
Quem encara, só pode fazê-lo de frente. Detalhes são sempre pequenos, todo planejamento é antecipado e ninguém faz planos para o presente ou passado – sempre para o futuro. Da mesma forma, quem adia algo, é para depois. Maioria nunca pode ser pequena, assim como minoria nunca será grande, logo, os reforços (grande, pequena) são dispensáveis.
O que não se deve dispensar é o uso correto da linguagem, que é a roupagem de toda a comunicação oral e escrita. Também não há necessidade de tornar-se obsessivo em relação ao uso culto da língua, salvo se você for um profissional que a utiliza para ganhar o pão de cada dia, como, por exemplo, um professor de português, um escritor, um jornalista.
Por preguiça, por (mau) hábito ou desconhecimento, certo é que não passamos incólumes, vez ou outra, de escorregar em uma redundância. É fácil lembrar das óbvias, como subir para cima, descer para baixo ou recuar para trás.
A redundância é um vício de linguagem, enquanto o pleonasmo – parecido – é uma figura de linguagem, utilizada para reforçar e dar expressividade à oração. O recurso é muito utilizado em letras de músicas, algumas antológicas, como por exemplo, do rei Roberto Carlos (“Detalhes tão pequenos de nós dois…”), ou de Jorge Benjor (“Chove chuva…”). E também entre grandes escritores e poetas. Vinicius de Moraes, em um de seus poemas mais famosos, o Soneto de Fidelidade, escreveu: “E rir meu riso…”.
Mas, na linguagem do dia a dia, melhor tomar cuidado para não piorar mais, reincidir de novo, abusar demais, porque, regra geral, não é de bom tom repetir outra vez o que é desnecessário.
Sei que é difícil, porque até mesmo em jornais, revistas, na tevê e no rádio ocorre cotidianamente. Ou você nunca leu e ouviu que há um consenso geral sobre a descoberta de novos indícios de uma quantia de dinheiro recebida em mãos numa negociata suja em que o principal protagonista é figura por demais conhecida de todos?
É fato verídico em boa parte do Brasil. E agora que nova eleição se aproxima e você vai comparecer em pessoa à urna, mostre que está atento(a). Às redundâncias e ao futuro do país.
