Liberdade e espírito crítico na comunicação
23 de Outubro de 2012

Liberdade e espírito crítico na comunicação

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A grande transformação no processo comunicativo midiático neste início de século consiste em fazer do interlocutor, antes considerado um sujeito passivo, um partícipe no processo de construção da mensagem.

A abordagem contemporânea das ações de comunicação, explorando interatividade, design, composições que envolvem arte e tecnologia, conectividade, etc, tende a personalizar a experiência comunicativa e traduzi-la numa percepçãode livre adesão à mensagem. Indo mais longe, pretende-se que o receptor se transforme em formador de opinião, que irá disseminar a ideia/mensagem, assumindo, em muitos casos, a posição de co-autor.

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A comunicação, de fato, se propõe a atrair o interlocutor usando das mais diversas ferramentas disponíveis, e nesse sentido, oferece um grau de livre participação e interpretação inédito. Essas novas técnicas se mostram adequadas à diversidade de pensamentos e perspectivas individuais da sociedade contemporânea.

As técnicas e instrumentos usados nesse novo processo comunicativo se coadunam com o sentido do pensamento ecológico, que é aberto e interativo, ao mesmo tempo em que visa o empoderamento dos sujeitos. Não se pode inferir daí, no entanto, que toda a abertura pós-moderna para os intercâmbios aleatórios na comunicação alcancem objetivos sustentáveis.

O que distingue a comunicação “sustentável” são o compromisso com o espírito crítico e, principalmente, os propósitos a que ela serve. A liberdade desejável, nessa linha de pensamento, tem um compromisso com a democracia cognitiva: estar igualmente aberta aos diversos saberes e à complexidade do conhecimento. Ela é alcançada tendo por base uma comunicação ética e responsável, que informa com clareza, que oferece argumentos e garantias coerentes com os valores que embasam a sustentabilidade: a justiça social, a cooperação, a solidariedade, o equilíbrio ecossistêmico, e a dignidade humana.

A disposição de uma liberdade interpretativa gerada pelas novas modalidades de comunicação é, portanto, um dos elementos da libertação no sentido social e político, que é o que interessa à sustentabilidade, mas não se confunde com ela.

Para aliar a liberdade que a nova comunicação permite, de natureza instrumental, à liberdade para a sustentabilidade, um bom passo é começar pelos critérios: concretude, veracidade, exatidão e clareza, comprovação e fontes; indicativos utilizados pelo Código de Ética do CONAR para publicidade com apelo à sustentabilidade, que são ótimos vetores para uma comunicação eficaz e verdadeiramente libertadora.

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