Cidade Jardim ou uma da 25 de março, é sua! 
Mude, antes, que mudem você! O mercado é voraz e só quem se reinventar, continuará nele.

*Valdirene Teixeira é diretora de marketing do SENAC Santa Catarina.

 

Imagem: Denise Tadei