Nossos passarinhos estão migrando para outros céus. Ariano Suassuna, Rubem Alves, Gabriel García Márquez, João Ubaldo Ribeiro, Manoel de Barros.
Donos de vozes únicas, cuja proeza foi tecer a arte do sonho com a vida da gente. Assim, simplesmente, na singeleza e na doçura. Suas palavras professam, falam de vida – resgatam do insustentável.
Em meio a tanto concreto e concretude, sua arte é gesto de restauração. Ímpar, inigualável, capaz de amalgamar a rudeza árida do solo à sempre fértil resistência repentista, de humanizar nossos ‘Aurelianos Buendías’ e lembrar que é possível carregar água na peneira…
Os poetas são assim – servem para nos fazer entender.
Uma revoada tão expressiva nos preocupa, pois ameaça com a extinção das aves raras. Canoras, de voo alto e azul infinito. Talvez as poucas criaturas capazes de vislumbrar os encantos celestes.
