O ataque à redação do jornal Charlie Hebdo, na França, refletiu no Brasil. Ao menos para as muçulmanas brasileiras que, em reportagem para o iG, relataram casos de intolerância. Para apurar os ataques anti-islã, a jornalista Carolina Garcia foi às ruas com dois véus islâmicos – o niqab e o hijab – e flagrou reações, muitas vezes preconceituosas, dos pedestres em São Paulo.
A experiência de Carolina durou dois dias e foi documentada em vídeo para a TV iG, além de ter rendido uma matéria para o portal. A repórter contou com a colaboração de Sarah Ghuraba, professora de teatro que foi apedrejada uma semana após a tragédia na França e já havia conversado com a jornalista sobre este caso. “Os brasileiros têm postura agressiva diante da curiosidade”, afirmou a reportagem.
O vídeo traz os relatos de agressão de Sarah e imagens em que ela está com a repórter na rua e é alvo de preconceito. Carolina chega a ser abordada dentro de uma estação de trem e, na ocasião, um homem pergunta se ela está fantasiada para alguma festa. Em outro momento, um senhor, que se diz chamar Renato, aborda a jornalista e pergunta se é carnaval. Ao mesmo tempo ele aponta o celular e começa a filmar, no que a repórter explica que se trata de uma roupa religiosa. “O senhor não acredita que é extremamente ofensivo o que está fazendo?”, questiona ela. “Não! Estamos no Brasil se a senhorita não sabe”, respondeu o homem.
De acordo com Sarah, as pessoas começam a relacionar à religião ao terrorismo. “A maioria me diz que vai terminar o serviço que o outro agressor começou com a pedra. Ouço ‘Vou cortar seu dedo, sua mão, se pé, vou cortar você todinha’. Teve gente que me disse que tinha sido só uma pedrada, mas quando me encontrasse me mataria com as próprias mãos”, relatou a entrevistada.
Ao divulgar a reportagem em seu perfil no Facebook, a jornalista do iG contou como foi a experiência. “Vivi dois dias como muçulmana em São Paulo. O calor que senti ao usar os véus niqab e hijab foi pequeno perto dos olhares, ofensas e ignorância que enfrentei nas ruas. Toda força para a Sarah, que confiou e topou falar em vídeo de suas agressões pela primeira vez. E para todas as outras irmãs que me ajudaram, mas têm medo de aparecer”.
Veja, abaixo, a reportagem do iG:
Fonte: Portal Comunique-se

