Quando termina a missão da universidade: quando o aluno se forma ou quando está servindo à sociedade
10 de Maio de 2012

Quando termina a missão da universidade: quando o aluno se forma ou quando está servindo à sociedade

Publicidade

 

Por Paula Caleffi*
 
A pergunta acima foi a tônica do 5º encontro promovido pelo International Finance Corporation (IFC), em fevereiro, em Dubai, nos Emirados Árabes, cujo objetivo era discutir o papel do ensino privado no mundo, seja ele filantrópico ou com fins lucrativos. O IFC é o braço do Banco Mundial responsável por investir em projetos nas áreas da educação e saúde nos países considerados emergentes ou em desenvolvimento. O congresso, intitulado Making a Global Connections, reuniu 55 instituições de 27 países para estimular o debate sobre a abrangência, qualidade e finalidade do ensino privado.
 
Há consenso a respeito da expansão do ensino privado e da importância que este vem assumindo na formação de jovens e adultos nos diferentes projetos de Estado. As instituições escolares ou de ensino superior privadas, com ou sem fins lucrativos, são, em conjunto com as universidades públicas, imprescindíveis na formação do setor da educação nos diferentes países. Na Ásia, na América Latina e no mundo árabe, as instituições de nível superior privadas estão, em sua maioria, ocupando espaços semelhantes de inclusão social de grupos sociais que há uma década e meia se encontravam excluídos.
 
As instituições se expandem com o crescimento das classes emergentes e do próprio setor de educação. Procuram focar na formação para o mundo do trabalho, e, por essa razão, recebem muitos alunos que são os primeiros representantes das suas famílias no ensino superior e que têm por ambição melhorar o nível de vida pessoal e de suas famílias. São alunos das classes médias emergentes, que, em grande parte, já estão no mercado de trabalho.
 
Há consenso de que é possível oferecer educação de qualidade com custos adequados a esses novos estudantes. Não é necessário investir em instituições luxuosas nem na construção de grandes complexos desportivos, como fazem, por exemplo, as instituições privadas de elite dos Estados Unidos. Basta atender as condições para o desenvolvimento do aluno nas principais competências necessárias para o mundo do trabalho. A sintonia com os empresários e os empreendedores tornou-se, nesse contexto, fundamental. Um dos focos de discussão em Dubai foi a formação dos novos requisitos que o mercado de trabalho vem solicitando –  as chamadas soft skills: pensamento complexo, comunicação e criatividade.
 
Para que o objetivo da educação de qualidade com custo adequado seja atingido é necessário inovar nos projetos de educação. A inovação em educação se faz muito mais a partir da junção inovadora de vários elementos já conhecidos do que através da invenção de um novo produto. Em todas as “boas práticas” apresentadas ao longo do encontro em Dubai, ressaltou-se a importância do investimento na formação continuada dos professores. 
 
Se isso representa uma tragédia para a economia e a política desses países, é também uma oportunidade para o ensino privado expandir-se e reafirmar o seu compromisso social. Mas para que isso aconteça, é fundamental que a pergunta “a missão da universidade termina quando o aluno se forma ou quando o aluno esta servindo à sociedade?” permaneça como inspiração dos diferentes projetos de educação.
 
*Paula Caleffi é diretora executiva de Ensino do Grupo Estácio de ensino superior.

Publicidade
Publicidade
WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter