Em um momento em que revistas impressas parecem estar lutando contra uma maré inevitável, The Atlantic se destaca como uma vencedora. No 2º semestre de 2024, tornou-se a revista de crescimento mais rápido dos Estados Unidos, impulsionada por uma estratégia sólida de assinaturas e publicidade.
Segundo a Press Gazette, a receita da publicação no ano passado chegou a quase US$ 100 milhões, sendo dois terços provenientes de assinaturas e o restante de publicidade, incluindo eventos.
Embora o mercado de revistas impressas esteja em declínio há anos, ainda há grandes vantagens para quem encontra a fórmula certa. O impresso continua sendo um dos meios mais confiáveis: 86% dos consumidores confiam nos anúncios em jornais impressos, e 83% confiam nos anúncios em revistas. Esse nível de confiança – superior ao das plataformas digitais – vem da percepção de alto padrão editorial e credibilidade.
De acordo com a Press Gazette, a circulação da The Atlantic cresceu 15% em um ano, atingindo 1,1 milhão de assinantes, sendo o formato impresso o principal motor desse crescimento.
Com esse número, a revista ocupa a 20ª posição em circulação nos EUA. Os três primeiros lugares pertencem às publicações da AARP e à Costco Connection, que também desafiou a tendência de queda no setor. No final de 2024, o CEO da The Atlantic, Nicholas Thompson, anunciou que a revista voltaria a publicar 12 edições impressas por ano, em vez de 10, e que se tornou lucrativa.
Entre outras revistas, a que mais cresceu foi First for Women, voltada para saúde e bem-estar de mulheres acima dos 40 anos, com um aumento de 20%, atingindo 757 mil assinantes (impressos e digitais). Já algumas publicações registraram quedas expressivas na circulação impressa na América do Norte:
- Good Housekeeping: queda de 47% (696 mil assinantes)
- Food Network Magazine: queda de 43,5% (602 mil assinantes)
- Reader’s Digest: queda de 22% (1,6 milhão de assinantes)
- Time: queda de 22% (722 mil assinantes)
- Essence: queda de 22% (716 mil assinantes)
Uma estratégia de sucesso
Segundo o CEO Nicholas Thompson, o segredo da The Atlantic está na curadoria de conteúdo: em vez de publicar uma grande quantidade de matérias, a revista investe em temas que realmente geram discussão.
“Esses temas melhoram a percepção da marca, impulsionam assinaturas e, junto com a estratégia de publicidade, que tem se tornado cada vez mais eficiente no último ano e meio, trouxeram resultados muito positivos”, disse Thompson à Press Gazette em maio de 2024.
Além disso, a aposta em um paywall (conteúdo exclusivo para assinantes) e na publicação de conteúdo de alta qualidade produzido por jornalistas confiáveis ajudou a aumentar o número de assinantes. Curiosamente, a ênfase da revista nas assinaturas também a protegeu da queda no tráfego de referência, um problema que tem afetado organizações de notícias.
Uma pesquisa recente com líderes do jornalismo digital revelou que 74% deles estão preocupados com a queda no tráfego de referência via buscas, à medida que resumos gerados por IA começam a cobrir as notícias. Para as marcas, isso levanta questões cruciais sobre confiança, um fator essencial em um cenário onde a desinformação cresce nas redes sociais.

Foto: The Atlantic
Fonte: WARC
