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Sejamos realistas e exijamos o impossível – 1
16 de Março de 2011

Sejamos realistas e exijamos o impossível – 1

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Mais do que um frase de efeito ou mesmo um disparate atribuído à juventude de um manifestante político, a frase escrita nos muros de Paris em 1968 representa uma referência a ser pensada também nos dias de hoje. Para mim, a frase veio a calhar quando me deparei com a tela em branco diante da necessidade de um tema para a nossa conversa desta semana. O meu impulso nesses momentos é buscar algo inédito, desconhecido e muito atraente para o leitor que sei, é exigente, e por isso me sinto mais estimulado. 

Esse cuidado, reconheço, pode ser uma armadilha, pois o que para mim é conhecido, líquido e certo, para você pode ser uma absoluta novidade: e até, uma oportunidade de aprendizado com valor inestimável. 
 
Então, pelo sim, pelo não, volto às páginas do livro Propague – 25 anos de propaganda em Santa Catarina, onde a maior parte da minha memória sobre o mercado editorial e publicitário catarinenses está ali e redigido de maneira atraente e gostosa como eu gostaria de escrever. Que farei? Transcreverei o belo texto editado por José Hamilton Martinelli sob o título As brisas da modernidade.
 
“Os anos 60 são marcados principalmente pela ascensão e o inconformismo dos jovens com as injustiças sociais. É a época do rock’nrol, da liberalização sexual, dos hippies, da contracultura, do protesto contra os valores capitalistas”.
 
“Estarrecida diante da falta de perspectivas, a juventude elege ídolos: Beatles, Guevara, Jesus Cristo. E adota a droga que levou tantos dos seus ídolos à morte: Janis Joplin, Elvis Presley, Jimmy Hendrix. A pílula anticoncepcional é um avanço na luta contra os tabus do sexo. De Londres vem a minissaia. E, no fim da década, os americanos pisam o solo lunar. É tempo, também, de guerra e de guerrilhas. De golpes de estado. Numa primaveril manhã de maio  de 1968, Paris aparece com seus muros pichados: “Sejamos realistas e exijamos o impossível” e “esta noite a imaginação tomou o poder”. Em todo o mundo os jovens repetem Paris e clamam por justiça e liberdade. A repressão aparece”.
 
“No Brasil, tivemos o nosso junho de 1968, quando “a passeata dos cem mil” deixou a Cinelândia e percorreu as ruas do Rio de Janeiro protestando contra a morte do estudante Edson Luiz de 16 anos, vítima da repressão policial. No início da década, tudo são flores: Juscelino Kubitschek inaugura Brasília e materializa o desenvolvimento industrial. Depois de JK, Jânio Quadros, sua excentricidade, seus bilhetinhos, sua renúncia”.
 
“Depois a revolução (sic) de 1964. Foram anos de resistência, de contestação. A arte, o teatro, as canções comprometidas com o social, engaja nos interesses populares e nos anseios de liberdade política da nação”.
 
“E como era Santa Catarina no início da década? A revolução sexual, a violência, o consumismo que sopra lá fora com força de tempestade, aqui ainda não passa de uma leve brisa que, na Capital, se confunde com a aragem do vento sul. Em 1960, os catarinenses somam dois milhões e cento e dezoito pessoas. O isolamento em que vive o Estado pela falta de ligação rodoviária com os grandes centros do país começa a se desfazer com a abertura da BR-101. A antiga Nossa Senhora do Desterro, timidamente, abre as portas à indústria do turismo. Os laranjais e os mangues da Trindade cedem lugar à Universidade do Estado de Santa Catarina. Expande-se o mercado imobiliário e a rede hoteleira”.
 
O que mais me encanta nesse texto é a amplitude da visão com que o jornalista olha a profissão do publicitário – um ofício pouco difundido no Brasil e quase desconhecido em Santa Catarina – mas, já percebido como uma atividade onde os requisitos de qualidade vão além do talento, da imaginação, da criatividade e das técnicas. O publicitário necessita ser alguém com cultura geral e estar suficientemente atualizado com informações variadas e significantes, muito além do seu pequeno mundo do cotidiano profissional e empresarial.
 
Publicitário é gente em primeiro lugar, depois vêm as qualidades e as técnicas intrínsecas ao seu ofício, porque os seus clientes (anunciantes) e os consumidores dos produtos que tenta divulgar, também e antes de mais nada são gente com todos os méritos e deméritos da condição humana.
 
Até a próxima semana aqui no nosso Ponto de Encontro. 

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