A definição de televisão está em constante mudança, acompanhando a evolução do comportamento do público. O que antes se restringia à programação de TV a cabo ou ao streaming, agora engloba também conteúdo de curta duração e vídeos em redes sociais.
De acordo com dados da Deloitte, 41% dos consumidores já consideram que assistir a vídeos em plataformas sociais ou em serviços de streaming equivale a “assistir TV”.
Essa transformação, embora desafie as estratégias tradicionais de mídia, também abre novas possibilidades para unificar campanhas e reduzir a fragmentação do mercado publicitário.
“As campanhas não são mais apenas lineares, apenas digitais ou uma combinação das duas. Elas precisam incluir as redes sociais”, afirmou Danny Ledger, diretor e líder de telecomunicações, mídia e entretenimento para serviços de consultoria da Deloitte Consulting.
Redes sociais desafiam streaming e TV na disputa pela atenção do público
O tempo dedicado ao consumo de vídeos em redes sociais já rivaliza, e em muitos casos supera, o gasto com conteúdo televisivo tradicional, incluindo os serviços de streaming.
Segundo a Deloitte, 35% dos consumidores afirmam passar mais tempo assistindo a vídeos em plataformas sociais do que em streamings, proporção que cresce significativamente entre os mais jovens: o índice chega a 44% entre millennials e a 58% entre a Geração Z.
Diante desse cenário, parcerias entre mídia tradicional e criadores de conteúdo digital têm se tornado uma estratégia essencial para reconquistar a atenção do público.
“A valorização dos criadores na mídia tradicional não é apenas uma tendência passageira, mas um imperativo estratégico”, observa Danny Ledger. “O público, especialmente o mais jovem, está cada vez mais envolvido com conteúdo autoral, e essa mudança está transformando fundamentalmente a maneira como as pessoas descobrem, interagem e valorizam o entretenimento.”
Mas as transformações não se limitam às plataformas. Os hábitos de visualização também estão mudando. As microsséries, por exemplo, que são curtas narrativas em vídeo, geralmente verticais e com duração de cerca de um minuto, tornaram-se um dos formatos mais populares entre os usuários conectados às redes sociais.
A pesquisa mostra que 45% dos entrevistados estão familiarizados com esse tipo de conteúdo, e que 45% dos millennials e da Geração Z assistem a mais microsséries hoje do que há um ano.
O interesse pelo formato é tanto que 49% dos millennials e 44% da Geração Z afirmam querer ver microsséries em plataformas de vídeo sob demanda (SVOD), como Netflix ou Disney+.
O formato vertical, característico das redes sociais, também agrada: 43% dos millennials e 42% dos jovens da Geração Z dizem preferir vídeos verticais ao formato horizontal tradicional, um sinal de que a linguagem das redes já influencia de forma decisiva o futuro do audiovisual.
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