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A insustentável tolerância dos intolerantes
06 de Julho de 2015

A insustentável tolerância dos intolerantes

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Depois de exibir uma crônica sobre a efemeridade da vida, do sucesso e da falta de heróis que se justifiquem no país, o apresentador Zeca Camargo teve sua idoneidade questionada. Isto porque ele ousou confrontar sua abordagem com a exacerbada cobertura midiática dada à morte do cantor sertanejo universitário Cristiano Araújo na mesma semana. Mais do que uma tentativa de desqualificar o autor do argumento e da crítica, com base na estratégia de argumentum ad hominem, a reação só demonstra o quanto aqueles que se dizem tolerantes não toleram críticas às suas opiniões.

Esta intolerância está presente também em muitas pessoas que nos rodeiam e que, por desconhecimento, desonestidade intelectual ou mesmo comodismo, optam por não defender suas opiniões com base em argumentos. Logo contra-atacam com um rótulo reducionista, em geral mal empregado e fora do contexto, tal como “fascista”, “homofóbico”, “machista”, “racista”, com o intuito de ter sua ideia validada e portador de uma moral elevada. Em vez de rebaterem a posição com um argumento (raciocínio), os tais defensores das tolerâncias e das diversidades recorrem aos jargões engraçados e mesmo contraditórios para se saírem bem.

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Experimente acompanhar ou participar de uma discussão em uma rede social para verificar como a intolerância geralmente parte daqueles que se autodenominam tolerantes e que costumam repetir com cinismo a frase: “temos que respeitar a opinião alheia”. A origem dessa intolerância encontra raízes na Escola de Frankfurt, o antigo Instituto para o Estudo do Marxismo e cujo movimento caracteriza-se por uma visão política também marxista, e que teve como principais integrantes Herbert Marcuse, junto com Adorno e Horkheimer, com o objetivo de subverter os valores e a moral ocidentais por meio da revolução cultural.

A tese de Marcuse (Crítica da Tolerância Repressiva) sustenta que existem duas formas de tolerância: a tradicional repressiva, que consiste em aceitar as diferenças, e a libertadora, a qual não permite opinião divergente da visão de mundo do novo homem marxista. Isso demonstra bem o episódio envolvendo o apresentador Zeca Camargo e tantos outros episódios recentes de opinião pública. Segundo os sectários dos ideais de Marcuse, a liberdade de expressão não inclui a tolerância ao contraditório. Pelo contrário, deve-se acatar todas as opiniões oriundas de um determinado grupo ou você será desqualificado ou inferiorizado.

Nesse ritmo, em breve não haverá mais opinião divergente e nem liberdade de expressão para o que você acredita. Se você não concorda com determinada religião, ideia ou movimento, você tem duas escolhas: a segregação pacífica, admitindo a existência do outro e respeitando, ou combatendo por meio de argumentos. Se você não concorda com o que escrevi, construa um raciocínio embasado para justificar seu ponto de vista, mas não reduza o debate de ideias aos clichês usados para suprimir liberdades, impor a guerra de classe, de cor, gênero e o relativismo moral e que apenas demonstram a sua intolerância.

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