O jornal britânico The Independent viu suas vendas desabarem nos últimos anos, o que resultou em uma atitude desafiadora: apostar exclusivamente numa versão digital para enfrentar a crise da imprensa.
Na sexta-feira (25) à noite, os jornalistas enviaram a edição para a gráfica pela última vez e, em seguida, postaram fotos nas redes sociais com suas equipes batendo a mão na mesa, uma tradição para saudar a saída de um colega.
O jornal afirma em sua última edição impressa que as pessoas vão lembrar sua “transição ousada” para o formato 100% digital como um “exemplo para outros jornais ao redor do mundo”.
“Hoje, as prensas pararam, a tinta está seca e logo o papel vai deixar de ser amassado (…). Um capítulo se encerra, mas outra se abre, e o espírito do The Independent continuará a florescer”, acrescentou.
O proprietário do jornal, o britânico de origem russa Evgeny Lebedev que havia anunciado no mês passado o abandono da edição impressa, escreveu que o jornalismo “foi completamente transformado”, de modo que o The Independent “também teve que mudar”.
Como muitos jornais, o The Independent – nascido em 1986 – teve de enfrentar um forte declínio do número de leitores da sua edição impressa. No final, vendia cerca de 40.000 cópias, o diário nacional com menos vendas no país. Diferença gritante se comparada com seu auge, em 1989, quando suas manchetes politicamente engajadas e imagens de destaque lhes rendiam 420 mil exemplares vendidos por dia.
Jornal da USP também encerra edição impressa
O periódico passará a trabalhar apenas com o formato digital, que deverá receber investimento. “O site do jornal será reforçado, melhorado e ampliado”, explicou Bucci. A previsão é que a estreia do novo modelo digital aconteça até o final de abril.
As alterações foram decididas depois de relatório de um grupo de trabalho da superintendência que recomendava a economia. “É claro que isso trará uma economia de recursos, que será muito bem vinda. Eu só queria registrar, porém, que a razão principal não foi a economia orçamentária, mas a eficiência da comunicação”, declarou Bucci ao Estadão.
