Os chefes de redação dos quatro maiores jornais brasileiros discutiram no debate “O Papel do Jornal”, realizado no Rio de Janeiro, a atual situação das publicações impressas no Brasil. Para eles, o jornal impresso ainda tem força no país e a circulação continua crescendo apesar da crise, informou a AFP.
A circulação dos jornais do Brasil cresceu, em média, 2,3% no primeiro semestre em relação ao mesmo período no ano passado. Embora o crescimento exista, os profissionais consideram que, para conquistar mais leitores, as publicações devem oferecer informações mais profundas e análises.
“O que os leitores querem é mais análises, mais reportagem, mais opinião, muito mais debate e, principalmente, muita profundidade”, disse Ascanio Seleme, diretor de redação de O Globo. “Um jornal não pode apenas publicar notícias de ontem, tem que explicar o que vem depois, e por quê”, acrescentou.
Ricardo Gandour, diretor de conteúdo de O Estado do São Paulo, considera que no momento em que “o excesso de informação pode levar à alienação total, nós, jornalistas, podemos ser os guias. Não se deve temer esse papel, esse ofício de selecionar, contextualizar, servir ao ser humano”.
“Conservadora como sou, jurássica, acredito que o jornal impresso vai sobreviver, talvez de uma forma mais compacta (…) Uma elite intelectual vai querer pagar mais para ter esse privilégio. Haverá mudanças, mas o jornal impresso continua”, disse Vera Brandimarte, diretora de redação do Valor Econômico.
“O jornal impresso continua sendo um produto bem-sucedido, e reforça a unidade da marca em todas as plataformas em que o meio está presente”, afirmou o editor executivo da Folha de São Paulo Sergio Dávila.
*Por Portal Imprensa
