Todos concordam que a publicidade hoje não tem a mesma originalidade e criatividade que tinha no final do século passado.
O que mudou nessas décadas?
Claro que, em primeiro lugar, a tecnologia. Hoje temos muito mais meios de comunicação do que os 30 segundos na TV e no rádio ou as páginas em jornais e revistas.
Mas, isso muda o que no pensamento criativo?
Nada.
O que, na verdade aconteceu, e isso é claro para mim é que o business ocupou todos os espaços e ninguém mais consegue impor qualquer
pensamento criativo sobre a necessidade de resultados imediatos.
Com isso, quando você olha para uma comunicação, seja digital ou off line, você se depara com mesmices sem tamanho.
As pesquisas estão cada vez mais sendo utilizadas já que a internet proporciona aos institutos o preenchimento de questionários online o
tempo todo. Coisa rápida e muito barata, oferecem milhagens e prêmios bobinhos como recompensa aos participantes.
E todo mundo sabe que pesquisa só é importante para atestar o óbvio, nunca para determinar uma inovação.
Além disso, o marketing das empresas obedecem cegamente ao departamento de vendas.
Eles querem resultados imediatos. E nem pense em oferecer ideias que funcionam a médio prazo, como, por exempli, consolidação da marca ou criar empatia com o consumidor.
Bobagem, o que interessa é o balanço mensal. Quanto melhor, melhor o bônus para o departamento.
Junte-se a isso, a enterro da criação com o empobrecimento das agências.
Não existem mais criativos com capacidade para elaborar uma estratégia criativa.
Eles só sabem buscar sacadinhas que, no final da história, não passam disso: ideias soltas e voláteis.
A propaganda, como a conhecemos, nos anos 70, 80 e 90, morreu, foi sepultada e poucos se lembram dela.
Hoje, temos um grupo de infanto juvenis, todos vestidos da mesma forma, dominando a tecnologia e soltando bobagens nas redes.
Isso funciona? Claro que não, mas não vejo ninguém preocupado com isso.
Talvez apenas os neguinhos que trabalharam na propaganda como ela foi e que olham para tudo isso e pensam:
Meu Deus, onde foi que perdemos o prumo?
Wander Cairo Levy foi redator publicitário durante décadas, conquistou os principais prêmios nacionais e internacionais e, recentemente, começou a escrever livros e roteiros para cinema. Tem 3 livros publicados e um roteiro que virou filme, Achados Não Procurados, que recentemente, conquistou o prêmio de melhor filme pelo júri popular no FAM ( Festival do Audio Visual do Mercosul), realizado em Florianópolis e de melhor roteiro, melhor ator e melhor caracterização no Festival da Paraíba realizado no último mês de dezembro.
