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Cannes Lions lança desafio sobre tecnologia espacial para jovens comunicadores
23 de Junho de 2026

Cannes Lions lança desafio sobre tecnologia espacial para jovens comunicadores

Iniciativa do Cannes Lions 2026 propõe desafio a jovens profissionais para aproximar inovação espacial do público e ampliar compreensão sobre tecnologias que já impactam o cotidiano.

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O setor de comunicação enfrenta uma transformação acelerada impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, das tecnologias climáticas e de sistemas digitais cada vez mais complexos.

Nesse cenário, cresce a expectativa de que profissionais da área assumam uma função mais estratégica: facilitar o entendimento público sobre inovações que já moldam aspectos centrais da vida moderna.

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A avaliação é de Sergio Fernández de Córdova, presidente executivo da Fundação PVBLIC, em entrevista à PRovoke Media, após o anúncio de uma iniciativa conjunta entre o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA) e a Fundação PVBLIC. As duas instituições serão responsáveis por definir o tema da competição Young Lions PR do Cannes Lions 2026.

O desafio proposto aos jovens comunicadores será o de reduzir a distância entre a inovação espacial e a compreensão da sociedade.

A proposta surge em um contexto em que tecnologias ligadas ao espaço têm presença crescente em áreas como navegação, comunicação, previsão do tempo, resposta a desastres e sistemas financeiros.

Segundo os organizadores, essas aplicações já contribuem diretamente para mais de 40% dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas. As projeções indicam ainda uma expansão significativa da infraestrutura orbital, com o número de satélites podendo saltar de cerca de 15 mil atualmente para até 100 mil até 2030.

A iniciativa reforça o papel da comunicação como ponte entre inovação tecnológica e sociedade, em um momento em que o entendimento público sobre ciência e dados se torna cada vez mais relevante para decisões globais.

Comunicação entra na era da “infraestrutura invisível” e assume papel estratégico na era da IA e do espaço

O avanço da inteligência artificial, da governança de dados e das tecnologias espaciais está redefinindo não apenas a infraestrutura global, mas também o papel dos profissionais de comunicação.

A avaliação é de Sergio Fernández de Córdova, presidente executivo da Fundação PVBLIC, em entrevista à PRovoke Media.

Segundo ele, o maior desafio atual não é apenas tornar compreensíveis tecnologias emergentes, mas lidar com sua crescente invisibilidade no cotidiano. “A maioria das pessoas interage com o espaço dezenas de vezes por dia sem perceber”, afirmou. “O desafio é que, quanto mais importante uma tecnologia se torna, mais invisível ela tende a ficar.”

Essa invisibilidade, acrescenta, amplia a responsabilidade dos comunicadores, que deixam de atuar apenas na construção de narrativas de marca para assumir um papel mais amplo de tradução da realidade tecnológica e institucional. “Sua responsabilidade não é mais simplesmente contar histórias. É ajudar a sociedade a entender a infraestrutura que molda a vida cotidiana e as decisões que afetarão as próximas gerações.”

Para Fernández de Córdova, o movimento reflete uma transformação mais profunda na própria comunicação, que passa a lidar não apenas com organizações e marcas, mas com sistemas complexos de tecnologia, governança e políticas públicas.

Ele destaca ainda que decisões cruciais sobre o futuro estão sendo debatidas em ambientes pouco visíveis ao público geral. “Algumas das decisões mais importantes da nossa geração estão sendo discutidas hoje em salas que muitas pessoas nem sabem que existem”, disse, citando áreas como governança espacial, inteligência artificial e infraestrutura digital.

Nesse contexto, a transparência torna-se elemento central para a construção de confiança pública. “Se as pessoas só tomarem conhecimento desses assuntos depois que as decisões já tiverem sido tomadas, teremos perdido uma oportunidade importante”, alertou.

As reflexões embasam o briefing do Young Lions PR no Cannes Lions 2026, desenvolvido em parceria entre o Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (UNOOSA) e a Fundação PVBLIC. A iniciativa também será tema de uma sessão no festival intitulada “O espaço não é o futuro, é o seu briefing”, que contará com a participação de Aarti Holla-Maini, diretora da UNOOSA, do físico Brian Cox e da cientista e astronauta Sian Proctor.

A proposta é estimular jovens profissionais de comunicação a traduzirem temas científicos e tecnológicos complexos em narrativas capazes de gerar entendimento e engajamento público.

O executivo defende que, no futuro, a principal competência da área não será apenas criatividade ou domínio de mídia, mas pensamento sistêmico. “Os comunicadores mais eficazes serão aqueles que pensam de forma sistêmica”, afirmou. “Eles precisarão entender mensagem, política, tecnologia, governança, dados e comportamento humano de forma integrada.”

Ele acrescenta que a curiosidade será tão importante quanto a criatividade, especialmente na capacidade de explicar complexidade sem perder precisão. “Os comunicadores que prosperarem serão aqueles capazes de ajudar as pessoas a entender não apenas o que está acontecendo, mas por que isso importa e como podem participar.”

Córdova ainda continuou explicando que o desafio central da comunicação contemporânea está menos no avanço tecnológico em si e mais na compreensão pública desses sistemas. “O espaço não é mais uma fronteira distante. É infraestrutura fundamental para a vida na Terra”, afirmou. “O futuro será moldado não apenas pela tecnologia, mas pela nossa capacidade coletiva de compreendê-la, governá-la e construir confiança em torno dela.”

Não quer perder nada do Cannes Lions? O Acontecendo Aqui tem um representante no festival e terá uma cobertura completa!

Foto: Pexels

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