Uma inimiga chamada preguiça
06 de Junho de 2011

Uma inimiga chamada preguiça

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  1. NA MISSA DAS SEIS HORAS DO DOMINGO PASSADO, NA IGREJA DE S. PAULO APÓSTOLO, EM COPACABANA, O PADRE EUSÉBIO PERGUNTOU AOS FIEIS, AO FINAL DA HOMILIA:

     "QUANTOS DE VOCÊS JÁ CONSEGUIRAM PERDOAR SEUS INIMIGOS?"

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    A MAIORIA LEVANTOU A MÃO. PARA REFORÇAR A VISÃO DO GRUPO, ELE VOLTOU A REPETIR A MESMA PERGUNTA E ENTÃO TODOS LEVANTARAM A MÃO, MENOS UMA PEQUENA E FRÁGIL VELHINHA QUE ESTAVA NA SEGUNDA FILEIRA, APOIADA NUMA ENFERMEIRA PARTICULAR.

    "DONA MARIAZINHA? A SENHORA NÃO ESTÁ DISPOSTA A PERDOAR SEUS INIMIGOS OU SUAS INIMIGAS?" PERGUNTOU O PADRE.

     "EU NÃO TENHO INIMIGOS!" RESPONDEU ELA, DOCEMENTE.

    -"SENHORA MARIAZINHA, ISTO É MUITO RARO!"  DISSE O SACERDOTE. E PERGUNTOU:

"QUANTOS ANOS TEM  A SENHORA?

E ELA RESPONDEU: –  "98 ANOS!"

A TURMA PRESENTE NA IGREJA SE LEVANTOU E APLAUDIU A IDOSA, ENTUSIASTICAMENTE.

 "DOCE SENHORA MARIAZINHA, SERÁ QUE PODERIA VIR CONTAR PARA TODOS NÓS
COMO SE VIVE 98 ANOS E NÃO SE TEM INIMIGOS?"

"COM PRAZER", DISSE ELA.

AÍ AQUELA GRACINHA DE VELHINHA SE DIRIGIU LENTAMENTE AO ALTAR, AMPARADA PELA ACOMPANHANTE  E OCUPOU O PÚLPITO. VIROU-SE DE FRENTE PARA OS FIÉIS,
AJUSTOU O MICROFONE COM SUAS MÃOZINHAS TRÊMULAS E ENTÃO DISSE EM TOM SOLENE , OLHANDO PARA OS PRESENTES, TODOS VISIVELMENTE EMOCIONADOS:

– "PORQUE JÁ MORRERAM TODOS, AQUELES FILHOS DA PUTA!" (História contada pela minha amiga Elza Autuori)

  1. Agnelo Pacheco, presidente e diretor nacional de criação da Agnelo Pacheco Comunicação e com quem convivi na Norton Publicidade,  não é uma figura badalada no mercado. Mineiramente,  sem querer aparecer, ele vem construindo, há 25 anos, uma agência que em 1999, por exemplo, foi a que mais cresceu no país, com uma evolução de 76%.  Há alguns anos não o vejo.

Na edição de 10 de maio da Meio & Mensagem eu o encontrei. Estava lá na página 10, assinando o artigo Começar de novo – adotar esse princípio significa a sobrevivência da agência.

Tanto tempo depois da última vez que conversamos sobre publicidade, vejo que não mudou nada. Veja este parágrafo que tirei de lá:

“Em publicidade você tem a obrigação de se atualizar. Não pode se acomodar com a sua experiência, com os prêmios conquistados. O seu talento vale o que você faz hoje, produz e cria agora. E nesse processo, a “agência garçom” está com os dias contados.”
“Assim classifico aquela agência  que vai ao Cliente quando ele chama, recebe o pedido do que ele quer, “aquilo, aquilo e mais aquilo”, e ela retorna atendendo ao pedido com apenas “aquilo, aquilo e mais aquilo”.
“O Cliente evoluiu e espera ser surpreendido com idéias vendedoras por sua Agência. Esta precisa ir além da publicidade. Mas o grande segredo na ligação do publicitário com a profissão é desenvolver uma relação de amor com o trabalho.”
“Se você não ama o que faz,  se cria apenas para tirar da frente um job, se não vê em cada campanha uma oportunidade para se desafiar, se pensa com a visão de cinco anos atrás, procure outra atividade. A publicidade não tem lugar para você.”     

  1. Li o Agnelo, fiquei pensando na história da velhinha que a Elza me enviou. Imaginei o publicitário acomodado, que não encara a falta de idéia como a raiva de um inimigo, para quem qualquer coisa serve. Que faz qualquer coisa “porque o Cliente assim deseja”. Um dia – e esse dia não vai demorar muito – fracassado, terá de  reconhecer que nunca teve um inimigo, porque foi um covarde ou se rendeu à preguiça. 

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