Mais de mil pessoas acompanharam na quarta-feira os painéis de abertura do Seminário Social Good Brasil. No auditório do CIC, o evento, que segue durante o dia de hoje, reúne mais de 30 palestrantes e aborda tendências e temas como a nova economia colaborativa, os novos modelos de pensamento, o novo voluntariado e protagonismo social, as novas formas de engajamento cívico e até novos modos de fazer jornalismo.
Na abertura do evento, no painel Social Good e você como ferramentas de mudança social, o diretor executivo da Fundação nas Nações Unidas Robert Skinner destacou que tecnologia tem a ver com oportunidade, e que as pessoas que querem resolver problemas apenas precisam de um empurrão para se reunirem e trabalharem juntas em prol da mudança. Junto com Anderson Giovani da Silva, gerente executivo do ICom, reforçou a importância de se trabalhar em nível local para atingir outros locais.
Em seguida, em A nova economia colaborativa – um modelo de pensar, ser e agir em rede, Oswaldo Oliveira apresentou seu projeto laboriosa89, uma casa colaborativa localizada em São Paulo que está aberta a uma rede de pessoas que querem empreender projetos em diversas áreas. “Na laboriosa89, a chave fica na porta, não há curadoria de projetos, não há gerentes ou reuniões e isso funciona. Quando você radicaliza a oferece uma estrutura totalmente aberta e abundante, há confiança, acolhimento e inclusão”, comentou o economista, aplaudido pela plateia.
Os cases finalistas do concurso Ideias que vão longe, promovido pelo Social Good Brasil, +SocialGood e Instituto Voluntários Online entre os meses de julho e agosto, também foram apresentados no palco do Seminário. Luciana de Camargo Barros, do projeto Quimio Oral do Instituto Oncoguia, JP Amaral, do De bike ao trabalho e o vencedor do concurso, Gabriel Gomes, idealizador do projeto Que ônibus passa aqui, falaram sobre campanhas digitais e o novo voluntariado.
Engajamento cívico, novo jornalismo e criatividade
Na segunda parte da tarde, a participação ativa do cidadão em questões políticas e de interesse público estava na pauta dos painelistas Marcio Vasconcelos (Fundação Avina), Juliana Fava (Box 1824), Bruno Aracaty (Colab.re) e Pedro Markun (Transparência Hacker). A influência do movimento #VemPraRua, de junho de 2013, as mudanças reais ocorridas após as manifestações e como a tecnologia ajudou nesse processo estavam entre os temas abordados. “Política tem que ser debatida”, comentou Markun. “Nas últimas eleições, a atuação da população nas redes sociais foi linda. Linda porque foi com todo mundo, e é assim que vai se criando um espaço para a discussão política”. Bruno Aracaty, cuja plataforma ganhou o prêmio de melhor aplicativo urbano do mundo pela New Cities Foundation, complementa: “A participação é muito importante. O primeiro passo é atender o cidadão, e depois trazê-lo para participar, para discutir junto. E isso já está acontecendo em várias cidades”.
O painel O novo jornalismo fortalecendo a democracia, mediado pelo empreendedor social e consultor Tomás de Lara, trouxe como a internet e a web 2.0 transformou e vem transformando o jornalismo tradicional. Nesse contexto em que todos são produtores de conteúdo, a jornalista Amanda Rahra trouxe um novo ponto de vista: “Acho que não é um novo jornalismo, e sim um resgate do verdadeiro jornalismo, aquele que queria transformar o mundo”. “Confie no jornalismo que dialoga, que escute os leitores”, completou a também jornalista Andrea Dip, da Agência Pública.
Três referências internacionais fecharam o primeiro dia de Seminário com o painel Protagonismo e resgate da criatividade. Reinhold Steinbeck, da IntoActions e Universidade de Stanford, Dayna Cunningham, do MIT Colab, e Robert Skinner, da Fundação das Nações Unidas, mostraram metodologias e princípios que resgatam a criatividade e empoderam as pessoas, para que elas possam buscar soluções inovadoras para problemas de diferentes níveis de complexidade em suas comunidades. “A falta de conhecimento social e empatia cria barreiras na solução dos problemas das comunidades” , comentou Cunningham. Para a diretora executiva, as pessoas na marginalidade social sabem como inovar porque elas precisam disso. Os painelistas também trouxeram a importância da retomada da confiança criativa e da superação do medo para trazer inovação para toda a sociedade.




