O acidente aéreo em Santos na última quarta-feira (13/08) foi tema da imprensa de todo país. Sete pessoas, entre elas três jornalistas, piloto, copiloto, assessor político e o presidenciável Eduardo Campos (PSB), não conseguiram escapar do acidente com vida. Na pressa em conseguir o furo de reportagem, a mídia revelou que comete muitos equívocos.
Segundo o portal Comunique-se, o site editado pelo jornalista Leonardo Attuch, Brasil 247, publicou uma matéria na quinta-feira (14) ressaltando ter sido o primeiro veículo de comunicação a publicar informações sobre a morte de Campos. “Eram 12h01 desta quarta-feira, quando o 247 cravou, em sua manchete, que Eduardo Campos estava no fatídico voo do Rio de Janeiro ao Guarujá; diversos veículos relutaram em confirmar a informação, o que só foi feito pela CBN, da Globo, às 12h30, e pelo portal Uol, do grupo Folha, às 12h42”, afirma o texto da página.
Outros sites preferiram, em um primeiro momento, segurar a informação e anunciar somente o que tivessem certeza. A versão online da Exame, por exemplo, apenas divulgou que a equipe de campanha de Campos estava, até então, “preocupada” com a falta de contato com o político e que o presidenciável poderia estar entre as vítimas. A matéria replica o post divulgado pelo perfil da Reuters no Twitter às 12h18, em que a agência internacional afirmava que Campos viajava na aeronave que caiu.
Antes de confirmar a informação, parte da imprensa quis dar o “furo” sobre o acidente e acabou cometendo erros. Alguns meios de comunicação afirmaram que o caso envolvia um helicóptero, depois foi veiculado que a mulher e o filho mais novo do candidato a presidente estavam a bordo. O apresentador José Luiz Datena, da Band, destacou ao vivo que a parte mais triste da história era a morte de uma família, informação corrigida em seguida pela apresentadora Ticiana Villas Boas que afirmou que a mulher o e filho de Campos estavam em Recife.
Até o Jornal Nacional, da TV Globo, levou uma suposta testemunha do acidente, um rapaz que trabalha com cargas de navio, que disse ter tido acesso aos escombros e reconhecido o corpo do candidato à presidência. Fato depois negado por peritos já que pela situação do acidente, que envolvia explosão, era impossível reconhecer os corpos das vítimas.
O site Comunique-se conclui que o acidente mostra como a imprensa acaba sendo inocente em coberturas desse tipo, dando vez a informações desencontradas e fontes que, aparentemente, não têm como comprovar seus relatos. O trabalho, na intenção de acompanhar a velocidade de informações – e boatos – que circulam nas redes sociais, acaba dando prioridade para a agilidade da notícia, deixando de lado a apuração bem feita. Mais vale ser “furado” e garantir a transmissão da informação mais completa possível, que é o que realmente importa, do que cometer erros.

