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Sobre a qualidade, o que dizer?
29 de Agosto de 2011

Sobre a qualidade, o que dizer?

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“Já não se fazem … como antigamente”.

É um bordão antigo, ouvido na infância, mas que soa mais atual que nunca. Afinal, quem não se deparou, recentemente, ao comprar determinado eletrodoméstico de marca renomada, com o surgimento inesperado de defeitos após curto prazo e ao buscar um profissional eletrotécnico ouviu: “É mais caro trocar a peça do que comprar um novo”.

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Não é exclusividade de guarda-chuvas e ferros de passar roupa. Com o vestuário ocorre coisa semelhante, grifes famosas e marcas consolidadas no mercado tidas como sinônimo de qualidade vendem roupas em que as costuras se desfazem dentro de um mês, e o mero processo de lavagem arrisca rendar a peça.

Esses são exemplos que retratam situações de insustentabilidade. O mais grave é que a elas também estamos nos acostumando, ou acomodando, diante da sensação de impotência que nos provoca a sociedade global contemporânea.

Sustentabilidade não combina com baixa qualidade.

Causa estranheza pensar que as ciências e a tecnologia vêm permitindo ao ser humano superar os limites da imaginação, disponibilizando a cada momento instrumentos revolucionários no campo da medicina e das telecomunicações, e, ao mesmo tempo, a capacidade de produzir itens de consumo duráveis tenha retrocedido.

O que justifica que o chuveiro de uma casa ou mesmo o automóvel apresentem defeitos poucos meses após a aquisição? A indústria desaprendeu a produzir peças perfeitas e duradouras? Para onde foi aquele orgulho que havia há algumas décadas, de colocar um produto no mercado e ganhar a preferência do consumidor porque ele ficaria “eternamente” satisfeito?

O conhecimento, a cultura, as ciências, devem ser úteis à humanidade. O mesmo vale para a economia. Qual é a força motriz que provoca essa precarização e exige a constante industrialização de produtos “nati-lixo”? Certamente não é a ética que privilegia a Vida. Qual o destino dessa produção caótica? A natureza é o destino. Extrair mais e produzir mais lixo: um processo delirante e alienado que tem conseqüências graves e concretas.

A reportagem destaque das últimas semanas foi justamente o desmascaramento dos bastidores da produção terceirizada por meio de uma rede de confecção clandestina. A notícia chocou mais ainda por envolver uma multinacional e não de uma pequena empresa com dificuldades para sobreviver no mercado, demonstrando que essas práticas estão “institucionalizadas”, assimiladas e admitidas para vender mais independente dos ônus que provoquem.

Um bom termômetro para medir a sustentabilidade de uma empresa ou de um produto, é sem dúvida a sua qualidade. Essa característica leva em conta a transparência do processo produtivo: qual a situação do parque fabril, em que condições ocorre essa produção, o respeito às leis trabalhistas e à dignidade das pessoas que produzem. A responsabilidade socioambiental de uma empresa, seu comprometimento com a sustentabilidade, passa necessariamente por essas questões. 

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