Isnard de Azevedo, um formador de atores
05 de Novembro de 2014

Isnard de Azevedo, um formador de atores

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Me  recordo  do grupo Dromedário Loquaz, desde quando me convenci  que poderia  fazer cinema em Florianópolis, embora ninguém acreditasse em mim. O Dromedário, nessa época (início dos anos 80), estava muito vinculado ao nome do Isnard. Num primeiro momento conhecia o Grupo à distância, pelos jornais e por amigos. E foi o Norberto Depizzolatti, meu grande amigo, que indicou o Isnard para um trabalho no qual dividi a direção com o Norberto, no nosso primeiro curta, o MANHÃ.  Curta inesquecível que contou com o  Eduardo Paredes, Lúcio Giovanella, Chico Faganello, Cido Marques,  Gérson Schirmer,  Mauro Faccioni Filho, Toninho Freitas, Giba Assis Brasil, Tabajara Ruas, entre outros na equipe. Além dos ícones da dramaturgia do estado no elenco: o próprio Isnard, o Waldir Brazil e o Ademir Rosa.  Naqueles dias de “wine and roses” todos nós queríamos ser cineastas, mas eu entendia quase nada de direção de atores. E aí que apareceu o Isnard no nosso curta, além de ator trabalhou com os demais atores, com muita elegância e rigor. Lembro que ele se desdobrava para conciliar as filmagens com suas outras ocupações, mas sempre estava lá, trabalhando com os atores, nunca falhou. E olha que as filmagens foram em Anitápolis e em Taquaras, com estrada de barro e muita chuva.  Foi meu primeiro aprendizado. Creio que o Waldir Brazil – que depois viemos a ser grandes amigos – aceitou a trabalhar no MANHÃ muito por causa da presença do Isnard.  Mas o Waldir não era afeito a construção do personagem e ensaios e me disse: “Zeca, vocês não vão fazer  eu passar por isso”, o Isnard, que já o conhecia, já sabia e eu e o Norberto logo aceitamos. Aí, foi meu primeiro entendimento de que cada ator é um ator com suas distinções, seguranças e inseguranças, cabe ao diretor reconhecer e administrar tudo isso.  O Cacá Diegues, no “Trem para as Estrelas”, mestre e observador, ocupadíssimo com a produção e direção do filme e confiando na minha intuição, me pediu para que eu fizesse um laboratório com uma atriz do elenco secundário que interpretava uma personagem que ficou cega. E lá fui eu, orgulhoso, com uma senhora atriz observar no Instituto Benjamin Constant, o comportamento dos cegos que já enxergaram um dia, pois essa era construção do personagem do roteiro do Cacá. O Sylvio Back, certa vez, me confidenciou que a Regina Duarte, namoradinha do Brasil, que estrou no cinema no maravilhoso “Lance Maior” disse ao Sylvio, “o diretor de teatro “fulano de tal” trabalha assim” e o Sylvio sem respirar baixou a bola da atriz e disse: “Mas eu faço assim”, como quem diz de forma educada e enérgica  (algumas vezes é preciso usar essa ferramenta psicológica) “aqui quem manda sou eu”. O Celso Nunes, importante diretor teatral e preparador dos atores no meu “A Antropóloga”,  aluno do diretor polonês Jerzy Grotowskie, trabalha no método criado por Konstantin Stanislavski e como rolfista toca no ator, se necessário for. Cada diretor tem um maneira de lidar com o ator e de sentir as diferenças e necessidades de cada profissional. O Isnard me ensinou essas singularidades de cada ator, que eu viria a confirmar depois com outros artistas. Cada filme é uma lição e a vida é um eterno aprendizado. Então quando ouço falar no Grupo do Dromedário Loquaz eu me lembro da determinação, da seriedade e do rigor do trabalho com os atores e a produção em geral. Depois, tive a oportunidade de trabalhar no “Procuradas” com o saudoso Silvio Mantovani, que junto com a Lou Hamad estraçalharam nos cenários do longa que dividi a direção com José Frazão. A Sulanger Bavaresco, atual diretora do Grupo, também trabalhou no MANHÃ e desde lá  admiro seu trabalho como atriz e diretora, observando a cria na verve do Isnard, fundador do Dromedário Loquaz.  Lembro  ainda que, em 2012, quando estava no Festival de Cinema  de Lisboa, vi num dos melhores teatros de lá anunciado o espetáculo “Dona Maria, a Louca”, de Antônio Cunha e produzido pelo Dromedário,  não tive dúvida,  pedi para o taxista parar e fazer uma foto minha na frente do teatro e do cartaz.

 

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CLAQUETE

Mostra de Cinema e Direitos Humanos .  A Mostra ocorre de 7 a 12 de novembro, no Cinema do CIC. As sessões de cinema de segunda-feira, dia 10, e terça-feira, dia 11, às 19h30, da 9ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos, terão convidados para um debate após a sessão.

Resultado do VIII Prêmio Funcine Armando Carreirão. PROJETOS  CONTEMPLADOS PELO EDITAL FUNCINE Nº 001/2014  VIII PRÊMIO FUNCINE DE PRODUÇÃO AUDIOVISUAL “ARMANDO CARREIRÃO”- 2014

Categoria 01 – Curta-Metragem

1o. Colocado

CASCAES DOCUMENTARISTA

Proponente: José Rafael Mamigonian

2o. Colocado

Pulsões

Proponente: Patricia Yanner Briggiler

3o. Colocado

A Cidade dos Anões

Proponente: Rodrigo José Brasil Silva

4o. Colocado

Bar da Noite

Proponente: Marina Moros

1o. Suplente

O Dia

Proponente: Rodrigo Amboni

 

Categoria 02 – Curta-metragem Diretor Estreante

1o. Colocado

Meu Tio que Me Disse

Proponente Karina Judith Abreu

2o. Colocado

Tubérculos

Proponente: Luiz Renato Sigolo Barz

1o. Suplente

Trepa trepa

Proponente Gustavo Prates Mendes de Aguiar

 

Categoria 03 – Desenvolvimento de Roteiro de Longa-metragem

1o. Colocado

Alberto não para de escrever cartas

Proponente Adriane Canan

 

2o. Colocado

Mateus e os fantasmas do teatro

Proponente Malcon Jean Bauer

1o. Suplente

Ultramirabilis

Proponente: Gabriel Felipe Horbatiuk Dutra

 

Categoria 04 – Piloto de Série de TV

1o. Colocado

Crisálida

Proponente: ALESSANDRA DA ROSA PINHO

2o. Colocado

A Ilha dos Piratas

Proponente: ALCIDES JOSE DUTRA

1o. Suplente

Tardes da Noite

Proponente: Raquel Stupp

 

Corpo de Jurados:

Natara Ney, Formada em jornalismo pela PUC-PE;
Rodrigo Fonseca,
Crítico de cinema, produtor editorial e roteirista;

Thiago Brandimarte Mendonça, Diretor, roteirista e dramaturgo;

André Dib, Crítico de cinema e jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco;

Gui Campos, é cineasta e músico.

 

Planeta.doc. Entre 14 e 21 de novembro, a cidade de Florianópolis recebe a primeira edição do Festival Internacional de Cinema Socioambiental, Planeta.Doc. Localizada no sul do Brasil, a bela ilha catarinense é palco das exposições fotográficas, apresentações teatrais, debates e mostras cinematográficas direcionadas a todos os públicos, com acesso gratuito às sessões realizadas em centros culturais e universidades. Em 2014, o  Planeta.Doc realiza em parceria com o CineEco de Portugal uma mostra internacional de filmes,  que contempla algumas das principais problemáticas socioambientais do mundo contemporâneo. O CineEco é um dos mais prestigiados festivais socioambientais da Europa, membro fundador da Green Film Network,maior rede de festivais socioambientais do mundo, com 22 membros em vários continentes. É realizado há 20 anos na cidade de Seia, em Portugal, e um dos mais antigos festivais do gênero no mundo. O PLANETA.doc também recebe uma mostra dos filmes vencedores do Festival Internacional de Cinema Ambiental – FICA, mais antigo e consolidado festival do gênero no país, realizado há 16 anos na cidade de Goiás. As atividades do Planeta. As inscrições para o concurso de vídeo “Meu Mundo Mais Vivo”, promovido pelo Festival Internacional de Cinema Socioambiental Planeta.DOC, foram prorrogadas para o 21 de novembro. Podem participar estudantes dos ensinos Fundamental, Médio e Superior de Santa Catarina. Os vencedores receberão prêmios em dinheiro (R$ 5 mil para cada categoria), sendo que o autor do vídeo na categoria universitária ganhará um troféu produzido pelo artista plástico Silvino Barão Goulart. Podem ser inscritos filmes de até um minuto que contem histórias sobre a relação dos jovens, adolescentes e crianças com a natureza ou demonstrem ações que ajudem a preservá-la. O roteiro e o argumento são de livre escolha e o filme pode ser gravado com dispositivos eletrônicos como celulares e máquinas fotográficas. Para inscrever o filme basta subir o mesmo à Plataforma do You Tube ou VIMEO, copiar e colar o link na sessão ?Meu Mundo Mais Vivo?, no site oficial do evento.

 

Maria Emília de Azevedo na Colômbia. A cineasta catarinense esteve um de seus roteiros premiados para laboratório na Colômbia com vários especialistas no assunto. Dos 189 roteiros inscritos, o trabalho de Maria Emília de Azevedo foi o único do Brasil.

 

Manager II LABORATÓRIO SCRIPT

http://www.cinefilia.org.co/v1/labguion2014/seleccionados

https://www.youtube.com/watch?v=cXgB2npFE3I

 

Pedro MC é o curador da interessante exposição “Efeito Escotilha” que reúne quatorze artistas com trabalhos em películas reversível em 16 mm desenvolvendo uma narrativa entre ilha e continente.  O trabalho é o resultado LaBarca, nela os artistas questionam os limites da arte. A exposição fica na FUNBADESC até o dia 20 de novembro. Confira!

 

TVUFSC  exibe O Contestado, resto mortais. O documentário de Sylvio Back sobre a Guerra do Contesta, o qual tem sido reprisado na TVUFSC, é um excelente trabalho sobre uma Guerra extremamente complexa e que está fazendo 102 anos. Conheça o belo trabalho do diretor catarinense na programação da TVUFSC.

 

ARTE NA UFSC. O Departamento Artístico Cultural (DAC) da Secretaria de Cultura (SeCult) da UFSC realiza de 8 a 16 de novembro a III Semana de Arte do DAC. O evento visa dar visibilidade aos trabalhos artísticos produzidos e socializados a partir dos projetos realizados pelo DAC durante o ano de 2014. Durante a semana, o interlocutor poderá interagir com as diferentes formas de linguagem artística que estarão presentes em cada trabalho apresentado. O evento busca fomentar o debate cultural e aproximar o artista aprendiz, o profissional e o público, incentivando e promovendo o processo de produção e fruição da arte e da cultura no campus universitário e na comunidade catarinense. Na III Semana de Arte do DAC, serão apresentadas atrações artísticas resultantes de diversos projetos do DAC e também mostras de trabalhos de artistas-profissionais da comunidade que atuam no Departamento. Ao todo serão 14 atrações dentre peças de teatro, recitais e shows de música, apresentação de dança, exposições de arte, mostra de documentários, workshop etc. Além das apresentações no campus da UFSC Florianópolis haverá uma apresentação no campus da UFSC Blumenau. Confira a Grade da Programação.

 

Um dia nublado: crônica de um fim de semana. No dia 24 de março de 1979, um sábado de chuva, mais de 50 mil metalúrgicos realizaram uma assembleia no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, depois de dez dias de greve, apesar da intervenção federal no seu sindicato, do afastamento de seus líderes e também da interdição do estádio de futebol em que estavam acostumados a se reunir. Naquele dia, os trabalhadores manifestaram sua disposição em continuar o movimento grevista, mesmo diante da intransigência do governo e dos patrões, num momento em que se anunciava a abertura do regime militar.

Construindo uma narrativa integralmente a partir de material de arquivo (imprensa, rádio, televisão e cinema), o vídeo enfoca a presença de artistas, jornalistas e cineastas que estavam ali registrando, apoiando e divulgando aquele movimento, enfrentando condições adversas (financiamento, problemas técnicos e censura), e que acabaram produzindo um material fundamental para a memória do movimento sindical brasileiro. O vídeo é resultado do projeto de pesquisa e extensão “Cinema e Sindicalismo”, coordenado pelo professor Rafael Rosa Hagemeyer (autor do livro História & Audiovisual), coordenador do Laboratório de Imagem e Som (LIS) e membro do Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).  Direção, roteiro e edição: Rafael Rosa Hagemeyer. https://drive.google.com/file/d/0B2hZf-F33bFwZTRfVC1PUWVNT1U/view?usp=sharing

Cinema em Cena em Criciúma.  “Cinema em Cena”,  será realizado no dia 20/11/2014, a partir das 18h, no auditório do Colégio Marista de Criciúma. O evento tem a proposta de incentivar a produção regional e nacional através da valorização dos profissionais e seus ideais, exibição de curtas e a importância da criação de instituições que visam à preparação para o mercado de trabalho. Participantes:  Fenando Coimbra,  diretor o longa “O lobo atrás da porta”;  Zeca Pires, da TVUFSC e diretor de “A Antropóloga”;  Rodrigo Araújo, diretor  da série “Remakers”.

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