No Web Summit Rio, a inteligência artificial foi assunto presente nos quatro cantos do Rio Centro. Foi tema de inúmeras conferências, assim como na véspera, onde a questão do impacto do uso da IA no mercado de trabalho e na economia estava no centro das atenções.
Hoje, podemos ver exemplos mais concretos da transformação do mercado pela IA e da utilização da IA por indivíduos e empresas.
Em uma curta palestra no palco do Growth Summit, João Pedro de Simone, fundador da Worc, veio explicar que a IA veio para ficar.
Ele começou explicando que nos últimos anos vimos uma explosão da tecnologia, que nós tivemos acesso a dados como nunca havíamos tido, e estamos navegando em uma onda de tecnologia que pode ser benéfica para muitos hoje.
Ele citou o exemplo de Magda, uma mulher da classe operária, que navegando pela internet ela descobriu uma ferramenta de IA da Worc que a permitiu de encontrar um novo emprego em menos de 24h.
Ele afirmou que as teorias da mudança e da adicionalidade mostram como a IA pode mudar a nossa maneira de viver, e que a IA vem acelerando o tempo de realização de tarefas simples, aumentando a produtividade da sociedade de modo geral. Esse pequeno aumento na produtividade de cada indivíduo, quando adicionado a toda população, trará um crescimento mais rápido das economias.
Ele concluiu afirmando que nós sabemos que as tecnologias podem ter um impacto na economia, como já vimos no passado, e que ferramentas de IA acessíveis a todos indivíduos, podem ser a chave para o crescimento da economia global.
Mais tarde no mesmo palco, Enzo Fighetti, cofundador da Omnix, veio explicar como a automação cognitiva e a IA estão transformando a maneira de se tomar decisões estratégicas dentro de grandes empresas. Enzo afirmou que a automação não pode resolver tudo quando se trata de relacionamento ao cliente, porque o fator emocional é muito importante para lhe dar com sua clientela, e a automação não tem coração.
O profissional explicou que apesar disso, por meio de IA e de automação, é possível analisar os dados de negociações e resoluções de problemas com seus clientes, e assim obter respostas mais rápidas e eficazes com a ajuda de IA.
Enzo afirmou que a IA não precisa trabalhar sozinha, ela pode ser uma ferramenta para acelerar o processo de análise e por meio de um intermediário humano, que estará mais focado no aspecto emocional do que técnico de sua tarefa, seremos capazes de melhorar a performance do setor de gestão de clientes.
No período da tarde foi a vez de Laura Bonilla da AFP e Greg Williams da Wired,
Paula Mageste da Edições Globo, Condé Nast, Steve Clemons, da Semafor fizeram um talk sobre a questão tão temida: ChatGPT vai acabar com o jornalismo?
Steve começou o talk perguntando ao ChatGPT se ele acabaria com o jornalismo e, em seguida, questiona a Laura sobre como ChatGPT está sendo usado em sua equipe. Ela diz que ChatGPT está sendo como um assistente, que por enquanto ChatGPT não substituiu ninguém, porém a ferramenta tem ajudado a equipe a realizar tarefas repetitivas, ela salientou que a palavra final cabe ao humano.
Greg Williams respondeu sobre a questão da IA tomar o lugar dos humanos, afirmando que no momento ferramentas de IA não têm vontade própria e que por enquanto, o trabalho feito por IA não pode ser 100% confiável, elas ainda cometem muitos erros, principalmente por terem sido alimentadas com informações que não são 100% verídicas ou de fontes confiáveis. O trabalho de revisão de tudo que uma IA produz é essencial de acordo com ele. Na abertura do Web Summit Rio o Luciano Huck cometeu vários erros no palco pois havia traduzido seu texto com o ChatGPT e não verificou antes de subir no palco.
Paula Mageste replicou por sua vez, que a ferramenta do ChatGPT é excelente para auxiliar o trabalho de redação, porém ainda comete muitos erros que necessitam uma revisão humana. De acordo com ela, é essa capacidade de julgamento que nos torna diferentes da IA. Ela enfatizou que acredita que com uma utilização mais frequente a ferramenta pode evoluir, pois nós humanos falhamos e é isso que nos torna humanos, porém a ferramenta de IA é alimentada por nós, o que a leva inevitavelmente a falhar.
Steve perguntou ao painel suas opiniões sobre as questões éticas em usar ferramentas como ChatGPT, e a Laura Bonilla replicou que a tecnologia pode ser boa ou não, tudo depende de como a utilizamos. Ela explicou que como jornalista é preciso ter empatia, ter uma contextualização e outros aspectos que diferenciam um texto humano de um texto gerado por IA, nesse cenário, a IA não conseguiria substituir o jornalista.
Greg acrescentou que agora com a ascensão da ferramenta, questões de direitos autorais vêm ocupando discussões políticas e isso pode afetar diretamente o trabalho de um jornalista, pois usar um texto de um autor sem citá-lo, pode gerar processos judiciais. Mesmo se a ferramenta de IA cria um texto novo, o que afasta a possibilidade de plágio, o uso de informações protegidas por direitos autorais pode ser uma armadilha.
Paula disse que ferramentas de IA precisam de uma regulamentação para a utilização e termos de uso para evitar o uso indevido dessas ferramentas e as consequências que isso pode acarretar.
Para concluir a reflexão sobre aplicações de Inteligência Artificial, subiu novamente ao palco do Growth Summit, Aline Oliveira, da Traive, que destacou a utilização da IA em fintechs. Ela iniciou citando a dificuldade em se obter dados sobre agricultura, o que complica a análise de crédito de empresas atuando nesse ramo. De acordo com ela, na Traive, eles vêm coletando dados sobre agricultores no Brasil nos últimos anos. E graças à sua ferramenta de IA, são capazes de fazer previsões mais precisas sobre os riscos da agricultura no Brasil. A IA tem a tarefa de simplificar e informar, tratando dados e obtendo resultados de cálculos complexos, traduzidos de maneira simples de se entender.
Com a ferramenta da Traive, analistas de crédito obtém não somente relatórios e comparações do mercado cruzadas com os dados de seus clientes, mas eles obtêm respostas simplificadas, claras, se um cliente pode realmente obter resultados com um crédito ou não.
Para Aline, fintechs têm o potencial de fazer previsões bem mais precisas e realistas, cruzando dados do mercado com dados dos clientes e integrando diferentes ferramentas de IA.
O que podemos entender dessas 4 conferências, adicionados as outras que citamos no artigo do dia anterior, é que existe hoje um medo da população em relação ao mercado de trabalho e a Inteligência Artificial. Porém na história da humanidade ferramentas vem substituindo a mão-de-obra no trabalho árduo e repetitivo, e assim como já fizemos no passado, precisamos somente nos adaptar, cada um deve encontrar sua maneira de aprimorar seu trabalho com a ajuda da IA para não ficar para trás.
