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Quando o tiro sai pela culatra
11 de Abril de 2011

Quando o tiro sai pela culatra

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1. Geraldo, já um tanto avançado na idade, foi marcar uma consuta para a esposa. Atenciosa, a atendente lhe pergunta:

“De que ela se queixa?”
“De surdez. Ela não ouve nada.”
“Então,  vou lhe fazer uma recomendação. Antes de trazê-la, faça um teste, para facilitar o diagnóstico.  Sem que ela esteja olhando para o senhor,  fale, a uma certa distância, em tom normal. Se ela não ouvir, vá chegando mais perto, até que ela o ouça. Então, quando voltar aqui, o senhor dirá ao médico a que distância estava quando ela ouviu.
Nesse mesmo dia, à noite, enquanto a mulher preparava o jantar, ele resolveu fazer o teste. Mediu a distância em  que estava da mulher, e perguntou:
‘Maria, o que temos para o jantar?”
Silêncio.
Aproximou-se mais, perguntou novamente:
“Maria, o que temos para o jantar?”
O mesmo silencio. Insistiu:
“Maria, o que temos para o jantar?”
Nada, outra vez.
Então, encostou-se nela, chegou bem junto ao ouvido e perguntou:
“Maria, o que temos para o jantar?”
A resposta denotou irritação:
“Frango, cara! É a quarta vez que eu respondo.” (História contada por Son Salvador, no jornal aQui)
2. Já perdi a conta do número de vezes em que insisti na importância da assessoria de imprensa.
 
“Não é coisa para amador”, tenho dito.
 
3. Veja o que aconteceu em Jirau.
Houve por lá uma séria rebelião dos empregados. O assunto repercutiu no país todo. A empresa, então, contratou uma assessoria de empresa. Que levou para lá um grupo de jornalistas.
O jornalista Leonencio Nossa, do jornal O Estado de S. Paulo narrou a visita assim:
“Mesmo com a presença de homens da Força Nacional de Segurança nas obras da Hidrelétrica Jirau, o alojamento da empresa Engesa Engenharia S/A foi incendiado no início da tarde de ontem por um grupo de cinco pessoas.”
 
“Uma assessoria de imprensa contratada pela Camargo Corrêa organizou um tour pelas áreas destruídas na terça-feira e na quinta-feira para mostrar o clima de “tranqüilidade” nos canteiros, quando o incêndio começou. Alguns funcionários chegaram a dizer que um curto circuito tinha sido a causa do fogo. Duas funcionárias, porém, disseram ter visto um picape passar pelo local com cinco homens na carroceria.”
Trocando em miúdos: o tiro saiu pela culatra.
 
4. Três coisas as empresas precisam aprender:
 
a)É preciso falar a verdade. Em comunicação a mentira tem pernas curtas. Mesmo.
b)Toda empresa tem de estar preparada para enfrentar situações de crise.
c)Em situação de crise não adianta se desesperar. As ações tem de ser feitas na hora certa. E prever imprevistos.
 
5. Difícil?  Claro que é. Como eu afirmei logo no início desta conversa, 
Relações Públicas e Assessoria de Imprensa não são coisas para amadores. 
 
Se deixamos esse trabalho para qualquer um, vai virar diálogo de surdos. Como aconteceu na história que contei lá em cima.

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