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O perfil dos criadores de conteúdo no Brasil
10 de Janeiro de 2024

O perfil dos criadores de conteúdo no Brasil

Pesquisa Creators & Negócios aponta que 81,4% dos criadores brasileiros vivem exclusivamente da renda de produção de conteúdo

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A mais recente pesquisa “Creators & Negócios”, elaborada em parceria pela agência Brunch e a consultoria YOUPIX, desvenda as novas dinâmicas do mercado de criadores de conteúdo no Brasil. Em sua quarta onda, a constatação positiva da pesquisa é que ganhar dinheiro com conteúdo é uma realidade cada vez mais presente, no entanto os ganhos não são tão milionários quanto as vidas glamourosas que vemos nas redes parecem sugerir.

É fonte de receita, não de riqueza: O padrão de ganho mensal de um criador de conteúdo está entre R$2.000 e R$5.000, o que na prática é mais do que o salário mínimo, mas está longe de uma fonte de receita capaz de transformá-lo em empresa que gera mais empregos e movimenta uma cadeia maior. Não por acaso, quase metade dos creators respondentes (47%) ainda estão formalizados como MEI, cujo teto anual de faturamento é de R$81.000.

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“Quando contextualizados no cenário empreendedor brasileiro, creators formalizados não fogem à regra das dores do mercado: falta de preparo pessoal, planejamento e gestão ineficientes, e muito suscetíveis às crises socioeconômicas, estão à mercê da morte prematura do negócio. Quanto antes o creator perceber-se como empresa, mais oportunidade ele terá de desenvolver autonomia e fontes de receita sustentáveis que não estejam 100% alicerçadas em terceiros, como plataformas e marcas”, avalia Ana Paula Passarelli, cofundadora da Brunch.

Maturidade no modelo de negócio: Alinhando-se à tendência de profissionalização notada em 2022, o estudo deste ano destaca um mercado cada vez mais diversificado e especializado. Apesar de uma dependência financeira muito concentrada nos trabalhos com marcas, a pesquisa mostra que outros modelos de monetização estão sendo considerados e adotados pelos creators.

O levantamento mostra que mais de 50% da receita dos creators ainda vêm de jobs com marcas, as famosas publis. Se considerarmos os mais de 20 milhões de creators no país, é hora de refletir se haverá verba de marketing para todos, logo, diversificar as fontes de receita é crucial se os creators quiserem se manter de forma sustentável nesse mercado.

“Nunca se ganhou tanto dinheiro, mas também nunca se pagou tão pouco”, analisa Rafael Lotto, head da YOUPIX no Brasil.

Tiktok & LinkedIn ganham força: Instagram mantém sua posição de liderança como principal plataforma para trabalhos com marcas (77%), no entanto, o segundo lugar que sempre foi do YouTube, dessa vez foi ocupado pelo TikTok, com 8,5% do total de trabalhos, seguido do YouTube com 6%. Já o Linkedin, que não tinha números expressivos em pesquisas anteriores, ocupou a quarta posição no ranking, lugar anteriormente ocupado pelo Twitter (atual X), refletindo o efeito negativo que as mudanças na plataforma causaram, especialmente para as marcas.

A Realidade do Telecreator: Um dos achados significativos dessa edição foi a validação de um tipo específico de criador que encontrou na internet uma oportunidade de renda imediata, com um trabalho sem objetivos de longo prazo e baixa barreira de entrada. Nomeados como “telecreators” em uma alusão ao trabalho dos operadores de telemarketing, escolhem a profissão não como oportunidade de carreira, mas como o “trabalho possível”, com grande oferta e poucas exigências. Os ganhos para esses criadores também não são significativos, já que a porta de entrada desse mercado são a produção de conteúdo para marcas, que pagam algumas dezenas de reais por conteúdo, ou mesmo as famigeradas lives NPC, que semultiplicaram no TikTok na segunda metade do ano.

“O telecreator é um ator temporário, fruto de de elementos desagregadores do mercado brasileiro, como crises econômicas e a urgência na complementação de renda. Buscar remuneração não é um problema, mas a interferência do telecreator pode desestabilizar uma estrutura ainda em formação como a Creator Economy no Brasil. A lógica de empreender por necessidade também fala alto no ecossistema”, afirma Ana Paula Passarelli.

Inclusão e Mobilidade Social: De um ano para outro, o percentual de creators que ganham mais do que R$5.000 subiu de 37% para 49%, o que reforça a ideia de que a internet é uma forte ferramenta no processo de ascensão social. Porém, num recorte de raça, vemos que 52% dos creators brancos ganham mais do que R$5.000 por mês , enquanto, entre os creators pretos e pardos, esse percentual é de 43%.

“Infelizmente nosso mercado não foge à regra de tantos outros, em que o processo de mobilidade não opera de forma homogênea entre as pessoas brancas e pretas”, afirma Rafa Lotto. “Vemos que ele é mais democrático, no sentido de ter menos barreiras de entrada que um mercado tradicional, mas o dinheiro continua circulando mais nas mãos dos brancos”.

Quem contrata não está preparado: Entre as entrevistas qualitativas vemos uma unanimidade na insatisfação dos creators com as relações entre eles, as marcas e suas agências. Se por um lado, algum nível de regulação ou associação podem resolver alguns impasses, como, por exemplo, o estabelecimento de um piso, prazos mínimos de pagamento, etc., boa parte da insatisfação vem de um evidente despreparo dos profissionais que atuam nos bastidores: de briefings desconexos a expectativas irreais de resultado, praticamente o vemos como pontos de atrito tem origem no despreparo de quem está do outro lado.

Olhando para o Futuro: Apesar de muitos criadores permanecerem otimistas, a pesquisa detecta um sentimento de desânimo entre veteranos, que agora buscam inovar e diversificar frente à saturação do mercado. “Esse mercado é atraente, muita gente está interessada em atuar nele e a consequência disso é um natural aumento da concorrência. O futuro dos criadores, portanto, não está em se manterem confortavelmente fazendo o que sempre fizeram. Gostem disso ou não, viver de influência é muito menos sobre fama, riqueza e sorte e muito mais sobre empreendedorismo e resiliência”, completa Lotto. O estudo foi realizado de forma online e avaliou as respostas de 570 criadores de conteúdo de todo o Brasil.

Serviço: A pesquisa completa Creators & Negócios 2023 está disponível para download gratuitamente aqui.

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