Quando a gente não ouve o bom senso
10 de Setembro de 2012

Quando a gente não ouve o bom senso

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  1. Estava de namorada nova.

A moça era muito bonita, e o pai, cheio da grana.

“Tudo obtido com o trabalho dele, no bar que ele tem no bairro” ela gostava de dizer.

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Um dia foi conhecer o provável futuro sogro.

A forma como foi recebido deixou-o impressionado. A casa era maravilhosa,  Decoração, móveis, talheres, tudo em cima. Diretor de Arte com talento amplamente reconhecido no meio publicitário,  ele não deixava escapar nada.

Um dia desses levo você para conhecer meu bar”, prometeu o provável futuro sogro.

Um dia o dia chegou.

“Vamos lá, doutor.”

(O provável futuro sogro chamava-o de doutor, e ele nunca conseguiu saber se era respeito, gozação ou desejo de que a filha se casasse com um médico, um advogado talvez,  o que, aliás, acabou acontecendo).

O provável futuro sogro caprichou nos preparativos:

“Vou andar meu motorista vai buscar você.”

Acabrunhado ele insistiu, não precisava daquilo tudo, afinal ele também tinha carro, não tão bom quanto o do provável futuro sogro, mas tinha. No então, o outro fechou a questão.

“Não aceito desfeita. Vou mandar buscar você.”

Dito e feito. Dia e hora marcados, o carro estava na porta do prédio onde ele morava. Com motorista vestido a caráter.

Como escreviam antigamente, o carro deslizou pelo asfalto. Depois, trepidou no calçamento mal feito. Finalmente percorreu um caminho de terra e chegou.

Lá dentro o ambiente era de festa – e não era para ele. Em algumas mesas rolava a cerveja. Em outras, cachaça, algumas em forma de caipirinha. Jogava-se dama, dominó, baralho – tudo.

No entanto, aquilo agredia seu bom gosto de diretor de arte. Que logo veio à tona quando, naquela altura o já quase ex-futuro sogro perguntou, orgulhoso:

“O  que você acha?”

Nessa ora, o lado diretor de aula explodiu. Mas tentou amenizar:

Acho legal, mas se fosse você mandaria dar uma geral no ambiente e trocaria alguns móveis, Por exemplo, aquela cadeira ali…”.

Foi interrompido  pelo já ex-futuro sogro:

“O que você faz mesmo?“

“Sou publicitário.”

“E pensa que sabe tudo, que pode me ensinar sobre meu negócio.”

“Preste atenção: sabe aquela cadeira que você quer trocar? Há anos meu freguês vem aqui, senta-se ali, naquela cadeira, bebe, come, me dá um lucro danado e vai embora. E você quer trocar a cadeira. Quer meu bar meu bar? Meu ganha-pão? Está louco?”

Convidado a sair, ele caminhou muito, até encontrar um taxi.

  1. Recentemente a VVoa produziu uma transformação na Praça Governador Celso Ramos uma Fantástica transformação. Criou e implantou  uma nova arquitetura paisagística, embelezou os espaços, transformou o local em um paraíso.

Os  pássaros voltaram, passeios com animais passaram a ser mais comuns, avôs, pais e filhos passaram a se divertir ali. Era gostoso, inclusive, vê-los envolvidos em alegres bate-bolas.

Aí a VVOA cagou no penico.

 

  1.  Simplesmente resolver fazer, no lugar onde pais e filhos se divertiam batendo bolas um jardim.

Provavelmente será um jardim bonito, mas onde pais e filhos vão bater bola?

        Ali não é mais. É só passar por lá

Que nem o diretor de arte da história, ela quis embelezar ainda mais

um ambiente que não precisava disso. E, sem ouvir os usuários, e

         sem um quase futuro sogro para desaprovar as bobagem que fez,

estragou tudo.

 

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