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Se não abraçarmos o mundo, o mundo vai nos abraçar
23 de Março de 2011

Se não abraçarmos o mundo, o mundo vai nos abraçar

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Duas matérias – um artigo na Folha e um post no Caros Ouvintes, publicados na terça-feira, 22, me levaram a pensar com mais atenção as coisas da propaganda. De um lado Nizan Guanaes alerta para as oportunidades surgidas com os dois eventos mundiais em que o Brasil será palco: Copa do Mundo e Olimpíadas; do outro Emílio Cerri – com a ternura que lhe é peculiar – revive um dos momentos mais ternos da cultura Catarina quando nos presenteia com a interpretação ímpar do Rancho do Amor à Ilha de Zininho, na voz de Julie Philippi acompanhada ao violão pelo talento de Wagner Segura.

Poderia acrescentar nesse raciocínio o fato de os festejos de aniversário da cidade de Florianópolis terem sido abertos, em plena Avenida Beira Mar Norte, com o concerto regido pelo maestro João Carlos Martins e assistido por mais de 12 mil pessoas entre crianças, adolescentes e adultos – jovens, maduros e idosos.

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Num olhar despreocupado e menos ambicioso é possível separar esses eventos e até defender que se trata de ações completamente díspares e, portanto, sem relevância para uma atividade tão pragmática com a propaganda.  

Retire-se, porém, a propaganda desse contexto – que é a realidade diária em que vivemos – e as consequências certamente serão bem outras e de tal ordem previsíveis que meus argumentos seriam, senão inúteis, pelo menos dispensáveis.

Sem querer roubar-lhe o prazer da leitura do artigo As marcas da diplomacia, de Nizan Guanaes, preciso citar alguns trechos textualmente, a começar pela declaração: “Somos um país de criativos. Da tristeza criamos samba, do descontrole econômico, nosso vigor econômico, da ditadura militar, uma democracia pacífica”.

Embora reais essas qualidades, a baixa estima de algumas camadas da sociedade, infelizmente, ainda fazem escárnio delas. Portanto, a citação é bem vinda, principalmente se acrescentarmos que de fato, estamos vivendo um novo Brasil e que em boa parte devemos isso à propaganda.

Entre vários argumentos Nizan cita mais esses ao falar das atuais transformações pelas quais está passando a propaganda brasileira: “As imagens e o espírito do novo Brasil já povoam os novos reclames com os novos consumidores. O mercado brasileiro, finalmente, ganhou dinamismo includente. Investimentos maciços estão sendo feitos para atender e entreter os novos entrantes no mercado consumidor”. E arremata Nizan: “E o IBGE diz todo o mês que os salários não param de subir”.

As transformações do mercado – alguns publicitários ainda esquecem – não são apenas, geográficas, econômicas e tecnológicas, elas são vitais no campo social: nos hábitos e costumes, na cultura enfim, como comprovam estudos mais recentes. E aí vêm, então, os aspectos mais significativos como aponta Guanaes ao falar das repercuções internacionais: “Que responsabilidade formar nossas marcas no exterior. Marcas globais são embaixadoras por natureza, muitas vezes mais próximas dos habitantes de um país do que qualquer estratégia de política externa”. E reforça o autor: “Assim como a imagem dos americanos, dos japoneses, dos alemães e dos suíços no estrangeiro está muito associada à imagem de suas marcas, o mesmo acontecerá com o Brasil”.

Esse exemplo, aliás, é muito adequado para nós de Santa Catarina, pois vivemos num estado com seis regiões geoeconômicas com diferenças raciais, culturais, religiosas e até esportivas que – em alguns casos chegam a ser opostas e excludentes – como no caso do futebol.

Em síntese, precisamos tirar a propaganda de dentro do mundo da propaganda, porque, afinal, o centro da terra fica um pouco longe do nosso umbigo.

Trazendo o raciocínio para a nossa encantadora aniversariante deste 23/3, e a homenagem feita por mestre Emílio, em nosso nome no Caros Ouvintes, é necessário, oportuno e imediato que nos posicionemos diante do nível de degradação em que se encontra a cidade de Florianópolis, tanto na Ilha como no Continente.

O que mais assusta, porém, não é a precariedade dos níveis de segurança pública; não são os engarrafamentos, os odores nauseabundos da estação de tratamento de esgotos na baía sul, nem a poluição sonora ou visual, o uso abusivo do solo e a depredação dos recursos naturais; o que aterroriza é a insensatez de uma determinada parte das classes dirigentes que diariamente nos atormenta com miraculosas soluções como avenidas sem começo e sem fim, pontes flutuantes, tuneis perfumados com lavanda e elevados que nos levam de uma fila a outra ainda maior, de um sufoco ao outro mais deletério e mortificante.

Resido, trabalho e vivo nessa cidade fascinante há 55 anos, aqui me realizo como cidadão e aqui constitui família, subi os degraus da universidade, alcancei postos de comando em várias empresas, cheguei a Secretário de Estado e atualmente me dedico voluntariamente à divulgação do que pode a comunicação representar para o desenvolvimento da fraternidade e do bem estar dos seres com os quais convivemos na terra.

Por isso, ouso levantar entre meus companheiros de ideal e de profissão esta bandeira em defesa do que ainda resta de nossa cidade para o bem dos que aqui vivem e se importam com a garantia da preservação do futuro: este é o momento de lançarmos a campanha de respeito à vida com dignidade.

Publicitários, uni-vos!

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