- Encantou-se com o papagaio. A ave era engraçada, falava tudo. Comprou-a. Em casa, porém, decepcionou-se.
Nem bem chegou lá, o papagaio deixou de ser aquela figura simpática, alegre mesmo. Começou a resmungar, a reclamar de qualquer coisa, a xingar o tempo todo.
Ele bem que tentou, de todas as maneiras, a amansar o bicho: chegou, imagine, a declamar poemas emocionantes, e tocar músicas clássicas, a servir uma alimentação cuidadosamente preparada.
Não adiantou.
Aí, resolveu levá-lo a cerimônias religiosas.
Nada. O papagaio estava cada vez pior.
Tentou devolvê-lo, mas o ex-dono não o aceitou.
Ofereceu-o aos vizinhos, aos amigos, às pessoas, qualquer pessoa, que encontrava pela rua. Inutilmente.
“!Esqueceu” o papagaio em um lugar qualquer, mas ele voltou.
Impaciente, deu uma surra na ave, porém ela não mudou..
Aí, não agüentou mais: enfiou o papagaio em um freezer.
Lá dentro, o papagaio começou a xingar. Xingou até não poder mais.
Aí, calou-se.
“Pronto: finalmente, ele morreu.”
Cheio de remorso, mas também aliviado, o homem decidiu recolher o cadáver.
Então, quando abriu o freezer, uma surpresa: o papagaio estava vivo. Vivo e aparentemente educado. Tanto que, ainda tremendo por causa do frio, falou assim com o dono:
“Sei que meu linguajar tem sido mais do que inapropriado para este ambiente familiar, e que minha atitude não condiz com a atenção que o senhor tem me dado. Gostaria de lhe apresentar minhas sinceras desculpas e colocar que, daqui para frente, me portarei adequadamente.”
O homem ainda não tinha se refeito da surpresa, quando o papagaio, jeito maroto, perguntou:
“Só por curiosidade: o que aquele franguinho que está lá dentro fez?”(Escrito por Som Salvador, no jornal aQui, e reescrito por mim, do meu jeito)
2. A mídia impressa tinha, dois gargalos: as áreas de assinatura, que não revela o menor respeito pelos assinantes; e a de distribuição.
Disse que em Florianópolis, a ausência de pontos de venda é lamentável. E que se lê pouco aqui, porque o produto jornal\revista não é encontrado.
O assunto não foi pra frente, porque ninguém se interessou em discuti-lo.
3. Outro dia, Meio & Mensagem publicou, na capa, chamada em que afirmava:
“S. Paulo fecha uma banca por dia e editoras temem perd
No texto:
“… Mercado lamenta que os pontos de venda enfrentem dificuldades, procura alternativas para venda avulsa e prevê impacto na circulação.
4. Recentemente, uma notícia veiculada nos jornais, surpreendeu muita gente. Diz que o Rio Grande do Sul é, se não me engano, o Estado onde mais se lê jornais,
5. A resposta para esse fenômeno está em um box, colocado na matéria de Meio & Mensagerm, sob o título
O “índice-banca”
Trazia uma preciosa informação:
Número de habitantes por bancas de revistas em algumas capitais brasileiras (mil)
Rio de Janeiro 2,1
Brasília 2,1
S. Paulo 2,8
Curitiba – 3,1
Porto Alegre – 7
Salvador – 13,3
6. Lembrei-me da história do papagaio e do franguinho. A mídia impressa tem passado esse tempo todo maltratando o assinante e dificultando a vida do leitor, na medida em que não tem se preocupado com o ponto de venda.
Agora, percebe que pode virar um franguinho congelado. Tomara que ainda haja tempo para uma reação.
