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Tsunami em Lisboa, no Japão e o sonho Manezinho
29 de Março de 2011

Tsunami em Lisboa, no Japão e o sonho Manezinho

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OS TSUNAMIS
 
Circula na Internet ótimo artigo de Marco Aurélio Weissheimer em Carta Maior, do qual destaco estes trechos:
“No dia 1° de novembro de 1755, Lisboa foi devastada por um terremoto seguido de um tsunami … a tragédia teve um grande impacto na Europa e foi objeto de reflexão por pensadores como Kant, Rousseau, Goethe e Voltaire”… nas catástrofes atuais, parece que vivemos um paradoxo: se, por um lado, temos um desenvolvimento vertiginoso dos meios de comunicação, por outro, a qualidade da reflexão sobre tais acontecimentos parece ter empobrecido, se comparamos com o tipo de debate gerado pelo terremoto de Lisboa, no século XVIII”. A matéria conclui que a mídia não dá o devido tratamento que a tragédia merece, criando a “espetacularização” da notícia.
 
Eu, que me considero um crítico meio ácido da mídia, não pude deixar de fazer uma reflexão que pode parecer defesa, mas que procura apenas colocar as coisas em seus devidos lugares:
Não há como comparar, em termos de comunicação, instantaneidade, interatividade, os fatos de Lisboa em 1775 com os do Japão. As manifestações de sábios mencionados naquela remota tragédia, foram conhecidas por poucas pessoas, e se caracterizaram como uma polêmica intra-muros. Mesmo agora, para que venham à luz, é preciso um intenso trabalho de pesquisa, restrito a um pequeno grupo de intelectuais.
Hoje a mídia atinge 6,7 bilhões de viventes em todos os cantos do mundo, muitos dos quais nunca tinham antes ouvido falar em tsunami, e quase outro tanto nem sabem onde fica o Japão. Nessas condições, temos que convir que as notícias, por serem transmitidas e recebidas praticamente em tempo real, tem muito de improvisação, de criatividade, oportunidade, e dependem quase que inteiramente dos repórteres e muito pouco das editorias. 
Depois, na sequência dos noticiários, começam a ser notadas as intenções de esclarecer, de mostrar os diferentes lados que cercam os acontecimentos, e isso vai, sim, influir no conhecimento das pessoas, em seus múltiplos níveis de interesse e de capacidade de absorção. 
 
Portanto, não podemos, nesses casos, exigir abordagens filosóficas ou mais profundas, pois estamos falando de quase 7 bilhões de pessoas. É preciso ficar na média, para atingir o maior número delas. A se considerar ainda que o objetivo é informar e comover pois, sem emoção, a informação é estéril. Outras maneiras de tratar o tema, sejam mais elevadas ou rasteiras, ficam por conta das características dos diferentes meios e de seus públicos cativos. Só para falar de televisão, os que frequentam a Record ou SBT receberão um tipo de abordagem diferente da Globo ou da CNN e muito diferente da Globonews. Cabe a cada um definir sua preferência e com que profundidade.
 
SONHO MANEZINHO
Dia 23 último foi aniversário de Florianópolis. Na Beira Mar Norte, o maestro João Carlos Martins e orquestra deram um belíssimo presente para a cidade, emocionando a multidão presente. Como curiosidade, gostaria de saber quanto custou o evento – para poder comparar com o frustrado concerto de Andréa Bocelli…
 
Mas quero falar mesmo é do texto do jornalista Moacir Pereira publicada no DC do domingo anterior. Em sua coluna, ele descreve a maravilhosa condição de vida que o morador desfruta, e finaliza dizendo que tudo não passa de um sonho. Tem razão…
 
Encontrei Moacir no concorrido lançamento do mais que oportuno livro Turno Único, de José Nazareno Vieira, o Zeno. Comentei a coluna e pedi licença para repercutir o tema aqui, e dizer que não precisa necessariamente ser um sonho. Que com seriedade, vontade e planejamento poderemos sim, um dia, alcançar a qualidade de vida que ele preconiza. Um dia distante, certamente, mas que nunca chegará (infelizmente é o mais provável) se não começarmos. 
 
Há uma receita que outros paises e outras cidades, sem os encantos naturais que nos foram concedidos, aplicaram com grande sucesso e que, sem dúvida seria o começo racional para essa caminhada: Marketing Regional, o processo que permite identificar os melhores caminhos para resolver problemas e ir, aos poucos, transformando o sonho em realidade.

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