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Redes sociais driblam restrições a anúncios de junk food
10 de Junho de 2026

Redes sociais driblam restrições a anúncios de junk food

Pesquisa identifica uso frequente de influenciadores e conteúdos voltados ao público jovem, mesmo após entrada em vigor de novas regras no Reino Unido

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Conhecidas redes de alimentação do Reino Unido continuam promovendo produtos considerados pouco saudáveis para menores de 16 anos por meio das redes sociais, de acordo com uma análise realizada pela organização Bite Back. O estudo sugere que empresas do setor estão utilizando uma brecha nas regras de publicidade para contornar as restrições impostas à divulgação de alimentos com altos índices de gordura, além de açúcar e sal.

A entidade, criada pelo chef Jamie Oliver e liderada por jovens ativistas, analisou conteúdos publicados nos perfis oficiais de Instagram e TikTok de algumas das principais redes de fast-food do país. O levantamento constatou que 72% das publicações relacionadas a alimentos promoviam produtos classificados como HFSS, sigla utilizada para identificar itens com altos teores de gordura, açúcar ou sal. Esses produtos estão proibidos de ser anunciados na televisão antes das 21h e enfrentam restrições em plataformas digitais.

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Estratégias voltadas aos jovens

A pesquisa avaliou publicações de dez grandes redes: Burger King, Costa Coffee, Domino’s Pizza, Greggs, KFC, McDonald’s, Nando’s, Pret A Manger, Starbucks e Subway. Juntas, essas marcas somam mais de cinco milhões de seguidores em seus perfis de Instagram e TikTok.

Segundo o estudo, 80% das publicações utilizavam estratégias consideradas atraentes para o público jovem. Entre elas estão parcerias com influenciadores, produtos licenciados, concursos promocionais, linguagem informal e recursos de humor. No caso do KFC, esse índice chegou a 100%.

Além disso, 41% dos conteúdos mencionavam promoções por tempo limitado ou lançamentos de produtos. O engajamento também chamou atenção: as publicações no TikTok registraram média superior a 23 mil curtidas, enquanto no Instagram a média ficou em torno de 16 mil.

Entre as empresas analisadas, a Greggs apresentou os índices mais elevados de divulgação de alimentos classificados como junk food. No Instagram, 95% das publicações sobre alimentos se enquadravam nessa categoria. No TikTok, o percentual chegou a 100%.

O McDonald’s foi a única marca que restringiu o acesso ao perfil do Instagram para usuários cadastrados como menores de 16 anos. Nenhuma das empresas aplicava restrições semelhantes em seus conteúdos no TikTok.

O contexto da nova legislação

A proibição da publicidade de alimentos com altos teores de gordura, açúcar e sal entrou em vigor no Reino Unido em 5 de janeiro de 2026 e passou a abranger anúncios veiculados na televisão e na internet.

Na época, o governo classificou a medida como uma política “histórica”, estimando que ela poderia retirar até 7,2 bilhões de calorias da alimentação infantil por ano, reduzir em 20 mil o número de crianças vivendo com obesidade e gerar benefícios à saúde avaliados em £2 bilhões ao longo do tempo.

Apesar disso, a legislação foi alvo de críticas por parte de especialistas e organizações da sociedade civil. Muitos apontam que o texto final sofreu alterações após pressão da indústria alimentícia. Uma das principais críticas envolve justamente a exclusão dos perfis próprios das empresas nas redes sociais, inicialmente contemplados pelas restrições e posteriormente retirados da versão definitiva da norma.

Outro estudo apontou que, entre 2021 e 2024, empresas do setor aumentaram em 28% os investimentos em publicidade externa após o anúncio das novas regras pelo governo britânico, feito em julho de 2020.

Relatório recente também indicou que a proibição afeta apenas cerca de 1% dos £2,4 bilhões investidos anualmente em publicidade de alimentos e bebidas no país. Em resposta, o governo afirma que a medida integra um plano mais amplo voltado à saúde pública para os próximos dez anos.

Debate sobre saúde e proteção de menores

A obesidade infantil continua sendo um dos principais desafios de saúde pública no Reino Unido. Dados citados pela pesquisa mostram que 22% das crianças já apresentam sobrepeso ou obesidade ao ingressar no ensino fundamental. Ao final dessa etapa escolar, o índice sobe para 35%.

O tema tem ampliado o debate sobre a exposição de crianças e adolescentes a estratégias de marketing digital utilizadas por grandes marcas do setor alimentício. Promoções, campanhas com influenciadores e produtos promocionais estão entre as práticas mais discutidas.

Organizações de defesa da saúde pública defendem o fechamento das brechas existentes na legislação e a adoção de mecanismos de restrição por faixa etária nas redes sociais. No entanto, especialistas avaliam que mudanças significativas dependerão também da colaboração da própria indústria de alimentos.

Paralelamente, o Reino Unido discute a possibilidade de criar uma proibição de acesso às redes sociais para menores de 16 anos, em um modelo semelhante ao adotado recentemente pela Austrália.

Foto: Magnific

Fonte: WARC

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