Certo dia, aquele senhor baixinho, de olhos determinados e sempre querendo esboçar um sorriso, me desafiou: por que não levar publicitários para dentro do curso? E repliquei: esse papel é seu. E foi assim que Elóy Simões ajudou-nos sobremaneira a consolidar o Curso de Publicidade da Unisul, em Palhoça.
Elóy era um senhor sempre disposto. Para sentar-se em discussão, ler um livro em dois dias, expressar boas ideias ou sentar-se à mesa de um bar por longas horas, com a presença imprescindível de uma boa cachaça, bastava ligar para ele, o homem que não sabia dizer não.
Elóy jurou, também à mesa de um bar, que ele perseguiria a longevidade do seu pai e avô. “Oitenta? Só isso? Não, não. Vou ao centenário”, observava o hilário baixinho, que os alunos tinham como o mestre paciente, que ouvia mais que falava.
É verdade, o baixinho, gordinho e sereno armazenava bem o que lhe falavam. Conseguia esquecer o mundo e saber ouvir. E contestar. Muitas vezes se tornava pachorrento e teimoso, mas quando era provocado. Falar de publicidade era a sua paixão. A alguns o qualificavam de espírito quixotiano. Sim, era uma característica de rebeldia. Sua raiva abominava as péssimas publicidades, que o levava a acusar escolas superiores de formar “profissionais sem cachola”. E via no uso escancarado de artistas de novela em publicidade uma forma de ofuscar o produto, a marca.
O baixinho de grandes ideias morreu esta manhã, em São Paulo, onde será cremado. Mesmo na UTI ele reverberava a familiares o desejo de retornar à Ilha. Mas seu organismo traiu a sua vontade.
O baixinho provou que Nelson Rodrigues errou em sua teoria, de que a unanimidade é burra e que não existe. Não há ninguém que não goste dele, de suas risadas, da barriga pontuda que desnudava o umbigo, enfim, do seu estilo de ser gente boa e ética.
Ele foi ao encontro de Emília, sua esposa. Quando a perdeu, chorando dizia: “Que desgraça, ela não poderia me deixar aqui sozinho”. Com certeza, o “Negão”, como também era conhecido, vai inventar algo novo lá em cima. Ainda mais ao lado da sua amada. É capaz até de decodificar o mistério da vida. Quem sabe!
