O coaching abordado na novela da Rede Globo “O Outro Lado do Paraíso” foi denunciado ao CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). Quem denunciou alega que houve confusão entre a atividade de coaching e psicoterapia, uma vez que houve o entendimento de que o coach pode garantir resultados a um trauma psicológico por meio de hipnose. O órgão informa que já foi instaurado o processo ético nº 055/18, referente à campanha de merchandising da novela.
Na história, Laura (Bella Piero) sofreu abusos do padrasto, Vinicius (Flávio Tolezani), durante a infância. Ao longo da trama, Clara (Bianca Bin) procura sua irmã, Adriana (Julia Dalavia), para saber sobre seu conhecimento de coaching e de que forma ela poderia ajudar Laura a vencer esse trauma. Adriana se dispôs a ajudar a vítima por meio da hipnose que a levou ao passado – o que seria parte do processo do “coaching”.
Dia 18 de janeiro o presidente da Sociedade Latino Americana de Coaching (SLAC), Sulivan França, adverteu a emissora sobre o erro do conceito de coaching em ofício enviado à Globo. “Coach é o profissional que aplica o coaching e não a metodologia em si. No entanto, o principal problema está na afirmação de que o processo pode utilizar a hipnose”, afirmou o presidente da SLAC na carta. Em outro trecho, Sulivan França definiu o conceito correto do coaching. “É um processo de planejamento estratégico do indivíduo para que ele possa sair de onde está no presente e chegar aos objetivos que quer alcançar no futuro, sem falar, em momento algum, de passado ou utilizar qualquer técnica como a hipnose. Em nenhum momento está ligado ao passado”.
O especialista ainda alerta em relação ao ocorrido: “Tratar o coaching dessa maneira e associar a atividade à hipnose pode, em nossa opinião, induzir profissionais da área a atuar de maneira equivocada com Psicologia. Além de ilegal, isso se tornaria um problema de saúde pública, o que é extremamente preocupante”, completa em seu comunicado.
O merchandising foi exibido no dia 2 de fevereiro, quando Adriana cita a entidade que pagou pela ação. Imediatamente, o Conselho Federal de Psicologia se posicionou contra a situação, dizendo que a novela presta um “desserviço à população brasileira” com a condução do tema.
