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Olimpíada no Rio tem horário americano por influência de TV dos EUA
04 de Agosto de 2016

Olimpíada no Rio tem horário americano por influência de TV dos EUA

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“Quem determina os horários é o pessoal do COI. Você tem de falar com eles.” A curta resposta é de um executivo da NBC, a emissora americana que pagou em 2011 US$ 4,38 bilhões pelos direitos de transmissão dos Jogos até 2020, a maior transação da história olímpica. E que, não satisfeita, garantiu quatro anos depois os eventos subsequentes, até 2032, por astronômicos US$ 7,75 bilhões, mesmo sem saber se a atração terá o mesmo fôlego daqui a mais de década.

Isso explica, para quem já estudou a programação da Olimpíada do Rio, finais da natação após as 22h e jogos de vôlei de praia entrando pela madrugada. Nos dois casos, quem pagou pela festa determina, ou “sugere”, como preferem dirigentes, a hora em que ela começa.

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De acordo com o Comitê Olímpico Internacional, a palavra final não é das emissoras, termo ainda em voga no vocabulário olímpico, mas que soa anacrônico em tempos de transmissão multiplataforma.

Só a NBC prevê colocar no ar quase 7.000 horas de programação, bem acima das 5.500 de Londres-2012 e das 3.600 de Pequim-2008, um crescimento exponencial induzido pelo avanço das transmissões por internet, celular e outros meios.

O COI projeta mais do que o dobro de cobertura na transmissão digital que a tradicional, mas lembra que o maior indutor de audiência ainda é o horário nobre das TVs abertas.

“As emissoras são consultadas, mas quem desenvolve e concorda com a programação são as federações internacionais e o comitê organizador dos Jogos”, afirma a assessoria de comunicação da entidade.

Segundo o COI, a programação é um “complexo equilíbrio entre múltiplas questões esportivas e operacionais” que consumiu numerosas reuniões nos últimos anos. De fato, em pouco mais de duas semanas, a Olimpíada carioca precisa encaixar cerca de 700 eventos diferentes, desafio logístico e, claro, bastante caro.

No Rio, um complicador a mais é o fuso horário, apenas uma hora à frente de Nova York, o chamado “prime time” da TV nos EUA.

Vendida como uma vantagem durante a candidatura brasileira aos Jogos, a proximidade se transformou em trunfo para a NBC. Acostumada a transmitir grandes eventos olímpicos em “delay” (com atraso), para adequá-los à sua programação regular, a maior financiadora olímpica agora promove que Michael Phelps cairá na piscina “ao vivo”.

Já foi pior. Em Pequim-2008, as finais da natação também foram transmitidas ao vivo para os Estados Unidos, o que obrigou o maior medalhista da história e os seus adversários a disputar as finais no período da manhã, uma bizarrice em termos de esporte.

A Globo afirma que “foi ouvida, assim como outras emissoras parceiras do comitê”, mas não comenta se é a responsável pelo vôlei notívago carioca.

Segundo a principal detentora de direitos sobre os Jogos no Brasil, “o objetivo é sempre promover o esporte da melhor maneira possível, levando em consideração os aspectos técnicos de cada modalidade e a maior visibilidade para cada um.”

Objetos dessa discussão, as seleções brasileiras de vôlei, ouro e prata há quatro anos, em Londres, entram em quadra não antes das 22h30, horário nobre brasileiro. Ou americano.

Fonte: Folha de S. Paulo

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