Há muito, muito tempo, em uma galáxia distante, quando o pessoal da agência se aventurava a prospectar um cliente, além da oportunidade de conhecer os recônditos de planetas longínquos, o mais peculiar era encontrar novas formas de vida e novas civilizações, audaciosamente indo, onde nenhum publicitário jamais esteve.
Com poucas variações sobre o tema, a pessoa destinada pelo “futuro cliente” (como eram otimistas e destemidos estes pioneiros…) para a conversa com “aqueles caras de propaganda” era o primo delicado do presidente, que não entendia nada de negócios, mas era entendido… de arte, desenho, essas “frescuras”, e afinal, era da família e tinha que trabalhar.
Ou ainda, o encontro era com a filha/nora/esposa/amante do chefão, que passava metade do ano em “viagens para estudo de tendências” em Paris e Nova Iorque e por isso o briefing vinha na forma de um monte de revistas importadas.
Tinha ainda o filho doidão, que havia começado alguma faculdade como Comunicação, RP, Letras com Habilitação em Klingon, não terminou e cuidava do “setor de publicidade” nos intervalos em que estava fora do rehab, que lá naquela galáxia e naquele tempo, se chamava hospício, mesmo.
Na falta desses acima, sobrava para o cara do comercial, num mau humor dos infernos, olhando o relógio o tempo todo e muitas vezes em pé, despachar os membros do “grupo avançado”, não sem antes deixar claro que tinha um assunto importante pra resolver e por isso a reunião teria que ser curta.
Aqui, na nossa galáxia e nos dias atuais, não é assim.
Os publicitários se relacionam com profissionais de marketing preparados, e o que é melhor, com voz junto às estruturas de comando das organizações, mesmo aquelas com controle ainda familiar.
Os objetivos comerciais estão claros.
E estereótipos preconceituosos, machistas, homofóbicos e politicamente incorretos, ainda bem, não cabem mais nesse mundo.
A vida parece muito mais fácil.
Mas não é.
Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de atuar como publicitário e como profissional de marketing. Essa vivência me proporcionou a reflexão que aqui compartilho.
É inegável a evolução, tanto do pensamento, como das ferramentas à disposição dos profissionais dos dois ambientes, comunicação e marketing e de forma geral, de toda a organização.
Entretanto, a mesma evolução que nos ajuda, somada aos desafios tecnológicos e logísticos que na atualidade permeiam qualquer relação de produção e consumo, originam muitas vezes parâmetros cada vez mais divergentes no diálogo entre estruturas que, no final das contas, têm por objetivo procurar a convergência entre os objetivos mercadológicos e comerciais, com a linguagem que fala com as mentes e os corações das pessoas.
Explico.
A imensa diversificação de recursos em ambas as frentes de trabalho, pede especialização. Por isso, cada vez mais, é difícil encontrar pessoas que consigam enxergar o todo do processo e com isso chegar na essência do que se precisa como resultado.
É por isso que defendo, cada vez mais, a presença de pessoas de planejamento nas agências e, principalmente, que esses profissionais tenham papel estratégico na relação com o cliente, até porque o tempo não anda para trás, como na ficção científica, não dá para voltar ao passado.
O planner é o profissional de marketing dentro da agência, nem maior nem menor, nem melhor nem pior, não menos publicitário, nem mais “marqueteiro” (ê palavrinha feia…).
Mas é através dessa interface que todo mundo pode, no final, enxergar o quadro inteiro do trabalho de comunicação e marketing, que é vender coisas e idéias, para pessoas reais, com sentimentos e necessidades reais, em um mundo novo.
E esse mundo não fica em uma galáxia distante.
Fica aqui e agora.

