Caros,
Para quem não sabe meu trabalho com o marketing esportivo sempre envolveu o esporte de alto rendimento, talvez por seu o maior foco de investimento na área. Assim, boa parte dos meus clientes e estudos são focados em grandes players da indústria do esporte. Porém semanas atrás estava participando de um debate em Florianópolis, cujo tema era ligado a entrada de grandes grupos de comunicação e agências de marketing esportivo que tinha o Brasil como alvo de investimento.
Tudo corria bem até que o microfone saiu da mesa de debates e foi para a plateia. Ali me despertaram para uma realidade que desconheço, talvez por ignorância ou por não fazer parte do meu trabalho de maneira direta. No entanto, algumas pessoas que tomaram a palavra eram professores de escola pública ou trabalhavam na secretaria de esportes de alguns municípios, começaram a falar das dificuldades de se desenvolver o esporte na base. Na carência de recursos, seja de espaço ou mesmo material. E do fato de termos menos praticantes, de maneira geral, que tínhamos no passado.
Ao ouvir a realidade daquelas pessoas atentamente, “caiu a minha ficha”, estamos tendo sérios problemas na base. Ou seja, teremos dificuldade na renovação de esportistas, nos atletas de alto de rendimento do futuro. Agora faço a pergunta que me veio a cabeça naquele momento ouvindo tudo aquilo. O que adianta termos grandes especialistas em marketing esportivo daqui a vinte anos se não tivermos o atleta, o material humano, o produto que faz tudo girar? E se alguma modalidade acabar por falta de praticantes? E se não tivermos novos ídolos capazes de influenciar as crianças no futuro? Apocalíptico? Talvez, mas me acendeu um sinal de alerta.
E talvez seja essa minha função, repassar essa realidade por aqui e tentar de alguma outra maneira influenciar para quem sabe possamos remediar esse mal o quanto antes para que não tenhamos um futuro catastrófico.
Por tudo isso, penso que é preciso ensinar os patrocinadores a entrar de forma pesada no esporte, mostrar a importância de utilizar o patrocínio e tudo que gira em torno dele. Para que deixemos as estatais focarem na base, no fomento de novos atletas. Investimento pesado mesmo nessa área, assim formaremos além de atletas, o que acredito ser mais importante: cidadãos.
Enfim, vamos pensar em algo neste sentido, por favor.
Para interagir: [email protected] Twitter: @rafazanette

