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O escritor, o redator, e o mineirim
27 de Setembro de 2011

O escritor, o redator, e o mineirim

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1. Zé Minerim, enfermeiro de uma Clínica em Juiz Fora, foi convidado pelo médico para tomar conta do consultório por 3 horas, enquanto ele estaria ausente.

– Zé, vou sair, volto logo e não quero fechar a clínica.
– Você acha que consegue cuidar dela e de todos os pacientes?
– Ocê podi dexá cumigo que dô conta du recado! – respondeu o infermero Zé Minerin.
O médico saiu e voltou 3 horas depois.
– Então, Zé , tudo tranquilo?
– Uai, só atendi treis pacienti. O primero tava cum dor di cabeça danada. Intão, eu recertei o tar di pracetamol.
– Bravo, meu rapaz.
– E o segundo? – perguntou o médico.
– O segundo tava cum indigestân dor distomo e ai eu dei Guronsan – informou o Zé Minerin.
– Bravo, bravo! Você é bom nisso? E o terceiro? – perguntou o médico.
– Óia… dotô esse causo mi deu mais trabai… Eu tava sentadim aqui i direpenti abriu a porta i entrô uma muié muito bunita. Ela era dispachada, arrancô a rôpa, tirô tudo, té a carcinha e ficô cus peito di fora. Deitô sobre a maca, abriu as perna e gritô:
– AJUDE-ME, pelo amor de Deus! Faz CINCO ANO que eu num vejo homem!
– Nossa Sinhora, Zé! Que cê feis? – perguntou o médico.
– Uai dotô, prá resorvê o probrema, CARQUEI COLÍRIO NO ZÓIO DELA!
 
2. Sábado passado a Folha de S. Paulo publicou matéria com o escritor e ex-publicitário James Patterson,  o autor mais bem pago do mundo, segundo a revista Forbes.
 
O entrevistado reconhece que não faz literatura séria, e acentua:
 
“O que quero é entreter as pessoas, acho importante que elas às vezes relaxem e acho que meus livros são um bom relexamento.”
 
E, mais adiante:
 
“Nunca escreverei um grande livro de literatura séria, nem quero. Não sou bom como Garcia Marquez, Joyce ou Flaubert. Mas posso escrever uma grande história popular.”
 
Lembrei-me da conversa, cujo resumo publiquei semana passada, que tive com Mara Sallas, coordemdora do Curso de Cinema da Unisul. Quero fazer filme para o povo, ela disse. Para isso, preciso ser entendida.
 
3. Patterson, ex-publicitário, dá uma grande lição de publicidade.
 
Afinal, o que nós queremos: não é sermos lidos, entendidos e capazes de convencer o consumidor¿ 
 
Então…
 
Só que como alguém já disse, o difícil é escrever fácil, dificuldade que, pelo jeito, os redatores de hoje estão sentindo.
 
Conheci um monte  de gente talentosas que não deu certo na publicidade porque fazia um texto com o qual o consumidor não se identificava.
 
4. No momento em que escrevo estas mal traçadas, Lembro-me da notícia que li ontem no Comgurus. Dizia que os estudantes de comunicação escrevem pior do que os dos outros cursos.
 
Uma lástima! 
 
5. Para escrever bem e simples, é preciso saber ouvir , entender e transmitir. Senão, quando tivermos diante de nós um problema, vamos reagir que nem o mineirim.
 
 

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