Romeu Lourenção, como vimos, fora atendimento da Editora Abril, sem dúvida a maior “escola” da época. Então, durou pouco na SC Publicidade que era uma House. Em Blumenau ele percebeu a possibilidade de capitalizar o relacionamento conquistado com o empresariado local e partiu para criar sua própria agência: a Magna. Em depoimento para o livro da Propague Romeu Lourenção fala do mercado publicitário reinante no Vale do Itajaí: “Naquele tempo os empresários de Blumenau nada sabiam sobre propaganda. Somente a Artex e a Hering tinham agência: eram atendidas pela Denison, de São Paulo”. E completa: “Eu peguei o tempo em que fábricas tradicionais pregavam plaquinha na porta: reclames e esmolas só aos sábados”.
Aliás, essa era realidade que prevalecia entre as empresas brasileiras. As exceções eram as transnacionais que ao chegar ao Brasil traziam a tiracolo as pioneiras J. Walter Thompson, N. W. Ayer & Son e Foreign Advertising Service Bureau Inc. – representada no Brasil por Armando d’Almeida “um dos batalhadores pioneiros da propaganda no país, que mais tarde fundou a sua agência sob o nome de Inter-Americana de Propaganda”. (História da Propaganda no Brasil, 1990).
Voltando a Blumenau observa-se que o exemplo de Lourenção foi logo seguido pelos seus principais funcionários que passaram a abrir suas próprias empresas. Foi o caso de Getúlio Curtipassi, Luiz Sé, Geraldo José Reis Pfau e Cao Hering. Mais tarde, em 1974, como registra Martinelli, Curtipassi e Pfau uniram-se aos radialistas Osmar Laschewitz, Ivanel de Souza e Horácio Brown para fundar a Scriba. Posteriormente, Cao Hering, formado em publicidade em Porto Alegre, também se integra à equipe.
Em 1982 há uma nova revoada dando origem a outras duas agências: a Atual de Curtipassi e a Direcional de Cao Hering.
Paralelamente, nos anos de 1973 Gil de Souza cria a SP Propaganda e em 1979, Marcos Lenzi funda a Lenzi Publicidade, ambas em Lages. Esse trabalho pioneiro antecedeu a instalação da TV Planalto que também contribuiu para o fortalecimento do negócio da propaganda naquela região.
Fechando o chamado ciclo pioneiro é oportuno lembrar que em Florianópolis o negócio da propaganda, do ponto de vista empresarial, teve suas bases lançadas por Walter Linhares com a Wali Publicidade, seguindo-se Antunes Severo e Rozendo Vasconcellos Lima, com a A.S. Propague, Ney Ferreira com a Public, Eloy e César Struwe com a Exa e Júlio Pacheco e irmãos com a Gran Meta.
Outro segmento do negócio da propaganda que se desenvolveu nessa época foi a produção. Primeiro com os estúdios de gravação: CAB do Cláudio Alvim Barbosa (Zininho), Padrão de Antunes Severo e Rozendo Lima, e HKS do Hélio Kersten Silva, numa primeira fase. E, posteriormente, com a criação da Quadra – primeira produtora catarinense de comerciais em filme 35 e 16 mm – pelos publicitários Emílio Cerri e Saulo Silva em sociedade com os cineastas Raul Araújo e Sílvio Bach, anos depois transformada em agência.Com o surgimento da televisão Cultura Canal 6 de Florianópolis, a Gran Meta chegou a produzir, inclusive, programas de variedades e iniciou a realização de comerciais de TV em cores.
Ainda com relação ao mundo das agências quem trouxe contribuição externa positiva foi Fúlvio Vieira com a implantação da filial local da MPM Propaganda. Aliás, a MPM já mantinha escritórios em Blumenau desde 1973 para atendimento de clientes catarinenses no mercado nacional.
Numa próxima etapa dessas – ainda mui poucas memórias – pretendo trazer para a luz dos vossos holofotes o brilho dos profissionais que ilustraram os caminhos da propaganda em terras Catarina naqueles tempos pioneiros.
Até a próxima semana aqui neste nosso Ponto de Encontro.
