Suponhamos que você esteja querendo diversificar seus investimentos e chegou a duas candidatas com excelentes resultados em inovação, mas quer optar somente por uma.
A primeira oferece maiores retornos no longo prazo, com um histórico de excelente governança, trabalho social e sustentabilidade ambiental. A segunda oferece maiores retornos já no médio prazo, mas está passando por uma crise de imagem e vem perdendo margem.
Como qualquer investidor sensato, provavelmente, você escolheria a primeira opção. Isso acontece porque a reputação na indústria 4.0, muitas vezes, define as dinâmicas de mercado e o sucesso ou fracasso de um negócio, independentemente do quão inovador ele seja.
A reputação de uma empresa é a somatória do que ela diz que é, do que as pessoas acham que ela é e de quem ela realmente é. Em resumo, é a representação imaterial da imagem e da percepção que a comunidade tem sobre o negócio atravessado pelo que ela comunica. É certo dizer, sem sombra de dúvidas, que se trata de um dos principais fatores que influenciam os diferentes players a tomarem suas decisões. Uma reputação forte tende a atrair colaboradores qualificados, clientes leais e investimentos generosos — todos eles ajudando a impulsionar a inovação e o crescimento no mercado.
Por outro lado, uma reputação negativa pode dificultar o acesso a financiamento, reduzir a probabilidade de parcerias frutíferas e afastar colaboradores e clientes essenciais à sobrevivência do negócio. Como no exemplo que demos acima, os investidores buscam empresas com reputações sólidas que possam gerar altos retornos sobre o investimento. Eles também procuram companhias com histórico de sucesso em inovação, resiliência em momentos de crise e um compromisso claro com a ética e a responsabilidade social.
Da mesma forma, funcionários talentosos podem evitar trabalhar em organizações com uma má reputação — o que enfraquece o potencial de inovação de uma empresa. Além disso, poderíamos citar uma série de exemplos em que uma imagem negativa pode levar os consumidores a comprar produtos concorrentes ou evitar comprar os produtos por medo de uma contaminação na sua própria reputação.
Para as empresas do segmento que queiram assegurar sua perenidade e resiliência, uma comunicação bem feita, com um bom plano de blindagem de reputação e a formação continuada de porta-vozes não é um custo. É um investimento. Companhias que pensam grande, que estão focadas no futuro e que buscam inovar estão, naturalmente, expostas ao erro. Elas passarão, inevitavelmente, por crises. Não é uma questão de “se” e sim de “quando”. Por isso, ter uma reputação reconhecida, contar com um “bom estoque de bondades” e estar sempre aberto ao diálogo é fundamental em tempos onde as redes sociais se tornaram tribunais online e onde a concorrência se qualifica a cada dia mais. Muitas vezes, pensar em reputação apenas na hora da crise gera desafios ainda maiores, com custos elevados.
Uma boa reputação está profundamente ligada à integridade, à credibilidade e à confiança que os stakeholders sentem em relação à organização. É preciso, portanto, trabalhar ativamente para construir uma imagem positiva e consistente. Isso requer um investimento constante em qualidade, transparência e responsabilidade social, além de uma abordagem proativa para gerenciar crises e lidar com possíveis danos. Ao fazer isso, as empresas serão mais atraentes para investidores, colaboradores e clientes — ajudando a criar um ambiente de inovação sustentável e bem-sucedido.
por Vander Corrêa — Consultor de comunicação da Critério
Foto:Maicon Hinrichsen
