No cenário da moda feminina na Espanha em 2026, a Zara se destaca como a marca com maior presença em respostas geradas por sistemas de inteligência artificial no país. O levantamento avalia tanto a visibilidade quanto a capacidade de recomendação das principais plataformas de IA.
Com o avanço da inteligência artificial como canal de indicação de produtos, a exposição das marcas de moda passa por uma transformação significativa.
Nesse ambiente, a Zara ocupa posição de liderança no chamado espaço conversacional, sendo citada em 45% das respostas produzidas por modelos de IA, o equivalente a quase metade das interações analisadas.
O estudo foi conduzido pela Buzz, plataforma especializada em Business Intelligence e monitoramento de marcas nas redes sociais. A análise considerou 220 comandos que reproduzem buscas reais de consumidores, processados por quatro sistemas distintos de IA, totalizando 880 respostas.
Zara lidera, mas divide espaço com rivais e marcas premium nas recomendações de IA
Após a liderança da Zara, o mercado de moda feminina na Espanha apresenta um bloco consolidado de grandes marcas voltadas ao consumo de massa.
Nesse grupo, destacam-se a Mango, com 36,6% das menções, e a H&M, com 33%. Em um segundo nível aparecem a Massimo Dutti (20,5%) e a El Corte Inglés (18,8%). O relatório indica que os sistemas de inteligência artificial tendem a agrupar essas marcas dentro de um mesmo universo competitivo, sobretudo em categorias associadas à moda acessível e a tendências mais convencionais.
Além de sua ampla visibilidade, a Zara também lidera como a marca mais recomendada pelas plataformas de IA, aparecendo em 7,2% das primeiras posições.
Ainda assim, o estudo da Buzz aponta que volume de menções não garante protagonismo nas recomendações. Marcas como a Uniqlo (3,5%) e a própria Massimo Dutti (3,0%) conseguem ocupar o topo das sugestões em contextos mais específicos, o que reforça o peso da especialização nas respostas geradas por inteligência artificial.
O levantamento também destaca o avanço do segmento premium acessível nas recomendações. Nesse nicho, a Massimo Dutti se posiciona como líder no mercado espanhol, atuando como elo entre o fast fashion e o luxo. Marcas internacionais como COS, Everlane e Sézane vêm ganhando relevância em buscas mais segmentadas, especialmente quando associadas a critérios como qualidade, design e durabilidade.
Já no segmento de luxo, a dinâmica competitiva se mostra distinta. Grifes como Chanel, Gucci e Loewe lideram com ampla vantagem, sendo esta última a marca espanhola mais bem posicionada nesse mercado.
O relatório da Buzz também chama atenção para vulnerabilidades estratégicas no posicionamento das marcas dentro dos sistemas de inteligência artificial.
Segundo a análise, temas como sustentabilidade, diversidade de tamanhos e categorias funcionais ainda têm baixa representatividade entre grandes varejistas, abrindo espaço para concorrentes mais especializados, como a Ecoalf e a Everlane.
O estudo aponta ainda que marcas como Bershka, Stradivarius e Pull&Bear enfrentam um desafio adicional: a forte dependência do posicionamento da Zara dentro do ecossistema de IA, o que pode limitar sua autonomia e visibilidade nas recomendações.
Outro ponto relevante é o papel dominante dos grandes marketplaces. Plataformas como Zalando e Amazon aparecem de forma recorrente como canais preferenciais de compra nas respostas geradas por IA, independentemente do segmento ou posicionamento das marcas.
Para Eduard Corral, fundador e diretor de inovação da Buzz, há uma diferença crucial que muitas empresas ainda não compreenderam. “Existem marcas que são onipresentes na IA, mas raramente são recomendadas. Ser conhecido e ser indicado são coisas distintas, e quem não entender essa dinâmica corre o risco de perder uma disputa estratégica sem sequer perceber que está nela”, afirmou sobre o estudo em que colocou a Zara no topo da lista.
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